26 de abr de 2016

Temporada de acidentes • Moïra Fowley-Doyle


Autora: Moïra Fowley-Doyle
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580578942
Páginas: 256
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Um negócio que a gente realmente adora (e tomo a liberdade de falar por você) é trama diferente. Quando um autor vem e coloca uma historinha nova e inesperada na nossa frente, os índices de empolgação vão a mil e ficam verdinhos estourados como no The Sims. Essa é a ilustração do meu grau de animação com Temporada de Acidentes, debut de Moira Fowley-Doyle, que estou de olho desde que lançou na gringa no segundo semestre de 2015. Foi só a Intrínseca publicar a versão brazuca que ele veio parar nas minhas mãozinhas em dois tempos.
Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões. Em outras, acontecem coisas horríveis, como quando o pai e o tio dela morreram. A temporada de acidentes é um medo e uma obsessão. Faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores.
No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por que, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que não conseguem se livrar desse mal? 
Já aviso com antecedência: a resenha vai ficar confusa. Eu estou confusa. Temporada de acidentes não era nada do que eu esperava, mas não me decepcionou. Quer dizer, talvez tenha dado uma pequena frustrada, porém ainda assim eu gostei e fiquei eletrizada com o desenvolvimento dos plots. Eu sei, eu sei, confusa. Pelo menos posso dizer que avisei.

O que eu esperava do livro: acidentes. Uma família amaldiçoada. Uma protagonista que vive cliffhangers todo santo capítulo porque todo santo capítulo ela sofre algo que a quase mata. Eu queria colocar tudo isso no liquidificador e ter uma história envolvente e que causasse aflição, mas nada além disso. A palavra chave da minha expectativa era aflição.

O que eu encontrei em Temporada de acidentes: medinho. Fowley-Doyle não focou nos acidentes em si, no perigo ou se havia ou não maldição. Essa parte me frustrou, admito. Contudo, a história se desenvolve enquanto a protagonista, Cara, procura uma ex amiga que parece nunca ter existido no mundo. Pessoas que nunca existiram mas são lembradas por alguém é, com certeza, algo para arrepiar os cabelos da nuca. Tendo como cenário de momentos de tensão uma casa possivelmente mal assombrada é, meus amigos, de interromper a leitura e esperar amanhecer para continuar. Fiz isso.

Outra coisa muito legal é que os personagens não são exemplos do comportamento ideal dos jóvis, não são certinhos e coisa e tal. Eles fumam, falam palavrão, e parecem bem mais realistas que muitos protagonistas de young adults por aí. 

Atmosfera. É isso que quero ressaltar a respeito de Temporada de acidentes e é isso que você precisa saber para ser convencido a embarcar nessa leitura. A autora desenvolveu um ambiente muito crível, muito propenso a ser assustador, e todos os elementos da história colaboravam para aquela sensação de medinho. Posso ter uma péssima memória (verdade), mas não lembro de ter passado por uma sensação tão forte de terror com um livro. Nem os que realmente tem essa proposta. Ainda posso falar "eita xofana" sem parecer desatualizada? Eixa xofana!

25 de abr de 2016

Profundo & Intenso • Robin York


Autora: Robin York
Editora: Arqueiro:
ISBN (1º): 9788580415179
Páginas (1º): 320
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Minhas muitas experiências com new adults provou que continuações servem para ser um tiro: ou em você, ou no pé do autor. Profundo e Intenso foi uma duologia com lançamento simultâneo em terras tupiniquins, e isso chamou minha atençãozinha. Por que publicar o romance 1 e 2 no mesmo dia? Depois de ler ambos no mesmo intervalo de 24 horas, digo para você: lançamento simultâneo para você não ter certeza de onde vem esses tiros, monamour.
Caroline Piasecki vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantido. Desesperada, ela tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, procura se defender da multidão de pessoas que a julgam.
Tinha um tema de new adult que eu ainda queria muito ver, e Robin York fez isso. O ponta pé inicial da duologia é vingança pornô: as nudes que foram confiadas à alguém que não merecia confiança, mas você não tinha como saber. Obrigada, York, por nos dar esse tema para discutir essa semana. 

AMEI como slut shaming foi abordado no livro 1. É sensacional a forma como isso molda a história, afeta a protagonista, e desenvolve o enredo paralelamente ao crescimento de Caroline inserida nessa situação. É visível um desenvolvimento de todos os elementos como um conjunto. Até mesmo o final, que é um tanto inesperado, dá uma calorzinho no coração por poder ver o quanto menina Carol se tornou mais forte. 

Não tem como não gostar de Caroline. Ela não é bela, recatada e do lar. Ela é real, sabe? Alguém como a gente é, alguém como nossas amigas são. É fácil se identificar com ela e, consequentemente, sentir empatia. Assim como West, a presença masculina do romance, que também cria esse vínculo com o leitor por conta de ser problemas reliables. Mesmo com seus momentos bem babacas, a gente gosta, defende e justifica os erros. É isso que acontece quando uma escritora consegue ser tão sensacional na sua construção de protagonistas. Ai, York, te amo!

Dois livros que devorei em menos de 12h porque por quê parar de ler quando se está tão envolvido assim, não é mesmo? Profundo e Intenso foram lançados juntos pela simples razão que você não consegue seguir a vida enquanto não terminar todas as linhas existentes. Dá vazio depois? Dá. Você sente falta e queria um terceiro livro para não ter que desapegar dessas pessoas que você mal conheceu e já considera pakas? Queria. 

Porém o mundo não é legal e não tem livro 3 então vou ali reler. Tchau.

21 de abr de 2016

Cidade dos etéreos • Ransom Riggs


Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580578904
Páginas: 384
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Muito inteligente da minha parte escolher Cidade dos etéreos como leitura da vez e levar para a mesa de cabeceira. Crianças nem são assustadoras, não é mesmo? Capaz, bobagem.

A gente implica com pais que insistem para os filhos sorrir para a câmera, mas olha só os resultados alegres que dão quando eles ficam sérios?! Então, então, então.

Há bastante tempo atrás, no inicio da minha vida bookaholic, costumava começar séries pelo volume mais aleatório possível. Adorava! Porém, conforme estreitava meu relacionamento com livros, fui parando de experimentar esse tipo de conhecer séries... até o segundo volume de Orfanato da Srta Peregrine para crianças peculiares. Dei olá e boas vindas para a série de Ransom Riggs quando a história já tinha dado seus passos inicias e estava com plots em andamento. Não foi algo tão legal quanto lembrava de ser.
Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
No inicio do livro há ilustrações dos personagens e uma breve descrição sobre eles. Nesse quesito, é fácil se inserir - logo, não é isso que afetou minha leitura. A resposta para essa questão, acredito, tem a ver como conhecer esses garotos já sem o mistério fantasioso que cercava o ambiente. O primeiro livro deve ter uma atmosfera assustadoramente cativante; Cidade dos etéreos já é narrado numa visão romantizada de todos. Não é mais sobre olha só que criança esquisita e sim sobre olha ali meu amigo. Concluo que começar do livro 2 me fez pular a melhor parte do que Riggs tinha para apresentar.

Eu não me senti empolgada com a história. Lia, sentia que havia um bom plot ali para explorar, mas não me via interessada por ele, com vontade de desbravar e ver desenrolares. Era apenas "hum, interessante, mas será que a próxima foto dará medinho?".

Porque, sejamos francos, a melhor coisa do livro é seu trabalho gráfico. É lindo, dá gosto de ver(!) (exceto na mesa de cabeceira a noite, por motivos óbvios). Por mais que a história não satisfizesse as minhas expectativas, Cidade dos Etéreos é muito ótimo de ter na estante. Lindão!

12 de abr de 2016

Habemus playlist de março, sim!

Sabe quando falam "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje"? Pois então: só verdades. Eu não postei playlist de março no dia primeiro e o que aconteceu? A internet queimou, e nos enrolou até aqui. Mas ok: hoje habemus internet e habemus playlist também!

Marcíssimo está recheada da loucura que foi março: muita música sem lógica alguma entre si. Se vamos estabelecer alguns padrõezinhos, temos músicas francesas, American Authors e várias songs brasileiríssimas (inclusive minha favoritinha que eu vou deixar você deduzir qual é). De resto, é tudo tão aleatório que você nem precisa clicar esse botãozinho para as músicas se misturarem. Dê play e depois me conte se dançou e cantou e jogou os braços para cima.

1 de abr de 2016

Era uma vez no outono • Lisa Keyplas


Autora: Lisa Keyplas
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414950
Páginas: 288
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Eu imagino os novos ricos americanos encontrando aristocratas europeus no limbo dos personagens fictícios e estalando os dedos porque "parece que o jogo virou, não é mesmo queridinhos?". É estranho, considerando o tanto de cultura americana que consumimos, ver os gringos do tio Sam sendo marginalizados em algum cenário. Porém, nos romances de 1700 e bolinhas, eles são (eram?). Era um vez no outono foi a primeira vez que encontrei uma protagonista sem sotaque elegante dentro do gênero. Foi novidade!

A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa.
Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar.
Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?
De romances cujo único foco é romance estamos exaustos. Precisamos, e rápido, de elementos novos que deixem o clichê nosso de cada dia com algo especial. Nessa série de Kleypas esse elemento é a sororidade. A capacidade da autora de construir relacionamentos paralelos ao casal principal é uma das melhores coisas em seus livros. Em Os Hathaway tínhamos uma família unida e divertida que sobrepunha tudo o demais. Nessa série temos um grupo de mulher que got each other's back. Sem bad blood por aqui, monamour.

Uma coisa sobre romances de época é que os protagonistas masculinos nunca são ~interessantes~. As protagonistas femininas, por vez, sempre devem ter algo especial: língua afiada, pensamento crítico, tendências feministas antes mesmo do termo existir. Porém o mesmo não acontece com os senhores. Eles são sempre genéricos, não? Encantadores, claro, mas não repletos de características particulares que os fazem diferentes. A fórmula para composição de mocinhos é quase tão cheia de passos exatos quanto a de composição de livros do Rick Riordan. Kleypas não trouxe nada novo nesse sentido, quero dizer.

No geral, Era uma vez no outono é um livro fácil. Falo isso tanto para a boa quanto a má interpretação. O gênero não é de exigir do leitor, verdade, mas a impressão que esse dá é de não fazer esforço algum para dificultar as coisas. Sem plot twist, sem agonia, nada disso - nem quando é a intenção da autora fazer drama/mistério. Esse é o que chamo de livro feliz, quando os personagens principais não precisam comer o pão que o diabo amassou para chegar ao felizes para sempre na última linha da última página.