1 de ago de 2016

O livro da Jout Jout é a melhor coisa que li em 2016

Duas coisas sobre a Joana de 2016: 1) o ritmo de leituras faria a Joana de 2014 ter um colapso nervoso e desmaiar sob pilhas de estantes desmoronadas; e 2) estou cada dia mais chata e quase esqueci para que existem as famigeradas cinco estrelas. Eu tenho lido pouco, tenho me apaixonado menos histórias ainda. Parece que todo livro é igual a todo livro e sempre falta um fator X nesse mesmo livro. Eu sei: chata, insuportável. Mas sabe o que quebrou meu blá-blé com leituras? UM LIVRO DE YOUTUBER!

Segura essa bomba, Brasil!

Jout Jout é uma rainha, todos sabemos. Seu livro, Tá todo mundo mal, é um poema. São crônicas sobre as crises de sua vida, mas que tranquilamente poderiam ser da minha. Julia escreveu sobre Julia, mas escreveu sobre Joana também, e provavelmente escreveu sobre (insira seu nome) também. Esse, se me permite dizer, é o fator chave para o brilhantismo dessa mulher: ela é tão nós, sabe? Jout Jout é so much reliable, é tão incrível e talentosa em transpor para palavras exatamente o que sentimos, da maneira que sentimos, no modo e ordem que as coisas chegam até nós e se transformam em crises. É impossível (vou repetir separando as sílabas para ficar mais claro: IM-POS-SÍ-VEL!) não se ver nas cenas descritas, mesmo morando longe do Rio, nunca tenha ido em Londres e não ter sido convidada para o programa do Jô. 

Tá todo mundo mal me inspirou muito. Eu tenho essa sensacional mania de ler crônicas e depois passar dias escrevendo-as mentalmente, sobre absolutamente tudo. Estou assim até agora. Quero descrever meu dia e situações adversas com a mesma clareza, bom humor e estrutura lírica dessa senhora dextruidora. Por mais que não esteja sentando para passar essas crônicas mentais para crônicas eletrônicas, sinto que o livro abriu minha mente para coisas, e deu um tom literário para o meu dia a dia. É bem maneiro isso, sabe? Espero que permaneça assim.

Se tenho uma coisa para reclamar é que são crônicas curtas demais, e que as vezes parecem incompletas, mas podemos fazer isso ser uma bela metáfora sobre a vida, né non? Tá todo mundo mal é incrível, é especial, e eu fortemente recomendo a você, amiguinho.

18 de mai de 2016

Escola noturna • C. J. Daugherty


Escola noturna #1
Autora: C. J. Daugherty
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581052595
Páginas: 336
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Dificilmente posso afirmar com certeza que livro X não era nada do que eu esperava. Já li muito, já criei muita teoria a partir de sinopse e me considero um tanto perito na arte de ler entrelinhas de premissas. Um livro chamado Escola noturna que fala sobre internato meets reformatório, PUFF, saquei na hora. Mas Escola noturna não era nada do que eu esperava.
Quando todos estão mentindo, em quem você confia? Quando a adolescente problemática Allie Sheridan vai presa de novo, seus pais decidem que já estão fartos. Assim, ela é despachada para a Academia Cimmeria, um colégio interno bem distante dos seus amigos londrinos. A academia é uma bela construção, cheia de adolescentes lindos e milionários do tipo que viaja de jatinho, foi criado pela babá e só faz compras nos endereços mais exclusivos.
 É um problema que o mais interessante de Escola noturna, aquela coisa especial que poderia convencer você a dar uma chance dessa história, seria entregar o ouro e chamar de spoiler. Daugherty foi muito inesperada em sua concepção de enredo, na forma como fugiu do óbvio mesmo não sendo inédita. A graça do livro é que você avança com a personagem, e criar teoria da conspiração é algo que evolui a cada página.

Allie não é a mais interessante das personagens, mas conduz bem sua história. Para uma garota que foi mandada para um colégio interno por mal comportamento, eu esperava um pouco mais de atitude e tendência a tretar, mas tive que me contentar com algumas tiradas mal-educadas para a Regina George do lugar e that's all folks. A história perdeu muito potencial quando o coração da menina amoleceu logo no inicio. Ah, e nem vou entrar muito no âmbito do triangulo amoroso; tudo que a autora surpreendeu com a coisa toda da Escola Noturna, ela se afogou no mar de clichês do fulaninho e fulaninho amam fulaninha que também ama fulaninhos. SO 2009!

A atmosfera do enredo é sombrio, mas isso contradiz com a narrativa. Há algo de muito amador e infanto juvenil na forma como Daugherty conta os passos de Allie, em terceira pessoa. Não sei se foram os diálogos, repletos de "Ai, amiga" para cá e para lá, ou outra coisa qualquer, mas no geral, não parece um livro maduro.

Sinceramente, acho que o tema escolhido não combinou com a narrativa e os personagens. Cabia mais ali, e podia ser genial. Talvez essa ideia venha de que outros livros com o mesmo assunto que li tinham uma vibe mais adulta e tal, mas Escola Noturna se torna uma ideia muito boa com potencial desperdiçado. Digo isso porque, por mais que eu tenha lido num ritmo legal, só leria a continuação se ela aparece magicamente nas minhas mãos.

17 de mai de 2016

A morte de Sarai • J. A. Redmerski


Na companhia de assassinos #1
Autora: J. A. Redmerski
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581052571
Páginas: 255
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A morte de Sarai foi vendido como um new adult, comecemos daí. Eu sou uma leitora assídua do gênero, você já sabe. Eu leio new adults porque eles dão um calorzinho no coração, porque eles tendem a terminar arrancando sorrisos e alguns suspiros. New adults são comédias românticas absolutamente clichês protagonizadas por pessoas da minha idade. É gostosinho lê-los. Mas não é nada gostosinho ler A morte de Sarai.

Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte.
Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.
Pode parecer ridículo da minha parte esperar um história sorridente do livro em questão, considerando que a protagonista foi uma escrava sexual por 9 anos. Eu sei disso, mas ainda assim vi potencial. Não é incomum para o gênero abordar uns assuntos mais pesados, mas isso sempre é transformado numa bela história de superação, de volta por cima, de descoberta do amor, e somando essas coisas surge um livro bonitinho. A autora podia ter feito isso. Podia! É isso que mais está me afligindo.

Eu dei uma estrela para A morte de Sarai. Se ele não tivesse sido me vendido como new adult, eu teria dado duas. Quer dizer, eu não teria lido. Esse livro me incomodou. Sabe aquela expressão "infiltrou embaixo da pele"? Pois então, é. 80% do livro é ok... Até que ele deixa de ser. Chega a ser impressionante o que a autora conseguiu fazer com uma única cena (que eu nem li inteira). Uma cena só e foi pior do que as 130 páginas de Cinquenta Tons de Cinza que me obriguei a ler. Você tem uma noção do quanto isso foi tenso?

Mas explico: Sarai é uma escrava sexual desde os 14 anos. Ela tem 23. Imagina o trauma! Por mais que ela tenha se acostumado com a situação, que tenha parado de ver como uma tortura e várias outras coisas que ela afirma no avançar da narrativa (e se contradiz logo após, mas não é esse o ponto), ela foi uma escrava sexual (!) e autora deveria lidar com isso com delicadeza e tempo - principalmente porque é uma série e não precisa correr para enfiar tudo dentro de um único livro. Só que o que acontece é que a menina se apaixona por alguém que a condiciona a situações muito parecidas com a que seu abusador fazia. A narrativa se torna um misto de desconforto e excitação (que eu não entendo, mas não julgo) e, na boa, o conjunto daquilo tudo me chocou. Aquela cena é medonha, e acabou com o livro para mim. Não tem como romantizar A morte de Sarai. Se é para fazer uma comparação, isso que aconteceu me deixou na bad como a cena no filme de 50 tons em que Anastasia leva chicotadas, no final. Embora não tenha isso o que aconteceu, foi igualmente degradante.

Mas como nem tudo são flores mortas, uma flor viva é que a autora melhorou sua escrita desde Entre o agora e o nunca. Ela parou de usar termos como "anca", o que por si só já é uma glória (o único lugar que não é péssimo comparar mulher e vaca é na Índia, convenhamos). Em compensação, ela não soube fazer romance, personagens apaixonantes ou qualquer coisa que trouxesse bons sentimentos.

Talvez essa não tenha isso sua proposta inicial e entendo. Mas, ainda assim, há um certo estigma no gênero e A morte de Sarai não combina com ele. E olha, sei lá também. Cinquenta tons de cinza fez um sucesso tremendo e é outra história que me aflige ao ponto de "infiltrar embaixo da pele".

16 de mai de 2016

Encrenca • Non Pratt


Autora: Non Pratt
Editora: Verus
ISBN: 9788576864103
Páginas: 307
Não há muitos livros sobre gravidez da adolescência. Pelo que analisei da minha estante (sem olhar para ela já que estamos a 60km de distância, então perdoe falhas), não li muito com o tema - por mais que young adult seja uma parcela bem grande das minhas prateleiras. Por essa razão, Encrenca era algo novo a ser lido: o cenário clichê com um assunto que merece ser falado. Gravidez na adolescência é bem assustador, né?
Quando o colégio inteiro descobre que Hannah Sheppard está grávida, ela tem um verdadeiro colapso. E quem está ao seu lado é Aaron Tyler, um aluno novo e o único garoto que não parece ter segundas intenções em relação a ela. Desejando compensar seus erros do passado, Aaron toma uma difícil decisão: ele se oferece para fingir ser o pai do bebê. E, temendo revelar quem é o verdadeiro pai, Hannah aceita.
Hannah tem 15 anos e está grávida. Por ela ter transado com mais de um cara da escola, a gravidez foi o último toque para ela ganhar o título de vadia na escola. Por essa razão, eu gostaria de alterar o tema chave desse livro. Encrenca não deveria ser sobre gravidez, e sim sobre slut shaming.

É isso que eu faria se eu tivesse escrito Encrenca. Porém eu não escrevi Encrenca. E não sei se a autora tem a mesma opinião que eu sobre slut shaming.

Em alguns momentos da trama, Aaron, que tem lá seu papel de herói, seu papel de salvador que impediu a menininha devassa de ficar ainda mais falada nos corredores, pensava coisas como "talvez Hannah não fosse tratada assim se ela usasse uma blusa mais respeitável. Tenha santa paciência. E a pior parte que não há uma condenação desse pensamento, uma amadurecimento do personagem, qualquer coisa assim. Não, pensar na respeitabilidade das roupas de Hannah é tido como natural. Ele está certo, e a personagem aprende a colocar decote ~do tamanho certo~ ao mesmo tempo que a gravidez avança e ela vai se sentindo menos desejável. 

A questão é: Hannah se sentia bem com uma saia curta, com uma calça justa, com o terceiro botão da camisa aberto. Ela se sentia bem! Que bom para ela! Porém foi preciso ela se sentir desconfortável com o próprio corpo, nas próprias roupas, para que sua figura fosse dada como comportada e digna de protagonismo. Quem lê Encrenca sem querer problematizar, tira como mensagem final que garotas devem usar roupas respeitáveis ou já podem esperar a gravidez aos 15 anos. Me ajuda @Deus.

Isso irrita muito, mas é uma leitura um tanto compulsória. Aaron ganhou apenas minha preguiça e irritação, mas Hannah gera empatia. Eu quis acompanhar sua situação, ver como ela ia lidar com isso tudo e esperando que ela finalmente se respeitasse o suficiente para encarar a situação sem precisar de Aaron nenhum falando sobre respeitabilidade de roupas decotadas. Além disso, há um pequeno mistério (tão óbvio que nem merecia essa nomenclatura) com cada um dos personagens que puxa a leitura até um ponto próximo ao final. Não para saber o que é, mas sim, como vai ser resolvido. 

Se fosse sobre slut shamig, Encrenca seria 10. Sendo como gravidez na adolescência, errr, não é um 10.

13 de mai de 2016

Playlist Abrilíssimo!



Atenção que temos aqui uma playlist consideravelmente grandinha com apenas uma semana de atraso. Cadê meus parabéns, hein?

A playlist de abril é uma das maiores que publiquei esse ano, e explico: tem álbuns inteiros aí dentro - e partes grandes de outros aí. Tem alguns lançamentos do mês: a parceria de Rihanna e Calvin Harris que não é We found love, mas ainda assim é muito boa, e alguns bons achados das Descobertas da Semana (Clothes off é ♥). Mas também relembramos velhos clássicos: você já pode ter enjoado, mas te desafio a não dançar Livin' la vida loca comigo!

Porém, COM CERTEZA, o destaque dessa lista é a soundtrack de Never again, que é o novo mozin da minha vidin. Amo tudo, mas Adam Levine cantando Lost stars acaba comigo real oficial. Keira Knightley fazendo sua versão também é bem maravilhoso. 

Outras duas coisas bem incríveis que merecem menção especial é a música da majestade P!nk para a soundtrack de Alice através do espelho, e Lost boy da Ruth B (lembra bastante aquele tiro chamado 7 years, do Lukas Graham). Também tem um número grandinho de canções da Lily Allen e da Meghan Trainor. O que posso dizer... Bateu saudade ♥

6 de mai de 2016

10 motivos para você assistir Como ser solteira

Então que chegou o frio e eu e menina gripe tivemos um relacionamento sério. Nos dias que fiquei de cama, eu assisti muitos filmes. MUITO FILMES. Tipo assim, muitos mesmo. E o que despertou vontade de falar sobre e elogiar é Como ser solteira, uma comédia que chegou aos cinemas em março e aos torrents essa semana. Eu vou dar 10 motivos para você assistir esse filme e você vai concordar comigo 10 vezes porque eita filme ótimo!
1. Não é autoajuda
É um pouco chato que o nome dê a impressão que você está se afogando na solidão quando, na verdade, não é nada disso. Como ser solteira é sim sobre como ser solteira, mas essa coisa de mensagem implícita é bem sutil, adequado e não faz você repensar sua vida. Na verdade, o sentimento que terminei o filme é que precisava assistir de novo para absorver mais da diversão e das piadas.
2. As personagens são nossas migas
São várias histórias paralelas, com foco principal em Alice (Dakota Fanning), que chegou em Nova York para descobrir a si mesma antes de se comprometer num relacionamento sério. Sua mentora na cidade que nunca dorme é Robin (Rebel Wilson), cujo lema da vida é party hard all night long. Tem também a irmã de Alice, Meg (Leslie Mann), que é médica bem sucedida que coloca a carreira na frente de tudo; e não diretamente ligada às meninas, Lucy (Alison Brie), que está com o casamento organizado a espera do noivo.
3. As atrizes são ótimas
Todas! Que quarteto ótimo para esse filme - elas são tão realistas! Até mesmo Rebel Wilson sendo caricata para uma veracidade para a composição do enredo. Alison Brie é uma fofa, inegavelmente, e Leslie Mann é Leslie Mann, né migos. Dakota Fanning pode ser a maior dúvida do cast quando, actually, ela é o maior acerto de tão reliable. Me lembrou de quando fazia a gracinha da Kate em Ben & Kate, seu papel legal antes de manchar a carreira apanhando encontrando o amor de sua vida naquele filme lá
4. A história funciona tão bem
Não há um grande enredo, são simplesmente as histórias das personagens se misturando tendo como cenário Nova York e falando sobre seus relacionamentos, mas também sobre carreira, sobre ser adulta, sobre ser mulher. 
5. Como as histórias se interligam
É tão natural o modo como as coisas se amarram! Mesmo tendo só quatro "protagonistas", o filme tem vários personagens significativos, e todos eles fazem sentido na posição que estão, principalmente servindo de conexão para os outros. 
6. A trilha sonora é uma receita de farofa super calórica - as melhores!
Alice está chegando em Nova York e estamos ouvindo Welcome to New York, da Taylor Swift. Alice está fazendo walk of shame e temos Charli XCX com SuperLove. Nesse meio tempo tem muito Fifth Harmony GIVE TO ME I'M WORTH, tem Lean on, For a better day e até Guns N' Roses. Para concluir com chave de ouro, Love Myself da Hailee Steinfeld. Que soundtrack, parças, que soundtrack.
7. A vibe, ela arrasa
Misture essas músicas que falei com uma fotografia colorida em que o fundo são as luzes brilhantes da Grande Maçã. É um filme tão felizinho - e tudo colabora para tal. O figurino é ótimo, os cenários são lindos, a iluminação é tão bonita... Isso tudo cria uma atmosfera de filme que eu amo. Não tem como ficar na bad enquanto assiste essas garotas em seus dilemas.
8 - Dá para rir...
É muito comum comédias que fazem sorrir nas piadas. Isso é o que mais tem. Como ser solteira faz você gargalhar. Algumas sacadas são verdadeiramente ótimas, sem falar nas referências espertas... Como não amar um roteiro que tem uma fala: "There's no such thing as break, third season Ross". Pô,  o coração até bate mais forte.
9 - ... mas dá para chorar também.
Por mais que não tenha o negócio da ~mensagem final~, tem uma cena tão linda, tão linda que é meio impossível não ficar emotivinha. E colocar "I love you, baby" como música e elemento da história é covardia em todas as situações, convenhamos.
10. É uma grande comédia romântica diferentinha
É uma comédia, é um romance e é realista. Com todas as histórias paralelas, os finais são diferentes e inesperados e todos muito críveis e bonitos. Há um feeling feminista super gostosinho (embora algumas piadas da personagem da Rebel vão de encontro com isso), e por mais clichê que pareça, há algo de diferente e especial em Como ser solteira.

Convenci você? Aproveite o final de semana e chame as migas para fazer um brigadeiro de caipirinha e assistir essa belezura. Pode me agradecer depois, tudo bem?

5 de mai de 2016

Salve-me • Rachel Gibson


Autora: Rachel Gibson
Editora: Jardim de Livros
ISBN: 9788584840076
Páginas: 272
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Daisy está na cidade é um livro muito bom. Dito isso, quero esclarecer que essa foi minha ultima experiência com Rachel Gibson, um tanto recente aliás, e que serviu de base para minha empolgação em ler Salve-me. Salve-me não é um livro muito bom.
 A salvação de Sadie Hollowell e Vince Haven depende de muitos fatores. Ele voltou traumatizado da guerra ao terrorismo no Afeganistão e ela, aos 33 anos, acha ridículo ser convidada para ser dama de honra do casamento de uma prima no interior do Texas, onde nasceu. Ambos estão perdidos, à procura das raízes e de uma identidade que a vida foi esfacelando, e são atormentados por uma atração sexual violenta que demora muito a se transformar em amor e compromisso.
É muito difícil desligar a leitura de Daisy ao falar dessa, mas veja bem, é para isso que funcionam as experiências, não? Para nos dar parâmetros de expectativa e julgamento. Como fui frustrada no primeiro, deixe-me esclarecer o segundo. Salve-me é o encontro de Hart of Dixie com Nicholas Sparks, só que falhando em ser um guilty pleasure (expressão que inclusive entrou em desuso, então saudades). Quando você escreve um romance que não tem nada além de romance, ser guilty pleasure é quase que a obrigação. Falhou com a obrigação, falhou com a satisfação do leitor, simples assim.

Outra coisa é que muito bati na tecla da bagagem emocional, que é a tecla favorita de Gibson e ela usa sempre que pode. Não usou dessa vez, e me fez entender porque abusa tanto dela. Construir casais com um passado tende a dar mais certo, mais fácil. Ao juntar Sadie Jo e Vince, a autora teve que começar do zero – o que fez ela se enrolar e me perder. Não criei simpatia pelo casal, e foi a primeira vez que todos os preceitos da sociedade sulista me incomodaram durante uma leitura.


No mesmo dia que li Salve-me, tinha concluído a leitura de outros dois romances MUITO FUCKING ÓTIMOS. Junta isso e as expectativas previamente altas e temos aí o resultado. Salve-me é cansativo e não me ganhou em momento algum. Mas, veja por outro ângulo, eu continuo recomendando Daisy está na cidade com todas as minhas forças.

4 de mai de 2016

Mentira perfeita • Carina Rissi


Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
ISBN: 9788576864585
Páginas: 462
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Eu queria dizer que Mentira perfeita é o melhor livro que Carina Rissi já escreveu. Não vou dizer isso, pois 1) sinto que seria uma traição aos amores antigos e eu jamais trairia os amores antigos entregues por Carina; e 2) há a possibilidade da afirmação estar sendo embalada pelo ritmo ragatanga da animação de ter lido esse livro em poucas horas e não ter saído da vibe. Fica então que: Carina Rissi sempre se supera. SEMPRE SEMPRÃO TODA A VEZ.
Júlia não tem tempo para distrações. Ela é brilhante e sempre se esforça para ser a melhor naquilo que faz; por essa razão, sua vida pessoal acabou ficando de lado. Algo que sempre preocupou sua tia Berenice. Gravemente doente, a mulher teme que Júlia acabe completamente sozinha quando ela se for. Júlia faria qualquer coisa qualquer coisa mesmo! por tia Berê e, em seu desespero para agradar a única mãe que já conheceu, inventa um noivo enquanto torce por um milagre... E então o milagre acontece: Berenice se recupera e, assim que deixa o hospital, gasta todas as suas economias com o casamento dos sonhos para a sobrinha. Como Júlia pode contar a ela que mentiu, com a saúde da tia ainda tão frágil? É quando Júlia conhece Marcus Cassani. Ele é irritantemente cínico, mulherengo e lindo de um jeito que a deixa desconfortável. Marcus também está enfrentando problemas, e um acordo entre eles parece ser a solução. Tudo o que Júlia sabe é que deveria se afastar de Marcus. Mas seu coração tem uma ideia muito diferente...
Marcus não apareceu muito em Procura-se um marido, mas seus poucos momentos foram de brilho. Desnecessário dizer que um livro protagonizado por esse cara maravilhoso seria tiro, porrada e bomba. Marcus é muito interessante: ele é engraçado, divertido e, também, amargurado por estar preso a uma cadeira de rodas. Há uma complexidade nele que é legal de ver abordada em um chick lit, onde os mocinhos normalmente são caras ideais saídos da mesma forma. E outra que eu sempre adorei personagens resmungões - um mimimi bem feito é outra coisa!

Mas nem só de Marcus vive Mentira perfeita. Temos aqui Júlia, que tem um QI imenso e um coração maior ainda. Essa parte do coração grande remete ao altruísmo e aquela coisa que normalmente se torna um porre em narrativas... mas não dessa vez, meus caros. É essa característica da protagonista que dá liga para a história, que é o ovo da receita de bolo. Um bolo muito ótimo, com certeza.

Como eu releio muito os livros da Carina Rissi, depois da terceira releitura começo a pular o inicio e ir direto para a parte boa - quando os personagens principais começam de fato a interagir. Não há isso nesse livro. Quando eu reler Mentira perfeita, não vai ter começo arrastadinho para pular - ele já começa ótimo! Ela já começa pegando você pela mão e levando ao parque de diversões literárias! 

Três coisas também são muito importantes e preciso falar sobre ser ótimo e tudo mais: 
   1º- Spin off da menina Carina é chamar a Vingadora para cantar o tratratra da metralhadora. Os personagens queridos voltam em doses enormes de amor, com foco na lindeza. Aqueles spin off que os antigos protagonistas são sombras? Nada disso!
   2º- Tem mistério? Tem. É óbvio? Acho que sim. Ainda gera espaço para plot twist? Nunca divide disso.
   3º - Sete letras: H-I-L-Á-R-I-O.

EU AMEI, MIGOS! Eu estou com um vazio no meu coração querendo mais livros dessa mulher! Porém, ao mesmo tempo que sei que leria a lista de supermercado da Carina e ficaria feliz, eu sei que ela precisa de tempo para produzir uma lista de supermercado das boas com 450 páginas. Isso nos dá seis meses para reler as obras tudo dessa senhora dextruidora. E se o próximo lançamento for melhor que Mentira Perfeita, essa sou eu fazendo check no chão:

3 de mai de 2016

Enquanto Bela dormia • Elizabeth Blackwell


Autora: Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414790
Páginas: 368
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A moda de adaptar contos de fadas para os dias atuais não foi tão longa quanto imaginei que seria, porém ainda é possível encontrar alguns lançamentos do tipo aqui e acolá. Enquanto Bela dormia é um desses, embora eu considere um pouco errado comparar X com Z. Esta não é a típica adaptação; ela não trás a história para o século XXI, mas sim reconta aquela velha fábula da Bela Adormecida sob uma perspectiva ainda não explorada. Nessa precisamos concordar que achar uma ótica inédita de uma ~historinha infantil~ famosa não é a mais comum das tarefas.
Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original.
Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor a magia mais poderosa do mundo , qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.
Acho que o ponto chave da originalidade da autora foi ter tirado o protagonismo da coroa real. Claro que queremos nos imaginar sendo protagonistas e sendo da realeza, mas isso é um lugar comum do gênero. Blackwell foi inédita porque sua narrativa foi contada por Elise, uma mera empregada do castelo, cujo papel não é direto na vida da Rosa, a Bela Adormecida em questão. Claro que Elise não é uma observadora qualquer, mas também não tem a influência de mexer papéis decisivos e ser afetada da forma mais direta pela maldição. Isso trouxe uma perspectiva inédita da velha história: acompanhar a maldição por alguém que tem laços afetivos fortes, porém não a pessoa que vai ficar apagada na cama por cem anos.

Se bem que não há a coisa toda de ficar apagada na cama por cem anos porque essa recontagem aqui é nova, é inédita, ela é inesperada, meus caros.
A história é completamente diferente, se me permite avisar. Não há uma magia explícita, então é interessante ver como a autora lida com isso para montar o que deve ser uma história de maldição sobre uma princesa. É bem, bem inteligente. 

Mas sabe aquela leitura que acaba e você não gosta, mas ao mesmo tempo sabe que é um livro muito bom, bem escrito e com construção eximia? Pois então, nem eu sei explicar - e estou falando sobre o que eu senti(!). Enquanto Bela dormia é um livro esquisito. Inteligente, mas esquisito. São muitos anos, muitos acontecimentos e não há romance ou fantasia se tornando elementos grandiosos no roteiro. Eu sei lá, ele é muito bom e muito cansativo ao mesmo tempo! Você já leu Encantadas? É tipo Encantadas. Até hoje não sei bem explicar meus sentimentos sobre Encantadas.

26 de abr de 2016

Temporada de acidentes • Moïra Fowley-Doyle


Autora: Moïra Fowley-Doyle
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580578942
Páginas: 256
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Um negócio que a gente realmente adora (e tomo a liberdade de falar por você) é trama diferente. Quando um autor vem e coloca uma historinha nova e inesperada na nossa frente, os índices de empolgação vão a mil e ficam verdinhos estourados como no The Sims. Essa é a ilustração do meu grau de animação com Temporada de Acidentes, debut de Moira Fowley-Doyle, que estou de olho desde que lançou na gringa no segundo semestre de 2015. Foi só a Intrínseca publicar a versão brazuca que ele veio parar nas minhas mãozinhas em dois tempos.
Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões. Em outras, acontecem coisas horríveis, como quando o pai e o tio dela morreram. A temporada de acidentes é um medo e uma obsessão. Faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores.
No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por que, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que não conseguem se livrar desse mal? 
Já aviso com antecedência: a resenha vai ficar confusa. Eu estou confusa. Temporada de acidentes não era nada do que eu esperava, mas não me decepcionou. Quer dizer, talvez tenha dado uma pequena frustrada, porém ainda assim eu gostei e fiquei eletrizada com o desenvolvimento dos plots. Eu sei, eu sei, confusa. Pelo menos posso dizer que avisei.

O que eu esperava do livro: acidentes. Uma família amaldiçoada. Uma protagonista que vive cliffhangers todo santo capítulo porque todo santo capítulo ela sofre algo que a quase mata. Eu queria colocar tudo isso no liquidificador e ter uma história envolvente e que causasse aflição, mas nada além disso. A palavra chave da minha expectativa era aflição.

O que eu encontrei em Temporada de acidentes: medinho. Fowley-Doyle não focou nos acidentes em si, no perigo ou se havia ou não maldição. Essa parte me frustrou, admito. Contudo, a história se desenvolve enquanto a protagonista, Cara, procura uma ex amiga que parece nunca ter existido no mundo. Pessoas que nunca existiram mas são lembradas por alguém é, com certeza, algo para arrepiar os cabelos da nuca. Tendo como cenário de momentos de tensão uma casa possivelmente mal assombrada é, meus amigos, de interromper a leitura e esperar amanhecer para continuar. Fiz isso.

Outra coisa muito legal é que os personagens não são exemplos do comportamento ideal dos jóvis, não são certinhos e coisa e tal. Eles fumam, falam palavrão, e parecem bem mais realistas que muitos protagonistas de young adults por aí. 

Atmosfera. É isso que quero ressaltar a respeito de Temporada de acidentes e é isso que você precisa saber para ser convencido a embarcar nessa leitura. A autora desenvolveu um ambiente muito crível, muito propenso a ser assustador, e todos os elementos da história colaboravam para aquela sensação de medinho. Posso ter uma péssima memória (verdade), mas não lembro de ter passado por uma sensação tão forte de terror com um livro. Nem os que realmente tem essa proposta. Ainda posso falar "eita xofana" sem parecer desatualizada? Eixa xofana!

25 de abr de 2016

Profundo & Intenso • Robin York


Autora: Robin York
Editora: Arqueiro:
ISBN (1º): 9788580415179
Páginas (1º): 320
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Minhas muitas experiências com new adults provou que continuações servem para ser um tiro: ou em você, ou no pé do autor. Profundo e Intenso foi uma duologia com lançamento simultâneo em terras tupiniquins, e isso chamou minha atençãozinha. Por que publicar o romance 1 e 2 no mesmo dia? Depois de ler ambos no mesmo intervalo de 24 horas, digo para você: lançamento simultâneo para você não ter certeza de onde vem esses tiros, monamour.
Caroline Piasecki vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantido. Desesperada, ela tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, procura se defender da multidão de pessoas que a julgam.
Tinha um tema de new adult que eu ainda queria muito ver, e Robin York fez isso. O ponta pé inicial da duologia é vingança pornô: as nudes que foram confiadas à alguém que não merecia confiança, mas você não tinha como saber. Obrigada, York, por nos dar esse tema para discutir essa semana. 

AMEI como slut shaming foi abordado no livro 1. É sensacional a forma como isso molda a história, afeta a protagonista, e desenvolve o enredo paralelamente ao crescimento de Caroline inserida nessa situação. É visível um desenvolvimento de todos os elementos como um conjunto. Até mesmo o final, que é um tanto inesperado, dá uma calorzinho no coração por poder ver o quanto menina Carol se tornou mais forte. 

Não tem como não gostar de Caroline. Ela não é bela, recatada e do lar. Ela é real, sabe? Alguém como a gente é, alguém como nossas amigas são. É fácil se identificar com ela e, consequentemente, sentir empatia. Assim como West, a presença masculina do romance, que também cria esse vínculo com o leitor por conta de ser problemas reliables. Mesmo com seus momentos bem babacas, a gente gosta, defende e justifica os erros. É isso que acontece quando uma escritora consegue ser tão sensacional na sua construção de protagonistas. Ai, York, te amo!

Dois livros que devorei em menos de 12h porque por quê parar de ler quando se está tão envolvido assim, não é mesmo? Profundo e Intenso foram lançados juntos pela simples razão que você não consegue seguir a vida enquanto não terminar todas as linhas existentes. Dá vazio depois? Dá. Você sente falta e queria um terceiro livro para não ter que desapegar dessas pessoas que você mal conheceu e já considera pakas? Queria. 

Porém o mundo não é legal e não tem livro 3 então vou ali reler. Tchau.

21 de abr de 2016

Cidade dos etéreos • Ransom Riggs


Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580578904
Páginas: 384
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Muito inteligente da minha parte escolher Cidade dos etéreos como leitura da vez e levar para a mesa de cabeceira. Crianças nem são assustadoras, não é mesmo? Capaz, bobagem.

A gente implica com pais que insistem para os filhos sorrir para a câmera, mas olha só os resultados alegres que dão quando eles ficam sérios?! Então, então, então.

Há bastante tempo atrás, no inicio da minha vida bookaholic, costumava começar séries pelo volume mais aleatório possível. Adorava! Porém, conforme estreitava meu relacionamento com livros, fui parando de experimentar esse tipo de conhecer séries... até o segundo volume de Orfanato da Srta Peregrine para crianças peculiares. Dei olá e boas vindas para a série de Ransom Riggs quando a história já tinha dado seus passos inicias e estava com plots em andamento. Não foi algo tão legal quanto lembrava de ser.
Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
No inicio do livro há ilustrações dos personagens e uma breve descrição sobre eles. Nesse quesito, é fácil se inserir - logo, não é isso que afetou minha leitura. A resposta para essa questão, acredito, tem a ver como conhecer esses garotos já sem o mistério fantasioso que cercava o ambiente. O primeiro livro deve ter uma atmosfera assustadoramente cativante; Cidade dos etéreos já é narrado numa visão romantizada de todos. Não é mais sobre olha só que criança esquisita e sim sobre olha ali meu amigo. Concluo que começar do livro 2 me fez pular a melhor parte do que Riggs tinha para apresentar.

Eu não me senti empolgada com a história. Lia, sentia que havia um bom plot ali para explorar, mas não me via interessada por ele, com vontade de desbravar e ver desenrolares. Era apenas "hum, interessante, mas será que a próxima foto dará medinho?".

Porque, sejamos francos, a melhor coisa do livro é seu trabalho gráfico. É lindo, dá gosto de ver(!) (exceto na mesa de cabeceira a noite, por motivos óbvios). Por mais que a história não satisfizesse as minhas expectativas, Cidade dos Etéreos é muito ótimo de ter na estante. Lindão!

12 de abr de 2016

Habemus playlist de março, sim!

Sabe quando falam "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje"? Pois então: só verdades. Eu não postei playlist de março no dia primeiro e o que aconteceu? A internet queimou, e nos enrolou até aqui. Mas ok: hoje habemus internet e habemus playlist também!

Marcíssimo está recheada da loucura que foi março: muita música sem lógica alguma entre si. Se vamos estabelecer alguns padrõezinhos, temos músicas francesas, American Authors e várias songs brasileiríssimas (inclusive minha favoritinha que eu vou deixar você deduzir qual é). De resto, é tudo tão aleatório que você nem precisa clicar esse botãozinho para as músicas se misturarem. Dê play e depois me conte se dançou e cantou e jogou os braços para cima.

1 de abr de 2016

Era uma vez no outono • Lisa Keyplas


Autora: Lisa Keyplas
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414950
Páginas: 288
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Eu imagino os novos ricos americanos encontrando aristocratas europeus no limbo dos personagens fictícios e estalando os dedos porque "parece que o jogo virou, não é mesmo queridinhos?". É estranho, considerando o tanto de cultura americana que consumimos, ver os gringos do tio Sam sendo marginalizados em algum cenário. Porém, nos romances de 1700 e bolinhas, eles são (eram?). Era um vez no outono foi a primeira vez que encontrei uma protagonista sem sotaque elegante dentro do gênero. Foi novidade!

A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa.
Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar.
Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?
De romances cujo único foco é romance estamos exaustos. Precisamos, e rápido, de elementos novos que deixem o clichê nosso de cada dia com algo especial. Nessa série de Kleypas esse elemento é a sororidade. A capacidade da autora de construir relacionamentos paralelos ao casal principal é uma das melhores coisas em seus livros. Em Os Hathaway tínhamos uma família unida e divertida que sobrepunha tudo o demais. Nessa série temos um grupo de mulher que got each other's back. Sem bad blood por aqui, monamour.

Uma coisa sobre romances de época é que os protagonistas masculinos nunca são ~interessantes~. As protagonistas femininas, por vez, sempre devem ter algo especial: língua afiada, pensamento crítico, tendências feministas antes mesmo do termo existir. Porém o mesmo não acontece com os senhores. Eles são sempre genéricos, não? Encantadores, claro, mas não repletos de características particulares que os fazem diferentes. A fórmula para composição de mocinhos é quase tão cheia de passos exatos quanto a de composição de livros do Rick Riordan. Kleypas não trouxe nada novo nesse sentido, quero dizer.

No geral, Era uma vez no outono é um livro fácil. Falo isso tanto para a boa quanto a má interpretação. O gênero não é de exigir do leitor, verdade, mas a impressão que esse dá é de não fazer esforço algum para dificultar as coisas. Sem plot twist, sem agonia, nada disso - nem quando é a intenção da autora fazer drama/mistério. Esse é o que chamo de livro feliz, quando os personagens principais não precisam comer o pão que o diabo amassou para chegar ao felizes para sempre na última linha da última página.

28 de mar de 2016

Simon vs. a agenda homo sapiens • Becky Albertalli


Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580578928
Páginas: 272
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Final de 2015 para cá (faz tempo, verdade) muitos blogueiros e vlogueiros começaram a falar sobre Simon vs. a agenda homo sapiens, ainda quando nem tinha versão brasileira do livro. É incrível, pois não é de ontem que bato na tecla do sumiço de livros genuinamente young adults das prateleiras (as bem comentadas, pelo menos). Comecei minha jornada bookaholic antes mesmo de vampiros se tornarem moda, e isso foi há tanto tempo, com uma sucessão tão grande de febres literárias que parecem décadas desde que deixamos de lado histórias de jovens como a gente. Foi entediante ser humano num mundo normal, entendo, mas podemos voltar, não? E podemos fazer isso como Simon vs a agenda homo sapiens, sim?
Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.
Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.
Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.
Mais do que um young-adult-contemporâneo-sem-seres-sobrenaturais-e-ou-governos-ditatoriais, Simon vs. a agenda homo sapiens também abraça a representatividade - porque é ridículo estarmos além da metade da década e ainda ter sexualidade como tabu na adolescência. É deveras importante que livros que abordam o tema sejam introduzidos naturalmente nas estantes de todos, e sem causar um grande comoção acerca disso. O que eu mais gostei da leitura é que este é mais um young adult de aquecer o coração como os que eu lia quando tinha 11 anos, só que acontece de ele ser LGBT. É só um quêsinho especial, mas que pode ser amplificado conforme você quiser enxergar.

Como eu disse, Simon vs. agenda (vamos abreviar, tá?) é um calorzinho no coração. Sabe delicadeza em conduzir um romance? Pois então. Nós conhecemos Simon (dessa vez o personagem), seu relacionamento secreto com Blue, seu relacionamento com os amigos e a família, seu relacionamento com o chantagista Martin, e como tudo se interliga. Nós mergulhamos na vida de um adolescente no ensino médio, e é muito absurdamente clichê e divertido e reliable, sabe? Albertalli é muito especial nas palavras que escolhe, e mesmo que você não se identifique com Simon no drama de sair do armário, por exemplo, você se identifica em outra parte. Ou também, então, você escolhe um personagem secundário para chamar de você porque eles também são tão bem estruturados que ♥

Que eu acho que você deve ler Simon vs. a agenda homo sapiens, já ficou claro. Tendo dito isso, ficamos por aqui com meu convite à você para refletir acerca da ~agenda homo sapiens~. Título bem genial, né não?

11 de mar de 2016

A garota no trem • Paula Hawkins


Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
ISBN: 9788501104656
Páginas: 378
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Sabe uma coisa que não se deve fazer? Comparações com livros fortes. Por livros fortes me refiro àqueles títulos que, por um motivo ou outro, chamaram atenção e se tornaram referencias dentro do gênero. Livros fortes são os que a gente pensa primeiro, são os primeiros nomes que surgem a mente quando tal tema vem a tona. São os livros que nos fazem criar expectativas. Consequentemente, são alertas de tiro no pé.

É muito bom o sentimento de se surpreender com uma história que você não dava nada e *cataboom!*. É esse sentimento, inclusive, que alimenta o sucesso de Garota exemplar, que de tão genial e inesperado que se tornou um dos livros fortes de thrillers. Obviamente surgiram vários livros com aquela frase de efeito genérica de “para você que gostou de Garota exemplar”, contudo, nenhum usou tanto desse marketing relacional que A garota no trem, a garota exemplar de 2015.

CONTROLE-SE, MIGA!

O livro tem uma premissa ótima. Uma mulher fica encantada com um casal que observa diariamente enquanto cruza de trem pela casa deles. Certo dia, ela vê algo chocante enquanto os observa e, dias depois, a mulher observada desaparece. Rachel, a protagonista, se vê envolvida nesse mistério, por conta da ligação quase voyerista que tem com o casal.

Até esse ponto da sinopse, que era o ponto divulgado pelas ações de marketing: uma trama incrível e inesperada. O que você descobre quando abre o livro é que há muito mais links do que o esperado, os personagens são mais interligados do que um simples caso de observar a casa do trem. Há mais personagens, mais conexões, e sabe que menos é mais, né.

Pela comparação com Garota exemplar, o que se imagina é uma super-reviravolta e um queixo encostando o chão tamanho choque. Por essa razão, você começa desconfiando de cada viva alma que cruza o caminho da protagonista – que também não é nenhuma narradora fiel. E sabe o que acontece quando você acha que pode ser qualquer um? Quando qualquer um é descoberto, não é uma surpresa. Não impacta. Talvez nem fosse impactante. Veio aquele tiro no pé já esperado que Garota exemplar foi citado.

É um bom livro, mas não consigo ver onde é tão bom assim para o sucesso tremendo que tem feito. A garota no trem vendeu milhões de cópias, já tem filme em produção e tudo isso com um tempo relativamente pequeno desde o lançamento. As pessoas compraram essa história com força. Mesmo assim, ainda não o considero um livro forte. 

9 de mar de 2016

After: Depois da esperança • Anna Todd | O vídeo sobre batom vermelho da Jout Jout agora é um livro!


After #4
Autora: Anna Todd
Editora: Paralela
ISBN: 9788584390069
Páginas: 352
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A principio, After era para ser uma série de 4 livros. Virou 5 porque a autora resolveu que quanto mais direitos autorais melhor, e tá certa ela. Porém, para fins de minha consciência, acho quatro livros um número razoavelmente bom para dar um parecer sobre a série. Já conheço a capacidade de Anna Todd de enrolar, de escrever 500 páginas de algo que é contado em 250, e de nos fazer de trouxa achando que as coisas podem, um dia, melhorar. Pois eu achei que não seria otária, e não. vou. ser. RUM.

Esse é meu jeito sutil como uma morsa de dizer que After: Depois da esperança foi o ponto final da série para mim. Se antes eu conseguia me envolver nos dramas mesmo quando discordava deles, dessa vez, para terminar cada capítulo foi necessário uma força de vontade medonha, do tipo que move montanhas e nos faz levantar antes do amanhecer para ir na academia. Porém essas coisas movedoras de montanhas tendem a nos deixar felizes consigo mesmos, orgulhosos da força de vontade e etc. Lendo After, tudo que eu queria era chorar de aflição. 

Porém, ao invés de contar o que acontece no quarto capítulo da história de Hardin e Tessa, tenho uma forma melhor de narrar cada plot do romance deturpado desses dois. Ou melhor: Jout Jout tem.
Tenho certeza que alguém traduziu esse vídeo para Anna Todd, e ela tirou todo o material para compor a trama de Depois da esperança. Tudo, tudo, tudo que Jout Jout narra como relacionamento abusivo, cada caso angustiante, é representado no história. Esse quarto livro leva ao ápice todas aquelas insinuações abusivas que os livros anteriores vinham mostrando, só que em proporções menores. O terceiro livro pesou mais que os antecessores, porém os pequenos momentos de ar fresco diminuíam a intensidade do livro como um todo. O que acontece é que todo aquele comportamento horroroso do Hardin serviu como preparação de terreno para este momento, este quarto livro que dói na alma de tão doentio.

A questão é: uma coisa seria Anna Todd retratar esse relacionamento como sendo algo realmente abusivo, como se a personagem se visse presa nesse namoro unilateral e não conseguisse terminar por se sentir ameaçada emocionalmente. Outra coisa MUITO DIFERENTE é Todd vender isso como o grande romance americano. PARA, GENTE, POR FAVOR. Cada momento, tanto os que Tessa se sente mal quanto os que se sente amada, é sufocada por um Hardin que beira o psicótico. A única solução sensata para essa série é que, ao final, Tessa dê um tapa na cara de Hardin e assuma as rédeas da própria vida. Contudo, somos a geração 50 tons de cinza, e aposto que isso infelizmente não vai acontecer.

Na verdade, o relacionamento abusivo é algo tão incorporado na narrativa que nem de plot serve mais. A autora totalmente ignora isso, como sendo parte da realidade dos personagens do mesmo modo que o cabelo da Tessa é loiro e do Hardin, escuro. Enquanto isso, Todd fica dando voltas e voltas nas famílias dos personagens para dar enredo pros tantos livros que se comprometeu em escrever. Não tem história, ela sabe disso, então vamos fazer bagunça e encher páginas com plots despropositais!

Péssimo, gente.

UPDATE

Então, escrevi essa resenha e fui comentar sobre o livro com os migos do twitter. O resultado é que agora eu não apenas quero, como PRECISO ler a continuação. After: Depois da esperança não vai ser meu último capítulo de After.

UPDATE 2

Li. A continuação não é tão péssima quanto essa, mas não compensa. Um final não apaga 2000 páginas difíceis, Todd, NÃO. APAGA.

8 de mar de 2016

10 livros sobre empoderamento feminino que precisamos ler juntos!

Talvez você já esteja cansado de ver listas como essa circulando nas páginas no dia de hoje. Também concordo que não devemos deixar para falar de feminismo só no Dia das Mulher, porém não podemos deixar a data oportuna para falar sobre um assunto oportuno. Quero aproveitar o dia de hoje para comentar sobre dez livros sobre empoderamento feminino que habitam minha lista de futuras leituras e seria bem fabuloso se entrasse para a sua também!

How to be a woman - Caitlin Moran

Caitlin Moran é bastante conhecida na gringa, então me surpreende que seus livros ainda não tenham tradução para brasileiro. How to be a woman é uma reunião de histórias sobre a realidade das mulheres nos dias de hoje e as expectativas com as quais convivemos simplesmente por ter dois cromossomos X. Mais do que a conversa sincera sobre ser mulher, o pessoal que já leu elogia muito o senso de humor e a inteligencia da escrita. Parece 100%, não?

Year of yes - Shonda Rhimes

Agora que estou viciadíssima em Scandal, fui conhecer o que mais Shonda Rhimes escreveu além de episódios sofrência de Greys Anatomy. A gente conhece essa mulher pelas séries de sucesso que produz, e é meio natural querer conhecê-la a fundo. Em Year of yes, ela conta como mudou a própria vida parando de rejeitar oportunidades, e divulga essa ideia para mais pessoas abraçarem o seu destino. Os leitores dizem que é bem empoderador!

Everyday sexism - Laura Bates

Essa é uma das minhas próximas leituras, de certeza real oficial. Everyday sexism é um projeto iniciado online pela jornalista Laura Bates após ela sofrer uma situação de abuso no transporte público de Londres. No site Everyday sexism mulheres de todos os lugares são convidadas a dividir suas histórias e promoverem apoio umas as outras. Eu achei o título do livro/projeto impactante por demais, e imagino que as experiências relatadas também sejam.

Men explain things to me - Rebecca Solnit

Uma leitura mais leve é, com certeza, o relato de Rebecca Solnit de conversas absurdas que já teve com homens por aí - coisas que eles se dizem conhecedores e nos subestimam. Embora é possível que alguns trechos sejam revoltantes, quem já leu disse que a escrita de Solnit dá um tom satírico que ameniza a indignação. Acho sucesso.

Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie

É a escritora de Americanah (que você já deve ter ouvido falar, com certeza) voltando a nossa estante com uma definição para feminismo no século XXI, sua importância e sua aplicação. Ter alguém tão !!!! (não encontrei a palavra, desculpa) nos dando uma aula dessas é praticamente uma leitura obrigatória.

Bossypants - Tina Fey

Tina Fey é deveras importante para o cenário hollywoodiano atual. Ça mulher é maravilhosa, e todos sabemos disso. Em Bossypants ela conta como escalou até o topo e se fez ser respeita num cenário predominantemente sexista. Além disso, Tina Fey escrevendo deve ser sensacional!

Leave your mark - Aliza Licht

Minha atual leitura, e já adianto que estou adorando cada página. Aliza Licht é uma mulher bem sucedida e expert em social media. Nesse livro, ela ajuda a dominar nossas habilidades e pegar o que há de melhor em nós - explorar e transformar em sucesso. Tudo isso sendo século XXI e abusando das redes sociais. Não parece a história mais feminista de todos, mas é empoderamento - então né.

#Girlboss - Sophia Amoruso

Já li e, por favor, leia também! #Girlboss é sobre a poderosíssima Sophia Amoruso que começou do nada e hoje comanda um império milionário - só acreditando no potencial dela. A forma como ela empodera as mulheres durante sua narrativa é brilhante, então repito: por favor, leia também! Aliás, tem versão em português!

If you have to cry, go outside - Kelly Cutrone

Tyra Banks chama Kelly de PR Maven e foi assim que a conheci. Primeira coisa sobre If you have to cry, go outside: o título é genial! Segunda coisa: também é genial o modo como Kelly conta sua história, como superou seus demônios e se tornou rainha do próprio mundo. Aff, também quero ser rainha do meu mundo.

Vamos juntas? - Babi Souza

Por último, mas não menos importante, nosso representante brazuca! Vamos juntas? também começou como um projeto online - mulheres se unindo para ir a lugares e aumentarem seu nível de segurança. Acima disso, Vamos juntas? é sobre apoio, sobre formar squad, mas não para cantar Bad blood, saca?

7 de mar de 2016

05 séries que eu nem queria assistir, mas o Netflix...


Netflix é a morte da senhora não-vou-fazer-mais-maratonas-vou-estudar-e-ter-um-futuro. É impressionante o modo como você se sente pressionado a dar o play no episódio piloto de qualquer coisa apenas pela facilidade de dar o play. Pelo Netflix, já assisti séries que nem pretendia e comecei tantas outras que até me perco na aba de Continue assistindo. E sabe o pior? Vou fazer ainda mais disso com outros seriados longuíssimos que nem estavam na minha geladeira. Aff, o Netflix.
Inclusive comecei, inclusive estou viciada, inclusive assisti 9 episódios nas últimas 12 horas. Scandal é uma série de advogados que se torna genial por não seguir o esquema de "ter um caso, solucionar o caso, vem outro caso". Acho tão cansativo essa repetição de plot que toda série do gênero que comecei a assistir acabou indo parar nas minhas abandonadas. O diferencial de Scandal é a política, o fato de que os personagens são todos inteligentes (mentira, a Quinn não é), e que o plot de advocacia fica ao redor dos clientes e não do crime em si. É bem mais interessante! Primeira série da Shonda Rhimes que sou capaz de chegar até o final, pelo jeito.
Quando terminei One Tree Hill, fiz esse acordo de nunca mais cair na tentação de maratonas longas - contudo, como já ganhei meu diploma de otária as muitas temporadas de Supernatural provocam uma tentação no meu dedo de dar play. A questão é o seguinte: quem faz esse terror é a CW - deve ser nada assustador (exatamente o meu tipo de terror). Além disso, os caras são bonitos, tem uns gifs com tiradas bem legais no tumblr e quem assistiu até hoje jura que vale a pena. 
Eu sempre quis assistir Gilmore Girls, porém achava grande demais para baixar e caro demais o box para comprar. A solução é obviamente o Netflix. Só espero que eles coloquem todas as temporadas logo, para dar tempo de maratonar antes da nova temporada que estão produzindo. Vai ser a morte da vida social outra vez? Possivelmente.
Sou altamente suscetível aos comentários dos meus colegas sobre o que seria legal assistir e o pessoal parece concordar que Dexter é uma ótima opção - até a quarta temporada. Real oficial, eu adorei o que li e tenho uma vontade danada de dar o play no seriado, só que... Sangue, né migos, muito sangue. Desculpe, sou nojentinha. Btw, o que essa caneca sensacional faz que não está na minha mesa? PRECISO!
That '70s show estreou na semana passada e já causou uma aflição na questão de maratonar ou não. Assim, deve ser muito divertido ver todo mundo novinho, Mila e Ashton interagindo sabendo que hoje são uma família feliz. Own, deve ser tão amorzinho! Entretanto, são quatro temporadas de uma comédia adolescente da época do celular tijolão (se tanto). Me cansa ver as pessoas antes da tecnologia...

E você? O que você vai maratonar que não queria? Me conta nos comentários!

6 de mar de 2016

Favoritos da semana


Pontualíssima, essa sou eu para os favoritos dessa semana. Vou falar quase que basicamente sobre o Oscar, mas vamos lá!
  1. Til it happens to you: O que falar da performance da Lady Gaga no Oscar? MIGOS! Sabe um tiro de bazuca? Pois então. Eu conhecia a música pelo clipe (que faz chorar, então sinta-se livre para clicar), mas ver ao vivo (mesmo que pela TV) tem uma profundidade ainda maior. Era impressionante que no dia seguinte, só dava Til it happens to you no spotify do pessoal. Se você quer ficar arrepiado de novo, olha aqui o link para você.
  2. Essa montagy: Se você está estilhaçado com Lady Gaga, vou ajudar a melhorar seu humor. Pega esse link do vine - te desafio ficar menos de cinco minutos assistindo repetidamente esses segundinhos. Obrigada, pessoa que editou. #RIPmeme
  3. Vicio - Manu Gavassi: Uma quebra no Oscar para falar do novo EP da Manu Gavassi. Acho a menina abusadinha? Acho, verdade. Porém ela é a melhor representação de cantora pop que é pop sem ser funk que temos em terras brazucas, e estaria mentindo se dissesse que não adorei as cinco músicas e a história que contam quando em conjunto. Aliás, tá na minha lista de favorito para escutarcantar enquanto dirijo.
  4. Hugo Gloss na Ellen: Menino Hugo é a representação de quem quero ser quando crescer. Então que ele estava no Oscar no último domingo ao lado do repórter da Ellen, Andy, e resultou nesses momentos ótimos e engraçados e bastante invejinha que foram ao ar no programa. Já o quero como melhor amigo de Andy, parça dos red carpet? QUE. DÚVIDA!

4 de mar de 2016

O que há de estranho em mim • Gayle Forman


Autora: Gayle Forman
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414806
Páginas: 224
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Gayle Forman e eu andamos em cima de uma ponte com estrutura de corda - daquelas que balança, balança, balança, mas que ainda dá para sentir uma confiança vindo do fundo da alma para chegar até o final. Até hoje, não consegui encontrar um equilíbrio entre seus livros para poder afirmar que gosto ou não de seu trabalho - e olha que já li todos os lançados em português. Gayle Forman não conversa entre si, não mantem padrão de qualidade e, infelizmente, O que já de estranho em mim entrou para a lista de experiências (bem) negativas do nosso relacionamento.

O que me dói ainda mais, pois era justamente o livro que mais quis amar dessa mulher.

Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.  Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
Eu tenho uma palavra para dizer para você: oportunidade. Autores com um público já formado, como Forman, tem nas mãos uma oportunidade incrível de falar sobre assuntos importantes e atingir os leitores por meio dele. Não estou dizendo que são obrigados a fazer isso, veja bem, sou super a favor de livros que existem pelo único objetivo de entreter. Porém é um pouco inesperado que um livro situado numa instituição para jovens problemáticas não abrace forte a oportunidade de abrir os olhos do mundo sobre o tema. Nem que seja um pouquinho. Uma piscadela, só. 

Garota, interrompida, na glória de suas 180 páginas, está pesando um pouco na minha opinião, verdade.

Enquanto vamos conhecendo a protagonista, Brit, e suas amigas internas percebemos que elas não são problemáticas de fato. Não quero entrar no mérito de julgar o problema alheio, mas a questão é que o que elas passam não parecem problemas reais. São garotas cujas famílias não sabem lidar com a personalidade forte, com a homossexualidade, com um relacionamento com um garoto pobre. Nada de distúrbios de personalidade por aqui - apenas garotas normais presas num lugar tortuoso. O livro não cumpriu o que me prometeu de mostrar garotas superando seus demônios, desenvolvendo auto estima ou então lutando contra uma doença como depressão. O que há de estranho em mim não teve força, não foi nada além de mais um young adult bem xoxo. 

Aos poucos fica claro que o objetivo da história não é sobre as garotas e o que as levou àquele lugar: é sobre sua irmandade para sobreviver na instituição rigorosa sem perder a vontade de viver. Claro que bem menos dramático que isso. Quando eu finalmente entendi que a história não teria nada a ver como minhas deduções prévias, eu já estava cansada e decepcionada demais para aproveitar o que estava acontecendo. 
É que a gente acha que a loucura e a sanidade ficam em lados opostos de um oceano, mas na verdade não passam de duas ilhas vizinhas.
Eu não aproveitei a leitura, mas não acho que isso seja regra para todos os leitores. Minha dica é: quer experimentar O que há de estranho em mim, vá - mas não com expectativas. Espere algo bem méé e pode ser que acabe gostando de conviver com essas garotas e seus dramécos. Se você quiser ler uma história séria de instituição mental: Garota, interrompida. Se você quiser ler Gayle Forman: Eu estive aqui e Apenas um dia.

3 de mar de 2016

Minhas músicas favoritas da Taylor Swift


Duas coisas limitadíssimas: paciência e memória do celular. 

É por isso que uma vez com Spotify, eu exclui todas as músicas arquivadas no celular... exceto as da Taylor Swift, já que ela é uma senhora dextruidora que nos obriga optar pela pirataria. Foi selecionando as músicas que preciso esquematizar pelo iTunes que decidi escrever esse post: as canções que mesmo idosas são meus xodózinhos. Aff, tem muita song maravilhosa na discografia dessa moça. Mas agora vamos a elas e deixe-me distrubuir amor para as favoritadas!
Minha música #1 não foi single, não ganhou um clipe com boy magya e nem colocou as mana para dançar. All too well é novis sobre relacionamento, mas também não foi a letra que me ganhou. Sabe quando a melodia fala com você? Pois então! Essa é uma música relativamente comprida, com mais de cinco minutos, e sou capaz de escutar 20 vezes consecutivas e me apaixonar por uma parte diferente em cada vez. All too well tem tantas nuances, é tão delicada e ain, como pode ser tão ótima? A versão que Tay apresentou no Grammy em 2014, incorporando o espirito ragatanga no piano, é tão maravilhosa quanto a original.

Como não amar uma música que promove girls night out? 22 é o tipo de canção felizinha que melhora o humor instantaneamente - isso sem nem contar o clipe amorzinho e divertido e cheio dazamiga. O squad atual é só uma evolução de 22, note bem.

Toda indireta tem uma primeira vez, já sabemos. The story of us era o que usávamos antes da famigerada expressão torta de climão, que é um óbvio sinônimo para essa letra. A questão é: quem nunca? Só que ao invés de jogar os papeis para cima e fazer ~a cena~, a gente come a torta e se descabela de cantar essa música na frente do espelho. NEXT CHAPTER

1989 foi um álbum de melodias animadas, porém minha favorita entre todas é Wildest dreams, para poder cantar se rasgando de dor num karaoke que ninguém vai ver. Você sabe porque o clipe se passa nos anos 50? Porque o drama, cara, o drama é de época. E Wildest dreams é um drama daqueles! Agora, vem cá, vamos fofocar: qual dos relacionamentos dela foi fajuto e obra de publicidade para inspirar essa música?

Quero imprimir Mean e mandar para todas as minhas coleguinhas do ensino fundamental. Depois vou a tatuar a letra na minha testa. É tudo que tenho para dizer sobre.

Joe Jonas terminar com Taylor numa ligação de 27 segundos foi sacanagy, verdade, mas só temos a agradecer, pois isso resultou em duas músicas sensacionais. Ele ganhou The story of us, enquanto Camilla Belle teve Better than revenge para chamar de homenagem. Até hoje não superei o fato de essa belezura não ter clipe - seria tão lindo, tão historinha... Como seria menos, afinal, com essa letra sutil como uma morsa? Aff ♥

Por fim, Safe and sound - o tiro que eu nunca cicatrizei. Como resistir a tentação de virar gótica trevosa com essa melodia sofrida, essa letra tristinha, a dor que representa o conjunto da obra? Poxa, passa para cá umas renda preta.