25 de nov de 2015

Zac & Mia • A. J. Betts


Autora: A. J. Betts
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637716
Páginas: 288
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Acho que era isso que a gente precisava: tempo. Tempo para descansar a cabeça, deixar a poeira baixar e parar de falar sobre A culpa é das estrelas toda vez que livros envolvendo câncer viravam assunto. Viramos uma nova página e encontramos Zac e Mia nela. Um livro sobre adolescentes com câncer, e apenas isso. Mas ainda quero fazer uma referência, com a sua licença:

Assim como Red Band Society (saudades ♥), o primeiro cenário que encontramos em Zac e Mia é um hospital. Zac está lá se recuperando da cirurgia que lhe deu uma nova medula, tendo crise de tédio por conviver apenas com sua mãe. Do outro lado da fina parede de 6 cm, chega Mia: Revoltada, furiosa, que escuta Lady Gaga a todo volume para mandar sua mãe para longe. Umas batidas na parede para fazer a música parar e pronto: uma conexão está formada.

Se engana você se pensa que Zac e Mia é sobre um casal que se conhece no hospital, tem uma amizade instantânea e logo começam a se amar. Se engana bonito que você que pensa isso, aliás. Zac e Mia é um livro sobre Zac. Zac é a melhor pessoa, conto para você. Você consegue definir personalidade suave? É difícil, porém também é a melhor opção que encontrei para descrever Zac. O personagem é doce, inteligente, e com uma visão de vida incrível. Suas passagens nos livros são sempre recheadas de comentários maravilhosos e tiradas lindas.

Zac e Mia também é um livro sobre Mia. Personagem essa que você conhece aos poucos, se afeiçoa mais aos poucos ainda. Enquanto Zac é o personagem que abre a narrativa e gera um carisma instantâneo, Mia é mais difícil de lidar. Ela é enigmática, cheia de raiva interior, que não aceita sua condição de saúde. Podemos até nos aproximarmos dela quando chega sua vez de narrar a história, mas só vamos gostar dela de verdade quando ela começa a gostar de si. Sabe do que eu chamo isso? Genialidade.

Genialidade de A. J. Betts, digo.

O desenvolvimento do livro é lindo e sutil, mas nada lento. A narrativa realmente anda, abordando vários pontos da vida dos personagens, interligando-os e dando importância aos detalhes. Mas não pense você que o livro é triste por tratar do câncer, ou tenta ser engraçado para fugir do estigma. É o encontro, sabe? É o que Red Band Society fazia antes de ser brutalmente cancelada. Você ri e chora e se afoga nas próprias lágrimas enquanto gargalha. 
Se você tinha desculpas não ler Zac e Mia, pare com elas. Pare já. Agora mesmo. Não precisa delas. Leia. 

18 de nov de 2015

A voz do arqueiro • Mia Sheridan


Signos do amor #1
Autora: Mia Sheridan
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414448
Páginas: 336
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Em tempo que muito se fala de signos, é bastante esperado que o tema seja introduzido como plot do gênero literário que mais vende após os livros de colorir. Signos de amor é uma série de new adults, que coloca características astrológicas como setas ditadoras do livro, dando um feeling para a história derivado do que se diz ser comum do signo escolhido. A voz do arqueiro, escolhido para ser o primeiro volume da série no Brasil, é sobre sagitário. Como boa leonina, não presto atenção suficiente nos outros signos dos outros para saber o que é usual do sagitariano, desculpa.

Se Nicholas Sparks escrevesse new adults, esse seria A voz do arqueiro. Juro para você, o sentimento é muito semelhante. Estamos numa cidade interiorana com praia, bastante monótona. Bree Prescott é uma mulher que esconde um segredo e, por esse motivo, saiu sem rumo, atrás de um lugar para recomeçar. Esse lugar é Pelion, onde também mora Archer Hale, um cara misterioso e muito silencioso, que vive alheio da cidade. Poxa, migos, tenho certeza que Sparks já escreveu no mínimo seis livros com esse exato plot.

Não que eu não goste desse plot. Eu sei que eles existem, repare essa informação.

São muitos clichês acumulados no mesmo enredo - embora não de uma forma ruim. Em A voz do arqueiro, assim como em new adults no geral, todos os personagens mantem segredos, guardados a sete chaves junto de seu passado sofrido. Bree, como o sangue novo de uma cidade onde todos se conhecem, se sente intrigada com o cara bonito que ninguém fala, e que também não fala. Ela vai atrás, bastante stalker, e cria uma conexão que antes ninguém conseguiu estabelecer com Archer.

É a primeira vez que li um livro cujo protagonista fosse surdo-mudo. É uma dinâmica interessante, diferente, o ponto novo que Mia Sheridan trouxe para seu mar de pontos velhos. Acho que isso apresentou uma dificuldade para a construção do romance, algo que o leitor consegue acompanhar claramente. A autora faz escolhas convenientes para diminuir as chances de erro de seu trabalho, o que também é aparente, mas faz funcionar. E dá muito certo.

Eu comecei a leitura achando que tinha encontrado uma versão mais madura de Mar de tranquilidade, e acabou que A voz do arqueiro foi uma versão mais ~ozada~ da trama padrão Nicholas Sparks. É um livro muito bom, a leitura flui maravilhosamente bem, porém não tem nada que eu diga que é extremamente especial - apenas uma opção maneira de leitura. Na verdade, estou esperando mais do livro sobre leoninos.

17 de nov de 2015

O círculo rubi • Richelle Mead


Bloodlines #6
Autora: Richelle Mead
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765756
Páginas: 334
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O ebook do último volume de Bloodlines está no meu celular desde a semana do lançamento, no inicio do ano. Eu não tive coragem de abrir e me despedir dos personagens. Decidi, então, reler o quarto e quinto volume, preparar o terreno. A ideia era continuar direto com o sexto e último livro e então fechar essa página. Também não aconteceu. Eu enrolei de novo. E talvez - só talvez - tenha passado tempo demais lendo opiniões sobre os personagens principais em sua atuação nos volumes finais. Sabe aquela desconstrução que eu falei ter lido sobre no quinto livro?  Pois então: eu a vi. Que droga, eu a vi.

Para evitar spoillers, digamos apenas que o terreno estava preparado para o último capítulo de Sydrian e cia. Richelle Mead tinha dado um último plot, na última linha de Sombras prateadas, que serviria para prender o leitor e daria espaço para concluir todas as pontas soltas deixadas no decorrer dos cinco antecessores. Então começamos a leitura, encontramos Adrian e Sydney no meio do caos que os cerca, por vezes os colocam como principais de problemas que nem são seus. Mas enfim, foco da frase foi para o lado errado. Eu não estou reclamando dos protagonistas se envolverem em todo problema que os Morois criam, não é isso. O que eu quero que você note naquela frase é: encontramos Adrian e Sydney. 

Chegamos ao dia que estou de saco cheio do meu ship, algo houve.

É aquela bendita desconstrução que o pessoal falou antes. Se nos livros anteriores a gente tinha a tensão de criar o relacionamento, de passar por cima dos preconceitos alquimistas e Morois, todos os impedimentos que deixavam Sydrian irresistível, dessa vez estamos num nível de estabilidade enjoativo. É muita paixão e, junto dela, dependência. Os primeiros capítulos narrados por Adrian são um porre, porque é uma mistura de seus pensamentos naturalmente melancólicos com "nossa, como eu amo a Sydney". Aff, né? Adrian é uma das minhas maiores crushs literárias por conta de seus comentários inteligentes e egocêntricos, que ficam completamente desaparecidos por quase todo o livro. Um que outro que surgem cá e acolá dão uma total melhorada na história, porém o incrível era quando esse tipo de tirada era constante.

Junto disso, o desenvolvimento geral apareceu enrolado. O que eu acredito ser fruto de que a artimanha de plot de Mead para seu volume final não foi grandiosa o suficiente. Por mais que tenha sido algo que mexesse com a estrutura da série, considerando o primeiro livro lá atrás, eu acho que houve uma evolução muito grande, de tudo, para que o último grande enredo fosse com base naquele primeiro plot introdutório. Claro que envolveu vários aspectos que tinham sido apresentados no decorrer da série, mas a base em si parecia tão primária, sabe? Tão "é sério que isso é importante desse modo"? Sem falar que o quinto livro deixou todos os secundários, terciários, e agora todos voltavam novamente para o centro do campo. Não parece WOW, entende?

Porém não acredite que eu não gostei de O círculo rubi - ele só não alcançou as minhas altas expectativas, e acabou ficando num nível de tão bom quanto o primeiro (que era o meu quatro estrelas, até então). Alguns picos de empolgação serviram para levar a narrativa até o momento em que Mead decide correr uma maratona para transformar tudo em final de novela, e então o livro acaba. É chato porque eu queria que a impressão final de Bloodlines fosse tão maravilhosa como foram meus sentimentos com o meio da série, mas ainda a tenho em alta cota. Além do mais, é definitivamente melhor que Vampire Academy.

16 de nov de 2015

O conde enfeitiçado • Julia Quinn


Os Bridgertons #6
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414400
Páginas: 304
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Eu dei minhas primeiras quatro estrelas para Julia Quinn. Precisei de tantos minutos para assimilar essa informação que, bem, estou escrevendo essa resenha há mais de mês depois de concluir a leitura. Nossa. Um dia difícil.

Seis livros. Os Bridgertons foram minha família preferida da terra da literatura de época por quase 85% desse tempo. É uma boa estatística, se você for pensar. Desde o primeiro livro de Julia Quinn que abri, me apaixonei por sua escrita, seus personagens, sua forma única de ser clichê falando de romances históricos. Seus livros eram especiais, seja apresentando mais uma história de amor impedido, ou então uma releitura de Cinderela. Foi tudo cinco estrelas. Até aqui.

O que eu esperava de O conde enfeitiçado era romance aliado a comédia. Coisa que já tinha sido feito até aqui, porém dessa vez eu queria ver a graça surgindo a partir de personagens supersticiosos. Era isso que o título sugeria, não? Já que magia não existe no nosso mundo trouxa, pessoas que acreditam nela existem - e estas rendem ótimos plots de superstição. Essa era minha mente confabulando sobre o que seria apresentado na história de Francesca, e apenas isso.

Francesca Bridgerton tinha casado no quinto volume, caso você não lembre. Ela casou e era feliz com seu marido, John. Porém, nesse livro, John faleceu, e Francesca tem a chance de reencontrar o amor mais perto do que imagina, pois o primo de seu falecido marido, Michael, sempre fora apaixonado por ela. Gente, sabe uma coisa chata? Triângulo amoroso. Sabe uma coisa ainda mais chata? Triângulo amoroso em que um personagem nem respira mais.

A mão romântica de Julia Quinn está no livro o tempo inteiro, então você consegue sentir a tensão sexual fluir dos personagens, o relacionamento ser construído com credibilidade e encantando ao leitor simultaneamente. Isso acontece, assim como aconteceu em todos os livros de Quinn que li até então. Porém, dessa vez, o que impede Francesca e Michael de ficarem juntos é a sombra de John, o que acaba, por sua vez, desencadeando vários plots melancólicas e passagens cansativas. 

Por mais que a narrativa seja em terceira pessoa, Quinn sabe escrever da forma que os anseios de seus personagens se tornem claros, como se fossem os próprios narradores. Aí que está o problema. Acompanhar Francesca e John não é aquela coisa SENTIMENTOS, apenas sentimentos. Sentimentos tristes, inclusive, porque apesar do tempo que passe, há muita tristeza e luto no meio deles, independente do tempo que tenha passado desde o falecimento de John. O fato de Francesca ser um pouco afastada de sua maravilhosa família também não ajuda muito.

Em certo momento, a história de O conde enfeitiçado cruza com a do quarto livro, e sabe o que eu fiz? Reli Os segredos de Colin Bridgerton, o que me confirmou meu argumento que Julia Quinn tem capacidade de escrever tão, tão mais que o que estava sendo apresentado. Ainda é um romance histórico bom, comparado com outros do gênero, porém ao lado das obras da autora, é o mais fraco. QUE DÓ.

14 de nov de 2015

Os 05 CDs que estou viciada, socorr

Essa coisa de escutar CDs é nova para mim. Bem irônico, se você for pensar, já que quando finalmente entramos na fase do Spotify, eu me liguei que existem outros meios de escutar várias músicas sem precisar montar playlist. Claro que esse novo apresso se deve ao fato da facilidade que é ver o torrent do álbum ao invés de buscar 14 músicas diferentes, mas vamos fingir que é pelo amor ao conjunto da obra, de um jeito bem cult. Haha, cult, que piada. Se liga só nos cinco álbuns ~zuper cults~ que eu não parei de ouvir nas últimas semanas.


O principal erro de Selena Gomez for divulgar Good for you como primeiro single de Revival. A música é muito blé, e acabei colocando o álbum inteiro no mesmo saco. Até escutar as primeiras músicas e me apaixonar por Revival. O CD é um óbvio avanço na carreira da menina em comparação com seus últimos trabalhos. Diferente de Stars dance, Revival é menos sobre dançar com os braços para cima e mais sobre amar a batida. Há mais mensagens nas letras, no maior estilo miga Swift de mandar recadinho sobre os antigos relacionamentos (ou Bieber, no geral). É muito ótimo! É o pop chiclete, mas claramente diferente do pop chiclete que ela vinha fazendo até então.


Não consigo lembrar quem foi o ser humano maravilhoso que me falou sobre Melanie Martínez e seu álbum Cry Baby, mas seja quem for, MUITO OBRIGADA! Numa vibe weird pop, Melanie é tipo Lana del Rey, só que num mundo onde Laninha queriaestarmorta não fizesse a onda misteriosa do sexy sem ser vulgar que dá preguicinha. Todas as batidas deste álbum tem um ar melancólico, mas ao mesmo tempo é baladinha pop e envolvente. Porém, ao analisar as letras, você nota o quão forte é Cry baby, que aparentemente sugere algo meio infantil, com mares de babados cor de rosa, e acaba mostrando que de leve só tem as notas. É muito coerente o conjunto da obra, embora dê bastante dó do pobre alterego de Melanie, a Cry baby. No final, esse álbum é uma arte - que dá vontade de cantar melancolicamente junto.






Posso não gostar tanto de Bang quanto Fátima Bernardes, mas precisamos combinar que o novo álbum da menina Anitta é muito dançante. A gente pode até falar que Anitta isso e Anitta aquilo, mas teremos que concordar que se as batidas da cantora fossem acompanhadas de letras gringas, seria #1 do Shazam Brasil. Verdade, gente. Bang é pop, embora pop brasileiro se chame funk. Não há nada de extremamente especial no conjunto da obra, nenhuma mensagem profunda intrínseca, mas se você quer dançar, escute Bang.








Assim como aconteceu com Revival, os primeiros singles revelados de Breath in, breath out não criaram uma grande empolgação ao redor do retorno de Hilary Duff às paradas musicais. Talvez isso justifique o flop do álbum da garota, que poucos meses depois do lançamento, ninguém comenta mais. Isso é bem triste, pois diferente de Chasing the sun e All about you (que nem fazer parte da tracklist), as músicas de Breath in, breath out são bem legais. A batida é pop chiclete, que lembra o que a cantora costumava fazer sucesso há anos, porém com uma óbvia (e necessária) evolução para o que faz mais ouvido hoje. É perfeito para os fãs de pop, pois todos os elementos que a gente adora foram jogados na fórmula. Além disso, tem composições de Tove Lo e Ed Sheeran. Ainda dá tempo de chamar todo mundo e fazer esse CD bombar?






Eu posso usar aqui o mesmo argumento que dei para a gente ignorar Anitta: santo de casa não faz milagre. Mesmo sabendo que Bang e Troco likes tem um oceano de diferenças entre eles, a bandeira que quero levantar é que existe sim cantores brazucas apresentando trabalhos de qualidade e que dão gosto de ouvir. Bang é legal porque é dançante, Troco likes é incrível porque é bonito - no sentido de mensagem, de metáfora, de suavidade. Tiago Iorc vai para a onda mais conceitual, com músicas onde o foco é a poesia das letras e não o ritmo, mesmo que unir essas duas partes da música feche perfeitamente, num nível de simplicidade impressionante.

13 de nov de 2015

Em queda livre • Ally Carter


Segredos diplomáticos #1Autora: Ally Carter
Editora: Guarda chuva
ISBN: 9788599537404
Páginas: 352
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Ally Carter é a autora que você procura quando quer ler young adults clichês que fogem do estigma clichê do gênero. Parece estranho e talvez você esteja pensando que minha lógica deu uma leve falecida agora, porém não: você vai me entender quando conhecer Ally Carter. A autora já veio várias vezes ao Brasil e flopou, tadinha, mas agora a editora Guarda Chuva trouxe mais uma série dessa senhora criatividade e, PFVR QUE DÊ CERTO nunca te pedi nada!

A verdade sobre Ally Carter é que ela atrás aquele feeling high school, que a gente ama e devora sem enjoar, em outras realidades que por vezes estão longe da escola de verdade. Seus personagens nunca são reles mortais, com habilidades normais e que curtem assistir seriados quando chegam da aula, com um dever de biologia que o google responde. Nã, os protagonistas de Carter são as crianças do masterchef junior, talvez não na cozinha. São as pessoas inteligentes que queremos ser quando crescermos. São incríveis, sem mais.

Em queda livre é o primeiro livro da série Segredos diplomáticos, em que a protagonista, Grace Blakely, muda para Adria, um país (fictício) em que seu avô materno é o embaixador americano. Ela vê esse novo cenário como a oportunidade para descobrir a verdade por trás do assassinato de sua mãe, há cerca de três anos. Para essa missão, ela conta com a ajuda de seus amigos, todos com nacionalidades, culturas e personalidades diferentes. 

Eu quero dar um abraço em Carter por ela ter colocado o mundo todo no liquidificador e nos presenteado com a Ala das Embaixadas, juro pra você. A primeira frase do livro é "Quando eu tinha doze anos, quebrei a perna pulando do muro entre o Canadá e a Alemanha", pelamordejesus. Você sabe que é um livro é excelente quando a primeira frase dele propõe que é possível pular do Canadá para a Alemanha. Amor forte, caros.

Então seguimos Grace na busca por respostas. Clichê? Absolutamente, mas lembre que estamos seguindo ela por respostas enquanto vamos dos Estados Unidos à Russia, quem sabe uma passadinha do Brasil e OLHA ELES ESTÃO DANÇANDO SAMBA. É muito legal o modo como a autora sabe mesclar as várias culturas, fazer referencias sensatas aos locais que narra e inserir muito contexto político em um livro que, a principio, parece ser apenas um jovem adulto comum na lista dos jovens adultos. Esse contexto multinacional, inclusive, fica aparente nos personagens, pois você consegue notar várias características em suas personalidades que sugerem o país que descendem. Tem esteriótipo, verdade, mas quem se importa? 
No final, Em queda livre ainda consegue surpreender e mostrar que Carter não está de brincadeira com essa série. O que me deixa realmente animada, porque não gosto quando suas continuações acabam ficando no mais do mesmo apresentado no primeiro livro. Eu adorei a leitura, principalmente quando temas internacionais entravam em voga. Coloque mais países no liquidificador e teremos um caso de amor forte e eterno, tipo milkshake.

12 de nov de 2015

Sombras prateadas • Richelle Mead


Bloodlines #5
Autora: Richelle Mead
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765596
Páginas: 368
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Eu enrolei para postar essa resenha porque é muito difícil falar sobre Bloodlines. Sinto que estou sempre repetindo a mesma coisa: uma dança de palavras sobre "essa é a mesma Richelle de Vampire Academy?" e "ADRIAN MOZÃO". Essa é uma série que me surpreendeu muito a cada volume, e estar beirando o final deixa ainda mais complicado encontrar as palavras certas para descrever o lugarzinho especial que ocupam na minha estante (e na vida, e no coração). 

Sombras prateadas parte do cliffhanger medonho que terminou Coração ardente. O final do quarto livro, que quebrou as pernas do pobre leitor desavisado, é o ponto de partida ideal para o quinto capítulo da história, pois já começamos sendo afogados em agonia, frustração e dores no peito. Num momento temos Sydney, meio grogue, meio drogada, vivendo os piores momentos nas mãos dos alquimistas. No outro momento, Adrian está lá, provando sua maravilhosidade em forma Moroi, sendo um personagem naturalmente problemático, ainda mais complexo quando apaixonado e em desespero. 

Eu nunca gostei tanto do ponto de vista intercalado de Adrian e Sydney quanto dessa vez. É muita curiosidade no ser humano para saber o que está acontecendo dos dois lados, e não saberia como lidar se a narrativa fosse de outro modo. Isso serviu para, ao mesmo tempo, aliviar e aumentar a tensão. Contradizente? Explico: Ainda que ter noção do que está acontecendo ao redor dos protagonistas ajude muito a acalmar os nervos, os capítulos sempre terminam nos momentos mais decisivos e que não deveriam terminar POR QUE TERMINARAM CUSTAVA ESCREVER MAIS UMA PARAGRAFO NESSA FOLHA RICHELLE

Aff, Richelle, por quê?

Ainda assim, a maioria das críticas feitas ao livro ficaram presas ao final da história, numa possível desconstrução de personagens que houve para que ficasse conveniente. Eu concordo? Que ficou conveniente, sim. Que talvez não fosse tão necessário e a autora poderia ter trabalhado de outra forma, sim. Porém eu gostei, fiquei bem fangirl enquanto lia. Não vou entrar no fato em si, já que é spoiller de uma vida inteira,  mas veja bem: Bloodlines não é uma série escrita para ser genial. É um young adult sobre vampiros, for God's sake. Eu acho que deveríamos ficar contentes simplesmente por ter uma protagonista com a sagacidade de Sydney e um personagem tão complexo quanto Adrian, e como o relacionamento deles trabalha esses dois aspectos de suas personalidades de uma forma coesa e sem melodrama. Isso tá de parabéns de aplausos fortes. Eventuais escorregadas são, bem, eventuais. 
Sombras prateadas é uma leitura viciante e cheia de feelings, como todos os livros de Bloodlines foram até agora. Acredito que o quinto volume apresentou realmente uma evolução na série como um todo e preparou o terreno para um sexto e ultimo livro no mesmo nível. Para não perder o costume: estou surpresíssima com Richelle Mead, não deve ser a mesma autora de Vampire Academy.

PS: Você curte Vampire Academy e quer me xingar muito nos comentários? Deixe eu me explicar antes: eu odeio a Lissa. Odeio forte, odeio rude. Coloquei a série inteira no mesmo saco porque a bendita da Lissa tá em todos os livros da série. Desculpa, não é pessoal.

11 de nov de 2015

8 razões pelas quais eu acredito que você deveria ser trouxa e voltar a ver Pretty Little Liars


Abandonei Pretty Little Liars há mais de dois anos, no inicio da quarta temporada. Estava de saco cheio, cansada de ser feita de trouxa em todo santo episódio. Abandonei e, como sou dessas, fiquei me achando senhorita madura pela atitude. Porém bastou a notícia do flash foward para minha mão correr pro site de torrent e, dia mais dia menos, estamos aqui. Sim, eu achei que nunca mais seria otária, possivelmente fui otária, mas estou muito, muito feliz por ter sido otária. Marlene King, a senhora tem minha permissão para me fazer de otária.

Eu assisti cerca de 59 episódios em menos de uma semana. Pretty Little Liars se tornou minha ocupação favorita em todos os minutos livres, inclusive os que estavam marcados na agenda para representarem oito horas de sono. Eu não precisava de sono, precisava devorar essa série. E agora, migos:

8 razões pelas quais eu acredito que você deveria ser trouxa e voltar a ver Pretty Little Liars


1. As coisas andaram... pra frente, juro!

Eu entendo que quem permaneceu fiel ao seriado tenha ficado cansado com a enrolação e não tenha sentido a empolgação com as revelações sendo dadas semanalmente, quando, junto disso, outros arcos surgiram. Porém, a partir da quarta temporada, as coisas realmente foram pra frente, dando pouquissimas caminhadas em círculos. As grandes reviravoltas se concentravam em episódios estratégicos? Sim, porém o caminho até elas foi bem gradual. 

2. Os furos foram, em maioria, tapados

A série não é perfeita, óbvio, e as pontas soltas do enredo estão ali para quem quiser ver. Só que, aos poucos, as coisas foram se amarrando. Talvez eu tenha esquecido muitos buracos que surgiram ao longo do tempo que abandonei, porém os maiores, que me intrigavam mais, foram respondidos. As pistas que incriminavam Ezra desde o primeiro episódio de Halloween, por exemplo, foi tudo colocado no mesmo pacote de respostas, e ele basta porque conclui várias tentativas de suspense numa tacada só. Claro que há escorregões do roteiro quando as coisas estão sendo formadas, como um teste para o telespectador, mas uma vez que as coisas fecham, elas fecham. E selam.

3. Todos já encontraram suas caras metades e vamos partir daí

Nas primeiras temporadas, tinha muito plot envolvendo possíveis casais, todo mundo pegando todo mundo e fazendo aquela confusão amorosa típica de seriado teen. Porém chega um momento que já está todo mundo de casalzinho e pronto para seguir a vida daí. Isso coloca Toby, Caleb, Ezra e Paige na front row, pois eles deixam de ser secundários na vida das protagonistas para participarem da ação em si. Isso é um avanço claro de série teen para algo mais.

4. Spencer TURN DOWN FOR WHAT

Ela é rica, ela é poderosíssima. Por mais que a abertura sugira um protagonismo para Aria, é óbvio que Spencer é a rainha do pedaço. Ela carregou o seriado nas costas quando estava em Radley, e meio que continuou fazendo isso toda vez que a trama dava uma balançada. A cena em que ela lidera a busca por Alison no último baile, com seu vestido longo e cabelo em ondas que dançavam no ar: claramente dona do mundo.

5. Muitos momentos sagazes

Não das personagens, mas do roteiro. Fazer as mães sofrerem como suas filhas nas mãos de uma pessoa misteriosa que bate a porta do sótão? Incrível! Além disso, essa mesma cena mostrou por quem Spencer puxou genética de ser maravilhosa. Outro momento simplesmente demaix é quando Ella diz para Aria que "ela ficaria surpresa com o que os alunos são capazes de dividir com seus professores favoritos... bem, talvez ela não". Impagável.

6.Doll house é uma mistura de genialidade com bizarrice que MEU JESUSINHO

Eu vou escrever sobre Doll house usando a mesma quantidade de palavras que as vezes que consegui respirar:

7. Cara, a história do Charles

Eu sei que muita gente achou tosquissima a explicação sobre Charles, mas eu achei soberba. Mesmo tendo spoiller sobre a pessoa por trás da mascara, fiquei falecida com a explicação. Sabe quando você está lendo Harry Potter, descobre o passado do Voldemort e se voluntaria para ajudá-lo a matar Harry? Quase isso. Além do mais, achei muito coerente o modo como adaptaram a história original (btw, outro ponto maneiro: Sara Shepard fez participação, quem reparou?). Não tenho o que falar mal, na boa.

8. Flash Foward

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10 de nov de 2015

Torre partida • J. Barton Mitchell


Saga da terra conquistada #2
Autor: J. Barton Mitchell
Editora: Jangada
ISBN: 9788564850941
Páginas: 472
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Duas coisas que já repeti muito por aqui: 1) minha memória é péssima e, consequentemente, 2) sou dona de esquecer plots principais de livros. Eu sei exatamente a última passagem de Cidade da meia noite, porém lembrava de informações decisivas sobre o enredo e os personagens? ... Esse é um problema danado, pois você não cria toda aquela empolgação marota para pegar a continuação e devorá-la como se fosse brigadeiro. Mesmo que ela merecesse ser devorada dessa forma, como é o caso de Torre partida.

O segundo livro de Saga da terra conquistada continua, bem, a saga de Mira, Holt e Zoey (e Max!) pelas terras conquistadas pelos Confederados. Dessa vez, eles precisam chegar a Torre Partida, um marco das terras estranhas que parece ser decisivo para a busca de respostas quanto a Zoey e seus poderes. É aventura, distopia, tudo aquilo que Mitchell já tinha colocado no liquidificador no livro anterior, porém com um pouco mais de ingredientes dessa vez.

A impressão que tive é que desta vez o autor decidiu focar nos protagonistas separadamente, aprofundando a construção iniciada anteriormente. Por esse motivo, vários personagens significativos para o passado de Mira e Holt são introduzidos, provocando consequências e dando material para rechear livros tão grandes - pois, afinal, toda aquela tensão introdutória ficou para trás. É interessante conhecer mais da dupla principal e entender o caminho que eles trilharam até o inicio da saga, porém... Aff, odeio quando entra gente nova no meu ship.

Triangulo amoroso é tipo o cúmulo do desnecessário (salvo em The Infernal Devices), ainda mais quando entra não apenas uma, mas duas pessoas no meio do casal. Duas pessoas com histórico, bagagem, a lot of feelings. Aff para eles. Aff mesmo. Essa tentativa do autor de colocar frustração funcionou - mas pelas razões erradas. Se Mitchell queria que lêssemos e ficássemos no "hum, talvez não deveria ter shipado Mira e Holt logo de cara", o que aconteceu foi mais para o "hum, não sou obrigada".

Porém, acima disso, a leitura foi ótima. Os momentos de ação por vezes me lembraram estar assistindo Prova de fogo e eu AMEI PROVA DE FOGO. Além do mais, o autor sabe fazer uma miscelânea maneiríssima de elementos e gêneros, e Torre partida consegue pular coerentemente de ação para romance para comédia para ação novamente talvez um pouco de suspense acá e acolá. Vou tentar lembrar as novidades do enredo dessa vez, pois definitivamente quero ler a continuação.

7 de nov de 2015

Playlist da semana


Enquanto meus vizinhos escutam o que eu desconfio ser Wesley Safadão, estamos aqui montando uma playlist que eu peguei quase toda de Pretty Little Liars. Já combinamos em admitir que não existe alimento melhor para o Shazam que uma maratona de seriado? Deus do céu, quero bateria eterna e celular sempre do meu lado para não perder uma música incrível que for.
Sail - AWOLNATION: Sail é o tipo de música que funciona perfeitamente em momentos decisivos de seriados, mas parece uma melodia esquisita quando você escuta sendo pessoas sofrendo como imagem de fundo. Bem, já declarei meu amor por melodias esquisitas, né? Fazem eu me sentir cult. Além do mais, você escuta e imagina que está no próprio filme, bem maneiro.
Begin again - Rachel Platten: Rachel Platten é aquela menina que está bombando com THIS IS MY FIGHT SONG TAKE BACK MY LIFE SONG PROVE I'M ALRIGHT SONG, mas antes disso ela já era maravilhosa com Begin again. Vem, miga, vamos fazer karaoke dessa música e fingir que somos Adele (desculpa, Rachel, mas Adele dá mais emoção).
Hope - HAERTS: É o Faustão que diz "quem sabe faz ao vivo"? Pois é verdade. Você por favor note essa moliér e as notas dessa música sofridíssima e lindíssima. Estou em dúvida se vou pro canto chorar de eveja dessa voz maravilhosa ou da melancolia que Hope me deu. 
Bird in a cage - Spelles: Então deixamos de ser góticas suaves para abraçar essa música folk mais incrível. Bird in a cage é simplesmente dimaixxxx. É super vibes Reign (sdds soundtrack de Reign), e já estou catando álbum desse tal de Spelles pra colocar num replay eterno. INCRÍVEL.
Runnin' (lose it all) - Naughty boy ft. Beyonce & Arrow Bejamin: Eu amo amar músicas da Beyonce, faz me sentir parte do mundo. Runnin' é uma música recente, parceria de várias pessoas que não floparam por conta do feat com BonC. Deu até vontade de ir para academia pra ter uma playlist com essa música.
Photograph - Ed Sheeran: Na última playlist, falei de Don't. Era minha música favorita. Hoje estou falando de Photograph. É minha música favorita. Seguinte: me deixe ter uma obsessão tardia por Ruivo Sheeran, só fui enjoar de Sing agora para finalmente dar bola para outras músicas sucessos do menino. Sobre Photograph: só digo uma coisa: não digo nada. E digo mais: só digo isso!

2 de nov de 2015

O caso dos dez negrinhos • Agatha Christie


Autora: Agatha Christie
Editora: Globo
ISBN: 9788525005083
Páginas: 219
Em 2015, eu: li Agatha Christie. Não era uma meta, mas é um acontecimento. Descobri "recentemente" que curto suspense bem feito, e nada mais óbvio do que correr para o abraço da autora que é considerada rainha do gênero. E ainda na linha da obviedade, é meio lógico ir primeiro para o livro considerado a melhor obra dentre as muitas de Agatha Christie: O caso dos dez negrinhos

No livro, temos um cenário misterioso e cativante: A Ilha do Negro, propriedade do Sr. e Sra. U. N. Owen, tem sido alvo de especulação da mídia desde a aquisição. Todos querem saber o que há de tão especial naquele amontoado de terras rochosas. Dez convidados, aparentemente sem conexão alguma, são convidados para passar uma temporada na ilha. A partir daí, uma série de assassinatos começa acontecer, e só há aquelas mesmas dez pessoas como suspeitas. Ou nove pessoas. E contando.

Seguinte: a atmosfera é assustadora. Imagine estar numa ilha com desconhecidos e, de repente, as pessoas começarem a morrer misteriosamente em pequenos intervalos de hora. É uma sensação constante de ser alvo, de ter alguém a espreita, de estar em perigo o tempo todo e não ter por onde fugir. É esse clima sombrio e sufocante que me cativou em O caso dos dez negrinhos. Eu sentia o medo dos personagens, e foi mais perto de terror psicológico que já cheguei com um livro, mesmo não sendo caracterizado como uma obra de horror. 

Eu imagino que a falatória que cerca Christie se refere a essa capacidade de levar o leitor para o centro do suspense como se fosse mais um alvo. Digo isso porque descobrir o assassino não foi tão interessante assim. Eu já ouvi muitos elogios sobre a genialidade da autora e sabe o que acontece quando você espera genialidade? Você não encontra Leonardo Da Vinci, desculpa. Por mais que eu não tenha adivinhado o mistério antes da hora, acabei ficando com o decepcionado "isso é tudo?" no famigerado momento da verdade. 

Cortei Agatha Christie da lista de autores que precisava conhecer e não sei dizer quando será minha próxima experiência com a autora. O caso dos dez negrinhos foi uma leitura muito boa e cheia de agonia, verdade, mas me deixou indiferente justamente no que deveria ser mais chocante e dexxxtruidor. 

Vamos fazer o seguinte: você me conta seus livros favoritos sobre terror psicológico e, se incluir Christie, temos um novo alvo prioritário para a pilha de leituras.