29 de abr de 2015

Sangue mágico — Ilona Andrews


Sangue mágico — Kate Daniels #1
Autora: Ilona Andrews
Editora: Saída de Emergência
ISBN: 9788567296326
Páginas: 256
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É oficialmente verdade que Harry Potter me arruinou para fantasias. Por mais que eu veja uma sinopse do gênero e fique interessada, eu vou abrir o livro e ficar entediada porque não há bruxos com varinhas e vilões sem nariz. Muito me chama atenção e nada vai para frente. É muito frustrante, acredite. Porém como boa brasileira que não desiste nunca, me mantenho firme em busca de uma nova trama fantástica para preencher meus dias. Depois de Sangue Mágico... Vou continuar procurando.

A sinopse é ótima: Atlanta é uma cidade que vive numa constante batalha entre tecnologia e magia. Independente de quem está falando mais alto no momento, uma coisa é certa: há caos. Nesse cenário está Kate Daniels, que tem magia no seu sangue e tenta esconder esse fato das pessoas ao seu redor. Ela se mete em problemas frequentemente e resolve mexer com os grandes quando seu guardião, Greg, é assassinado. Uma coisa é certa: ela vai descobrir quem é o responsável pela morte do último membro de sua "família".

Há tanta coisa acontecendo, tantos personagens com características fortes e significativas, que fica difícil se inteirar completamente do cenário. No universo de Kate Daniels, não apenas há magia, como várias criaturas sobrenaturais vivendo entre humanos comuns. Nisso você encontra lobisomens, necromantes e seus servos vampiros, uma enormidade de diversidade que dão um tom único e original, porém, ao mesmo tempo, confuso. Ou, talvez, eu tenha achado isso por não conseguir me encaixar com o gênero. Acho que tudo se baseia nisso.

Em compensação, Kate é uma ótima protagonista para a história. Além de dar credibilidade, ela é forte e consegue sustentar bem a trama que se encaixa. Achei divertido o modo como ela é determinada e se mete em situações complicadas de muito bom grado. Ela abraça a própria sina, e encontra novos problemas para arriscar sua vida. Para uma fantasia, isso é ótima. Ela sustenta aquele universo nas costas, e that's ok.

Todavia, aquela dificuldade de se introduzir no universo e conhecer os dramas com os quais a protagonista - e os habitantes desse cenário - convivem, permeou durante toda a leitura, algumas vezes pressionando o botão de soneca na minha cabeça. Era alguma cena bastante interessante seguida por outras que não acrescentavam em nada senão minha vontade de dormir. Uma pena que essas eram a maioria.

No final das contas, Sangue mágico foi uma leitura cansativa. Original, com uma boa protagonista, mas bastante cansativa. Eu pensei em arriscar por conta do número relativamente pequeno de páginas, mas a jogada está aí: nessa palavra "relativamente". Se fosse bom em tempo integral, 250 páginas seria bobagem. Como ficava dançando em cima de uma corda bamba, esse mesmo tamanho parecia duplicado. E sobre fantasias, vamos continuar na busca, essa não é a série que vai ganhar mais espaço na minha estante.

28 de abr de 2015

Wishlist aleatória de livros porque sim

Acordei com vontade de encher o carrinho de livrarias virtuais com mais itens que minha estante, carteira e vida permitem. É final de mês, eu estou cheia de coisa para estudar, de tabelas para entregar, então você me diz se não tem hora mais adequada para querer ler muitos livros novos que não vão ensinar programação linear ou marketing holístico? Meu timing, amigos, é maravilhoso. E vamos aos livros que estão tirando meu foco!


Eu perguntei no twitter qual o melhor livro da Agatha Christie para começar, e a resposta quase unanime foi O caso dos dez negrinhos, que conta sobre uma ilha em que todos são suspeitos. Eu não vou entrar em detalhes porque eu precisaria reler a sinopse completa, que me deixa tão animada que vai ser uma luta interna não comprar o livro no mesmo segundo. 
Com essas novas edições da editora Globo, tão lindas e ricas e em capa dura, o livro ganhou um novo título que me deixa ainda mais curiosa. Estou adorando uma vibe mais thriller de vez em quando e tenho noção que preciso da tal da vergonha na cara e conhecer a rainha do gênero. Resistir a tentação é tão difícil, né?

Vou abortar esse post no meio.


Eu não entendi muito bem sobre o que o livro se trata e não importa, Vivian contra o apocalipse me ganhou na capa. Recebeu elogios na rede social do passarinho e bastou, não exijo nada mais. Eu acredito que esse é um livro polêmico, contemporâneo, que aborda uma relação entre política e religião, o que também ganha pontos comigo apenas pela ousadia. 
Não se deixe enganar pela capa com luz do sol (que normalmente é indicio de young adult feliz). Se bem saquei, a protagonista que eu sei que você já adivinhou o nome vai partir numa road trip junto de três outros adolescentes a fim de descobrir sobre os pais desaparecidos. Mas creio eu que a história é muito mais que isso. E, correndo o risco de ser repetitiva: tem a capa linda.


Quando eu vi sobre Graça infinita, decidi que não queria ler porque tinha mais de 1100 páginas e eu sou preguiçosa pra dedéu. Porém, eu vi alguém falando sobre a história e fiquei muito curiosa, sem nem saber que era esse livro gigante. Quando eu juntei os pontos, não me importei pelo tamanho - a sinopse já tinha me ganhado.
Essa singela Bíblia é sobre nações em guerra em que uma pretende usar um misterioso vídeo que faz pessoas se suicidarem como arma de guerra. Eu tenho fixação por essas tramas que lembram O Chamado e mesmo sendo algo muito mais político e diferente, a animação para a leitura é a mesma. Sem falar que todo mundo diz que a escrita do autor é genial. Todo. Mundo.



Not that kind of girl já foi lançado no Brasil, mas eu quero a versão gringa E em capa dura porque acho que ela é rica, ela é poderosíssima. Lena Dunham, se você não conhece (oi?), é a mente criativa por trás de Girls, que eu não gosto, mas o mundo gosta. O livro parece ser todo cheio das polemica, dos tabu, daquela ozadia gigante que desperta a curiosidade nem que seja para falar mal. 
E se é para ler um livro nem que seja para falar mal, que seja a versão bela e hard cover dela. Concorda?







Não importa que eu não seja fã de terror, eu sei tudo sobre Psicose. É oficial: os fãs de Bates Motel não respeitam os ditos posers da série, categoria a qual faço parte MAOE. Eu sei aquele grande spoiller, eu sei todo o suspense, o mistério, o choque, mas quero ter a versão original, o inicio, a visão da primeira pessoa que pensou no Norman e sua psicose. Talvez não atenda minhas altas expectativas, mas uma coisa é certa: o livro vai colocar um tema diferente com uma abordagem ainda mais diferente de tudo que já li. 

27 de abr de 2015

Luz e trevas — Elle Casey


Luz e trevas — Guerra dos Fae #3Autora: Elle Casey
Editora: Geração Jovem
ISBN: 9788581303055
Páginas: 384
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Até então, a série A guerra dos Fae estava na minha lista para ficar de olho: eram fantasiosos, diferentes e divertidos. Passava longe da lista de favoritos, mas era garantia de uma boa leitura. Isso até chegarmos no terceiro volume e dar de cara com a maldição do segundo livro atrasada. Quando você achava que estava a salvo, puff.

Como nos anteriores, Luz e Trevas continua do exato ponto em que o último livro terminou. Na verdade o que você acreditava ser um final, com uma decisão pronta e parte pra próxima, se torna um grande enredo enrolado (fale rápido cinco vezes) que leva praticamente o tempo todo. O que temos? Mais do mesmo. E uma protagonista que não consegue mais carregar a trama nas costas só porque tem a língua afiada.

Minha impressão é que Casey ficou muito presa na força da protagonista. Ter alguém legal como Jayne dando as coordenadas na trama é ótimo, é um diferencial, mas não é tudo. Nós já avançamos na história a ponto de detalhes serem mais relevantes, com mais significância. Logo, quando a autora já está na terceira parcela da história, ela precisa ir mais fundo que isso, mostrar a que veio e dar força a todos elementos, sem esperar que a protagonista se destaque sozinha e dê conta de tudo.

Fiquei cansada muito fácil. Nem 100 páginas e eu já estava de saco cheio do mimimi de Tony, de Jayne sendo xuper especial e inteligente e determinada e movendo montanhas e se enchendo de seguidores no twitter e na vida. De novo, sabe? Ainda? Quando a trama parecia achar um propósito e avançar, eu não me importava mais, estava de saco cheio. Jayne me irritou, os amigos dela também. Tony, então, quero nem falar porque dá agonia.

Eu estou tentando entender meus sentimentos e isso pode ficar confuso, mas vamos lá: sabe quando as coisas parecem muito certas e boas e isso não passa de pura ingenuidade? Considerando que ingenuidade é algo bom? Fica chato. As reviravoltas são muito zzzzertinhas, muito programadas, assim como os diálogos e situações. Dá uma preguiça danada, porque a maldição do segundo livro chegou para Elle Casey e fez parecer Luz e trevas trabalho preguiçoso. Estou com zero vontade de ler a continuação, e considerando o quanto costumava ficar empolgada com os finais anteriores, isso é quase certeza de mais uma série que parou por aí na estante.

26 de abr de 2015

Sorteio: 10 coisas que nós fizemos (e provavelmente não deveríamos)


Hora de sorteio para compensar meu fracasso total em postar playlist mais essa semana. Vem tentar a sorte com 10 coisas que nós fizemos (e provavelmente não deveríamos) e quem sabe na próxima semana eu atualizo um pouco a playlist desse blog.
Dez Coisas Que Nós Fizemos - Se tivesse a oportunidade, que adolescente de 16 anos não mergulharia de cabeça na chance de ir morar com um amigo e viver sem os pais? Nesta engraçadíssima história, Sarah Mlynowski investiga o coração e a mente de uma garota que está, pela primeira vez, por conta própria. Para chegar ao fim do ano, ela precisará fazer malabarismos com um triângulo amoroso, aprender a lavar roupa e aceitar que seu mundinho pode estar prestes a ser detonado… por cada coisa que não deveria ter feito.

Regras:

  • É necessário endereço de entrega no Brasil;
  • Todas as informações requisitadas serão conferidas, e quem não estiver seguindo todas as regras será desclassificado;
  • O sorteio será feito pelo Rafflecopter e o resultado será divulgado no blog, em até 3 dias após o término da promoção, no dia 26/05;
  • O ganhador tem um prazo de 72 horas após a divulgação do resultado para entrar em contato com o blog e enviar o endereço;
  • O prêmio será enviado para o ganhador no prazo de 30 dias;
  • Não nos responsabilizamos por extravios cometidos pelos Correios.  
Beijinhos e boa sorte

24 de abr de 2015

Me and Earl and the dying girl — Jesse Andrews

Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.


Autor: Jesse Andrews
Editora: Harry N Abrams INC (comprado no Brasil pela Rocco)
ISBN: 9781419701764
Páginas: 295
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The DUFF estreou no cinema gringo e ainda não chegou no Brasil nem como livro. O mesmo está prestes a acontecer com Me and Earl and the dying girl, que estreia em junho no país do Tio Sam, e pode ou não ser lançado em verde e amarelo ainda esse semestre. Enquanto isso, a gente agradece a professora de inglês do fundamental e se joga na versão original. Obrigada, teacher! PS: Se você quiser saber mais livros e filmes que serão adaptados, clique aqui.

“This book is probably making my life seem more interesting and eventful than it actually is. Books always try to do that. If you just had headlines from every single day of my life you would get a better sense of how boring and random it is.”
O livro é a história de Greg, que está no último ano do ensino médio e é amigo de todo mundo. Ao mesmo tempo, ele não é amigo de ninguém. Esse acordo funciona muito bem para ele - nada de bullying, nada de expectativa. Ele passa seus dias assistindo e fazendo filmes ruins com Earl, o mais próximo de melhor amigo que tem. Isso até ser obrigado pela mãe a ser amigo de Rachel, uma garota que conheceu num grupo de judeus e agora foi diagnosticada com leucemia.

O maravilhoso de Me and Earl and the dying girl é que o livro foge do novo esteriótipo de young aduls envolvendo câncer. É o senso de humor afiado parecido que o que a gente conheceu com John Green, só que melhor. Logo no prólogo, Greg avisa que ele só está escrevendo esse livro ruim porque desistiu da carreira de cineasta já que seu último projeto foi péssimo. É aquela narrativa pessimista e cética que funciona por ser hilária. Acima disso, não é um livro cercado por clichês; nada de romance, de lição de vida, de lágrimas. Greg também deixou isso claro em seu prólogo. Só nisso você já percebe qual o clima das quase 300 páginas que se sucedem.

Não existe um grande plot, apenas bons personagens. Se você ler a sinopse oficial, vai pegar spoiler do que acontece nos últimos capítulos, então dispense. A ideia geral é apenas Greg sendo esse cara legal, se obrigando a passar tempo com Rachel, a apresentando para Earl para os três serem amigos de seu jeito meio solitário. É uma trama comum e, ao mesmo tempo, muito única. Os personagens não tentam ser mais interessantes do que são (vide o quote lá de cima) e isso os torna ainda mais reais e atingíveis. Isso é sucesso, isso é mérito de Andrews e estou aplaudindo.

Não sei se você conhece, mas um dos meus blogs favoritos é o Improbabilidade Infinita que tem cronicas sensacionais e é pessimamente atualizado. Enquanto eu lia Me and Earl (...), tinha a impressão de estar no blog. Então se você já leu a escrita de Ygor, sinto que te comprei nesse argumento. Se você ainda não perdeu horas nesse link excelente, fique sabendo que é divertido, engraçado, cheio de sacadas ótimas e irreverentes. Diria genial, mas estaria sendo audaciosa. Eu gostei ainda mais do livro depois de ter feito essa conexão, porque sinto que por mais repetitiva que eu seja dizendo o quão deliciosa é a narrativa, não estarei sendo clara. Digamos mais, apenas, que eu não deveria estar lendo na aula de psicologia, que tende a ser mais silenciosa e propensa a destacar ruídos de risos comprimidos. 

Eu só não dei cinco estrelas porque achei Rachel muito apagada, entregando seu espaço para Greg e Earl que tomavam sem nem exitar. Porém, apesar disso, não tem como não adorar o livro. Me and Earl and the dying girl é divertido e especial e tem os mais maravilhosos diálogos em forma de roteiro. Estou ansiosíssima pelo filme que promete ser tão bom quanto!
Nível de inglês: Intermediário

23 de abr de 2015

05 adaptações que estão chegando... Mas o livro no Brasil, não.

Hollywood ficou sem criatividade e decidiu atacar o lugar que sempre tem histórias novas e diferentes: a livraria. Nos últimos tempos houve um boom de adaptações, e isso não planeja parar tão cedo. No post de hoje eu decidi listar cinco adaptações que parecem excelentes, estão em produção (ou não) e ainda não tiveram seus livros originários publicados no Brasil. Vem ficar ansioso comigo!

Me and Earl and the dying girl

Na gringa, a estreia é em junho; No Brasil, tão sem data quanto a publicação pela editora Rocco. Sendo clichê e, ao mesmo tempo, nem um pouco óbvio, Me and Earl and the dying girl é a história de um garoto obrigado a ser amigo de uma colega de escola que foi diagnosticada com leucemia. É clichê porque né, premissa. Não é nada clichê porque foge do esteriótipo, do enredo pronto, da decisão esperada. Quando faz isso, a trama fica hilária e maravilhosa. Pelo trailer dá para notar que a adaptação é bastante fiel, incluindo os péssimos filmes que Greg, o protagonista, faz junto de seu "melhor amigo" Earl. Aliás, a resenha sai amanhã, viu?

My heart and other black holes

Sinto cheiro de sucesso. Sabe aqueles livros que mal são lançados e já tem produtora de olho? Pois então. My heart and other black holes chegou às livrarias em fevereiro e o que isso foi? Ontem? Nem dois meses depois e a equipe responsável por Quem é você, Alasca? já está encarregada de mais essa adaptação de peso. A história é linda e tabu, sobre suicídio, depressão e grupos nada ortodoxos de apoio. Quer saber o que mais eu achei? Clica na resenha aqui.

Ugly Love

Estou tentando lembrar, mas acho que Ugly Love é o primeiro new adult a ir de fato para o cinema. ESTOU ANIMADÍSSIMA! Eu não sei do que se trata, e não estou interessada em pesquisar antes de ler o livro. Basta saber apenas que o ator é mó boy magya, e Colleen é uma criadora de histórias sensacionais. Não sei se adaptação já tem data, mas o livro deve ser lançado por aqui ainda esse semestre pela Galera Record.

Lugares escuros

Gillian Flynn está uma senhora muito destruidora, né? Menos de um ano depois de colocar seu primeiro livro no cinema, ela já está acenando em premieres novamente, dessa vez ao lado de Charlize Theron! Lugares escuros já estreou na França, e mal vejo a hora de ter em mãos o livro e, logo após, o ingresso do cinema. A trama é obviamente perturbadora e genial como a autora sabe fazer de melhor e se já estou curiosa com as reviravoltas? Que você acha? O livro deve chegar no Brasil perto da estreia, em junho, pela Intrinseca.

The DUFF

Vou cansar de falar de The DUFF quando esse país tomar jeito e trazer essa delicia de livro e de filme para nosso público. Eu já falei sobre ambos, já declarei amor para ambos, e vou continuar com a sua licença. Mais uma história adolescente? Claro. Mais uma trama épica nível Mean Girls? Quase, talvez. O livro e o filme são completamente diferentes, bons em sua própria forma, e devemos ter os dois aqui? Com certeza!

22 de abr de 2015

Uma loja em Paris — Màxim Huerta


Autor: Màxim Huerta
Editora: Essência
ISBN: 9788542204704
Páginas: 256
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Andei lendo muito sobre Paris recentemente. Porém o único que me apresentou uma visão de época da Cidade Luz foi Uma loja em Paris, escrito pelo espanhol Màxim Huerta. Dividido em dois tempos, o romance foi algo diferente e notavelmente mais sério do que costuma habitar as prateleiras da minha estante. Mas independente de não ser o que leio com frequência, gostei bem mais do que esperava.

De inicio somos apresentados a Teresa, uma órfã rica que foi criada por uma tia rígida e, quando adulta, decide parar de viver a sombra de sua parente viva e ir viver alguma emoção em Paris. O destino é escolhido por conta de uma tabuleta de uma loja de tecidos parisiense que ela se sentiu impelida a comprar desde que passou os olhos num antiquário. Teresa muda para Paris para comprar a loja da tal tabuleta e descobrir porque ela sente tanta ligação com o nome da dona, Alice Humbert. Nada como ter dinheiro, não?

Então estamos lendo sobre Teresa, sobre o amor de sua vida que a abandonou, sobre a decisão de ir para Paris e a relação de inferioridade com a tia. Depois, em outro capítulo, sem aviso prévio, somos transportados para a Paris de 1920, quando Alice Humbert, aquela Alice Humbert da tabuleta, viveu. E foi assim que o livro deixou de ser uma história comum para ter algo mais.

Quando estamos com Teresa, o que chama atenção é a narrativa, a sutil poesia das palavras, por mais que os diálogos sejam doídos de tão óbvios e teatrais. É com Alice que a história fica realmente interessante - que há um plot mais instigante que uma mulher rica e entediada. Ao contrário de Teresa, Alice é uma garota pobre e apaixonada tentando crescer em Paris, o que a coloca em situações terríveis e dramáticas.

Eu não gostei que não há um aviso de quem é a narradora do capítulo. As vezes eles terminam num momento bom, e você quer saber o que acontece em seguida, e entra no capítulo pronta para *tcharam* e... Teresa. Ou então Alice, mas em maioria Teresa. As duas histórias são bastante diferentes e me atraíram separadamente, de modo do que o que eu gostava de verdade, via quase que unicamente nas partes antigas, cheias de intrigas e polêmicas.

Uma loja em Paris surpreendeu e superou as baixas expectativas. Se tá bom? Tá ótimo! Eu nunca tinha ouvido falar de Huerta, embora ele seja bastante conhecido na Espanha, e vou ficar mais curiosa a respeito do seu nome, já que me fazer gostar de algo que não é minha praia é uma missão quase nível hard. Não é uma leitura única e mágica, mas se você tiver a oportunidade, vale dar uma chance.

18 de abr de 2015

Sorteio: Muito além do tempo

Estou falhando miseravelmente na tarefa de manter promoções sempre no ar. Desculpa, eu sei, admito. Posso começar a me redimir assim? Muito além do tempo foi uma das leituras mais viciantes dos últimos tempos, e enquanto afogo a curiosidade com a continuação, você pode concorrer a um exemplar para conhecer a bruxaria das palavras de Alexandra Monir. Para participar, você já sabe como funciona!
Uma tragédia atinge a família de Michele Windsor, e ela é forçada a morar com os avós que nunca conheceu. Em sua mansão histórica em Nova York, repleta de segredos de família, Michele encontra um diário que tem o incrível poder de fazê-la retroceder no tempo, até o ano em que foi escrito, 1910. Lá Michele encontra o rapaz que ela viu em sonhos durante toda sua vida. Em pouco tempo, ela se vê apaixonada por ele. Quando se dá conta, Michele está vivendo uma vida dupla, lutando para conciliar seu mundo de estudante com suas viagens ao passado. Mas, quando se depara com uma descoberta terrível, ela é lançada numa corrida contra o tempo para salvar o homem que ama, e empreender uma busca que determinará o destino dos dois.

Regras:

  • É necessário endereço de entrega no Brasil;
  • Todas as informações requisitadas serão conferidas, e quem não estiver seguindo todas as regras será desclassificado;
  • O sorteio será feito pelo Rafflecopter e o resultado será divulgado no blog, em até 3 dias após o término da promoção, no dia 18/05;
  • O ganhador tem um prazo de 72 horas após a divulgação do resultado para entrar em contato com o blog e enviar o endereço;
  • O prêmio será enviado para o ganhador no prazo de 30 dias;
  • Não nos responsabilizamos por extravios cometidos pelos Correios.  
Beijinhos e boa sorte ♥ 

17 de abr de 2015

My heart and other black holes — Jasmine Warga

Sexta feira. Dia de resenha de livro gringo. Aqui. Oficial. É sério, pode cobrar.


Autora: Jasmine Warga
Editora: Harperteen (comprado no Brasil pela Rocco)
ISBN: 9780062324672
Páginas: 320
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A culpa é das estrelas foi a porta de entrada (ou de retorno?) para histórias adolescentes no cinema. Porém não apenas variações de Mean Girls, mas enredos em que há algo mais relevante que a hierarquia escolar. Consequentemente, esses títulos que vão ser adaptados, já entram no mercado internacional com outros olhos. My heart and other black holes foi lançado na gringa em fevereiro, já está sendo produzido pela mesma equipe de Quem é você, Alasca e já teve os direitos comprados para vários países, inclusive o Brasil. Porém sempre há pessoas ansiosas (euzinha) que não querem aguardar a tradução e vão logo desbravar esse futuro best seller.

Numa vibe meio Por lugares incríveis, My heart and other black holes vai contar a história de Aysel, que sofre de depressão e tem como hobby pesquisar sobre suicídio. Numa dessas comunidades sobre o assunto, ela encontra Roman, que procura por uma parceira para se matar. O livro vai explorar a dificuldade dos dois personagens em seguir em frente com situações que abalaram sua vida e fizeram perder a cor, em que dar um basta parece tão mais fácil e definitivo.
“The mind is its own place, and in itself can make a heaven of hell, a hell of heaven.”
Tanto Aysel quanto Roman não abrem o jogo logo de cara quanto aos motivos de sua decisão, então o leitor não apenas acompanha suas atitudes como tenta entender e justificá-las. Ou não justificá-las, já que tudo que eu queria que os dois passassem por cima dos dramas anteriores, mas enfim. O que eu quero dizer é que, por não abrir o jogo no inicio, nós vamos criando aquela expectativa sobre o que de tão ruim aconteceu com eles, e criando explicações para qualquer pequena informação que foi jogada na trama. Entra naquele caso de não querer julgar o tamanho da dor alheia, e já julgando e já achando que tudo pode ser superado.

Você com certeza já viu o meme do "me ajuda a te ajudar", e foi assim que passei a narrativa inteira ao lado de Aysel. A protagonista por vezes me irritava por ser tão intransigente nas suas ideias, por não se abrir para as pessoas e se deixar ser ajudada. É tão visível que o problema surge quando ela se esconde do mundo que, quando ela começa conviver com outra pessoa (mesmo sendo outro candidato a suicida como Roman), Aysel começa a perceber que o mundo não é tão ruim assim. E, novamente, eu quero entrar no problema de não julgar sua dor e a forma como ela lida com isso, mas fica complicado quando se torna perceptível que, mais do que ~a coisa que aconteceu~, a depressão surgiu porque ela não soube conviver. E antes que você me chame de babaca, leia o livro e tente ver o lado da leitora intrometida que sempre quer opinar, ok?

Ainda assim, a forma como a autora aborda os temas de depressão e suicídio, que felizmente estão deixando de ser tabu, justifica todo o sucesso que o livro está tendo. É muito real e tocante, algumas vezes cruelmente poético, em outras comicamente sádico, em todas as vezes: sincero. A autora teve experiência no assunto, e quando ela fala sobre depressão, você consegue se conectar com a história num nível muito mais forte, é um elo automático que surge entre o leitor e o escritor e, nessas horas, a vontade é de abraçar todo mundo.
“Anyone who has actually been that sad can tell you that there’s nothing beautiful or literary or mysterious about depression.”
Apesar de ter querido argumentar com os personagens por quase que o tempo todo, foi impossível não me conectar com a história e ficar encantada com a narrativa. A escrita que Warga é maravilhosa e dolorosa ao mesmo tempo, e ter conquistado o mundo em tão pouco tempo é uma prova disso. My heart and other black holes é uma complicada história sobre sofrer e desistir de seguir em frente. Garanto que vai surpreender você.

16 de abr de 2015

Por lugares incríveis — Jennifer Niven


Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765572
Páginas: 336
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Por lugares incríveis é o encontro de Finch e Violet, no alto da torre da escola, avaliando as opções de se jogar ou não. Esse exótico primeiro contato é o primeiro passo para uma inusitada amizade, que não aconteceria se não resultasse de uma série de acontecimentos trágicos, como a morte da irmã mais velha de Violet, Eleanor. Depois disso, como boa literatura juvenil que se preze, a vida dos personagens começam a se cruzar constantemente. Se antes eles não trocavam oi, de repente eles estão sempre nos mesmos lugares. Logo, juntos num trabalho de geografia, em que Finch e Violet começam a se conhecer ao mesmo tempo que se aventuram pelos lugares mais notáveis da Indiana.

O plot do livro é esse, mas, claro, vai muito mais além. Vamos combinar que uma simples história de amizade/romance no ensino médio não causa esse alvoroço todo como foi na rede social do pássaro azul. Foi sabendo que precisaria de mais do que o bom e velho clichê que Jennifer Niven decidiu usar depressão como seu pano de fundo. E já vou soltar a bomba: não gostei do livro quanto todo mundo que vejo falando.

Eu já li vários similares e muitos conseguiram ir além, ser mais marcantes do que Por lugares incríveis. Perdão, Leonard Peacock, por exemplo, que é um dos livros que eu mais repito como (um dos) favorito da vida. Eu senti que Niven sabia o que fazer e como fazer para arrancar sentimentos do leitor, para jogar direto com o feeling final e fazer ele ser ~aquela coisa~, e foi justamente isso. O modo como as coisas foram acontecendo eram bastante previsíveis e prontas para tocar. Em alguns momentos, eu tinha a impressão que estava lendo João Verde. Desculpa, porém sim.

O casal não me convenceu. Finch é incrível, você repara na força do personagem desde os primeiros capítulos narrados por ele, porém Violet... Preguiça dela, sabe? Eu tive a impressão que ela não estava tão comprometida com o momento do mesmo modo que Finch, e talvez seja proposital, mas não gostei. Além de que achei que o romance parecia forçado, colocado ali porque era o esperado e não apenas uma consequência natural das coisas. Eu não senti química, mas a autora insistia que existia então só resta ao leitor aceitar... Certo?

Na soma final, as expectativas eram altas e aquela comoção geral da nação só serviu para me deixar mais decepcionada. Se ninguém tivesse dito que seria excelente, talvez eu amasse Por lugares incríveis. Em compensação, passei o livro todo esperando o momento que tocaria meu coração, que eu começaria a chorar como um bebê, que se tornasse algo revolucionário na minha estante. O livro acabou e eu fiquei com aquele desagradável gosto de "isso é tudo?". Eu acredito que seja um livro muito bom, com uma mensagem interessante de um tema relevante, porém já vi autores fazendo melhor.

Sim, estou falando de Matthew Quick. É mais forte que eu.

15 de abr de 2015

Muito além do tempo — Alexandra Monir


Muito além do tempo — Timeless #1
Autora: Alexandra Monir
Editora: Jangada
ISBN: 9788564850927
Páginas: 272
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Me dou a liberdade de ser incoerente quando estou falando de livros. Já basta o skoob nos obrigando a usar a mesma medida para empacotar qualquer história; quando me reservo a glória da inconsistência, quero ser chatas por motivos diferentes sem precisar lembrar se já julguei ou relevei essa trama antes. Livros são sobre sensações, e acredito que isso vai muito além da lógica.

Estou enrolando com palavras bonitas para afofar o terreno para a bomba de eu não ter sido um pé no saco com Alexandra Monir sobre suas viagens no tempo em Muito além do tempo. Um mundo em que esta que vos escreve consegue ser legal com viagem no tempo é algo muito, muito notável.

No primeiro livro do que eu acredito ser uma duologia, Monir nos apresenta a Michele, que perdeu a mãe e foi obrigada a morar com os avós em Nova York. Esses, por vez, são ricos aristocratas de família tradicional, com quem Michele nunca teve contato. Ela, coitada, está mais perdida que cego em tiroteio - nada naquela realidade é parecido do que vivia com a mãe na Califórnia. Mais perdida ainda quando uma misteriosa chave, que habitou seus sonhos por anos, a leva 100 anos no passado... para um belo rapaz de olhos azuis que também habitou seus sonhos por anos.

Você viu a pessoa no sonho, você ganhou a plaquinha de clichê. É assim: rápido, fácil e incontestável. Essa é a artimanha mais antiga da história das artimanhas antigas, e, né, perde pontos. Essa é tão velha que não dá nem para tentar ver de outro ângulo. Além disso, Monir também aposta no trabalho preguiçoso ao formular sua viagem no tempo. Não tem explicação suficiente, nenhum grande sustento. O que há é uma sugestão muito mais fantástica que científica e, de certa forma, isso diminui um pouco da responsabilidade de ser extremamente lógica. 

Mas ok, acabadas as maiores reclamações, passamos ao que gostei: é viciante. Não sei como nem porquê, mas foi um piscar de olhos e eu estava fisgada por Muito além do tempo. Pensando agora, eu não consigo ver algo de tão cativante assim, mas acontece esse encanto no meio das palavras de Monir. Nós estamos acompanhando uma garota comum se adaptar na poderosa vida da alta sociedade nova iorquina, e, logo após, a ser quase invisível no inicio do século passado, e isso é muito bom! 

O romance é bastante forçadinho (porque eles se conheceram em sonho e sentiam essa química indiscutível no subconsciente, óbvio), mas funciona no cenário geral. Os diálogos eram um lembrete repetitivo de que o casal era sem graça, mas quem euzinha queria encontrar uma solução para os problemas desse ship e deixá-los encontrar um felizes para sempre independente do século de diferença? Isso faz parte da habilidade quase mágica de Monir de apagar seus defeitos em nome do sentimento final que, como você já deve ter sacado, é bem mais positivo do que seria logicamente calculando na balança mágica do equilíbrio.

Eu tenho muitas ressalvas e, ainda assim, adorei. Mais: já estou com o ebook em mãos e quase colocando na frente de outras leituras que deveriam ter mais prioridade. Não sei listar o que tem de tão especial, mas digamos apenas que Muito além do tempo tem uma escrita maravilhosa e delicia. A autora pode não ser original, mas sabe se fazer gostar. Por isso, está de parabéns, viu.

14 de abr de 2015

05 spin offs que eu adoraria ver acontecer!


A tal da obcecada por séries também conhecida como euzinha tem uma grande dificuldade de deixar do osso e tocar pra próxima. Se o seriado acabou de velho ou foi cancelado, eu não me importo - sinto dor e quero mais. Com isso, duas palavras me chamam atenção em sites de especulação: reunion e spin off. Independente do que seja, eu sou uma iludida, porque nada disso sai do papel. Então, com licença, me deixe escrever sobre os spin offs que eu adoraria ver acontecer. Quem sabe tem um produtor dando sopa por aí só esperando uma ideia genial para resgatar velhos personagens?

|90210| Naomi em Washington DC

Como toda personagem maravilhosa que não teve seu devido final, Naomi é a grande merecedora de uma série só dela. Em 90210, ela era a mina abusada que dividia a atenção com os amigos, mas que deixou de pagar de vilã em algum momento da trama e conquistou para si todo o carisma que deveríamos ter para com todos seus colegas de elenco. No series finale, ela mudou para Washington e that's all, folks. Insuficiente e absurdamente vago para uma personagem que foi tão melhor trabalhada que todo mundo numa história com quase 10 protagonistas. Minha proposta é Naomi takes Washington no maior estilo aquelas-séries-das-Kardashian-takes-algum-lugar, porque não há dúvida que ela seria rainha nas politica.

|Glee| Rachel, Santana e Kurt em NYC

Estou querendo levar personagens legais para cidades legais e esquecer o resto? Parece que sim. Mas ainda, desde que essa trama deu as caras em Glee, eu fiquei ansiosíssima pelo spin off. Vai acontecer? Jamais, considerando o final que avançou nos anos, mas que seria ótimo, sem dúvidas. Não precisaria ser uma série musical, apenas outra dramédia seguindo o trio em busca da fama, sucesso e fortuna na cidade que nunca dorme. Porém novamente: não vai acontecer.

|Gossip Girl| Chuck e Blair, pronto, cabô

Vamos e convenhamos, Gossip Girl deixou de ser sobre um grupo e se tornou sobre Chuck e Blair bem antes de chegar ao final. Algo mais justo do que um seriado só para esse maravilhoso OTP? Os dois representam a essência de sucesso da série, e só com os dois, teríamos festas, intrigas, armações e maldades sem o chorume de Dan, Nate ou Serena. Seria sucesso!

|Hart of Dixie| Lily Anne e os bastidores de suas composições

Lily Anne nunca esteve perto de ser cast fixo de Hart of Dixie, porém vamos combinar que seria ótimo um seriado só para a garota: a busca pelo amor da sua vida que sempre termina em composições absurdas que fazem mó sucesso no Alabama. Lily Anne poderia fazer a Taylor Swift e transformar seus exes em sucesso global, e a gente ficaria nos bastidores. Nem precisa ter 40 minutos, comédia de 20 já está de bom tamanho!

|The Carrie Diaries| Interview Magazine

Que dúvida que seria maravilhoso e divertidíssimo um seriado focado na Interview Magazine, que foi cenário de muitos dos melhores plots dos terminados diários de Carrie? A revista nos apresentou boas tramas, reuniu os melhores personagens, sem contar que o clima lá é sempre uma bagunça colorida de fotografia sensacional. Afinal, se TCD foi spin off (prequel?) de Sex and the City, o que impede de dar mais uma ramificação para esse enredo? É até muito sensato.

13 de abr de 2015

Caixa de pássaros — Josh Malerman


Autor: Josh Malerman
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580576528
Páginas: 272
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Quem eu tenho dificuldade em pensar em autores como pessoas reais? Não importa se eu sigo vários no twitter e vejo suas divagações diárias tão banais quanto as minhas; eles são pessoas comuns que podem ter defeitos em sua genial criatividade? São não, podem não. É isso que me frustra quando me deparo com tramas tão originais que dão um nó no meu cérebro e fico enlouquecida atrás de uma explicação maravilhosa. 

Mas aí é que está: autores são pessoas normais!(!!!!!) Eles podem não ter explicações maravilhosas para suas ideias maravilhosas! O tal do equilíbrio das expectativas é um problema alimentado por essa ideia. Quando você percebe que TALVEZ o autor não pensou no fim como pensou no meio, hum, temos uma frustração.

Que morte horrível.

Caixa de pássaros é um thriller de horror ambientado em um mundo devastado por uma criatura que ninguém pode ver. É uma praga e, se você ver, você morre. São poucos sobreviventes e eles já esqueceram como é a luz do dia: casas trancadas, janelas escondidas, vendas nos olhos caso você precise sair. É nesse caos de terror psicológico que conhecemos Malorie, em dois tempos: quando vivia num abrigo junto de outros sobreviventes, anos depois quando tenta fugir com os filhos para um lugar mais seguro. Intercalando passado e presente, é que vamos conhecendo essa realidade. E ficando angustiados (e curiosos) com ela.

Ouvi muito dizer que Caixa de pássaros é um clichê do gênero. Talvez seja, talvez não. Como eu frustrei minhas expectativas de ser uma garota grande badass aos 13 anos e assistir vários filmes de terror, hoje eu acumulo uma experiência ridiculamente curta de histórias apavorantes. Logo, se os elementos usados por Malerman para fazer suspense são batidos, para mim, são inéditos. Eu fico com medo por bobagem? Fico. Se alguém tivesse chutado as costas do meu banco no ônibus enquanto eu lia, eu teria gritado? Obviamente. E corrido, inclusive. Eu me assusto fácil e o livro causou esse sentimento comigo. Sou uma leitora de terror facilmente impressionável. Cá entre nós, acho que os autores devem me adorar por isso.

Mas a genialidade de Caixa de pássaros é o pano de fundo da história: esse mundo devastado em que todo mundo sente medo até de respirar. Esse mundo em que é melhor nem viver e, se você nasce, sente medo antes mesmo de chorar pela primeira vez. O que são essas criaturas que fazem todo mundo cometer atos atrozes e depois se suicidar só de olha? Por que? Como? Você entende o que quero dizer? 

Com isso, me tornei uma máquina de leitura para descobrir as respostas das perguntas que não paravam de surgir. Cheguei na metade do livro e lembrei que isso era ficção e o autor era um ser humano. Ele podia não ter uma explicação tão boa. Que agonia!

Eu tirei uma estrela da classificação final por isso. O autor delineia uma explicação, mas não aprofunda como eu queria. Vou ter que dormir com essa? Tudo bem, mas você não ganha meu símbolo de favorito no skoob. 

Eu não entrei muito no quesito dos personagens porque não vejo isso como essencial. O que importa, o forte de Caixa de pássaros, é o cenário e o desenvolvimento, independente de quem está protagonizando. O livro me deu medo, apreensão, eu fiquei mais assustada do que gostaria de admitir em algumas cenas e, apesar das bizarrices, é uma leitura muito boa. 

11 de abr de 2015

Playlist especial que não envelhece


Quando estou muito assoberbada de compromissos, costumo ficar um porre (aceitação é o primeiro passo) e enjoar de tudo. Enjoar até do que não conheço. Por essa razão, essas semanas costumam lotar meu celular daquelas músicas velhas e clássicas e que todo mundo conhece e sabe a letra. Essas músicas que, independente do meu humor, não conseguem deixar de ser maravilhosas. E com isso estou aqui. 

Impulsionada pela minha maratona de The Hills, reencontrei vários artistas que marcaram minha independência musical (sair da Xuxa, I mean) e lotei o Shazam de músicas que já conhecia e já tinha baixado. Essa playlist, eu garanto, não é novidade para você que não viveu embaixo de uma pedra no inicio da década ou do milênio (kordei kd Renew), mas não é menos maravilhosa por essa razão. Vem cantar junto, migo, você já decorou a letra!

8 de abr de 2015

Apenas um dia — Gayle Forman


Apenas um dia #1Autora: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581634500
Páginas: 384
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Pode ser que tenha sido Se eu ficar que fez a fama de Gayle Forman, porém foi Apenas um dia que me chamou atenção o suficiente para que eu quisesse ler sem precisar de elogios por parte dos amigos da timeline. Nunca entendi o alvoroço que o primeiro livro causou. mas se isso foi a base para que publicassem mais da autora no Brasil, o que inclui mais um young adult (new adult?) sobre Paris, eu aceito. 

Contrariando o esperado, Apenas um dia não é narrado num intervalo de 24 horas. De inicio conhecemos Allyson em sua viagem pela Europa nas férias antes da faculdade. Ela é super certinha e ninguém espera nada menos que a excelência de sua parte. Não é de seu feitio, então, fugir do cronograma por um dia e ir conhecer Paris com um estranho, Willem, que conheceu numa apresentação alternativa de Shakespeare. Um dia juntos e a vida de Allyson não é mais a mesma, assim como ela. Mas vida segue, faculdade começa, novas pessoas surgem... E nada tira a cabeça de Allyson de Paris... e o desconhecido-conhecido que deixou por lá.

Não é a sinopse mais original de todas. Na verdade, nenhuma sinopse consegue ser original como fala sobre auto descobrimento e Paris. Fazer o que se a Cidade Luz virou um dos maiores clichês da literatura? Contudo, histórias como essa sempre tem seu apelo, afinal, para se tornar comum, é porque muita gente produz esses genéricos. Se muita gente produz, muita gente lê. E, consequentemente, se produz e se lê porque muita gente gosta.

Allyson é a típica protagonista perfeita. Ela é inteligente, educada, não bebe mais do que o necessário de café e jamais deixa a unha descascar. Allyson é o tipo de protagonista que precisa, desesperadamente, se conhecer. E, bem, o livro é sobre isso. Ela se sente muito pressionada por ser filha única, mas não fala sobre isso com ninguém. Você sabe o que isso significa, né? Sim, exato, longas divagações sobre seu papel no mundo e as notas da faculdade que não são boas o suficiente para o curso de medicina. Ela se cobra demais, e se tenho preguiça disso? Que você acha?

Então por mais que a história não seja a mais cativante (e não é), é bem escrito. Forman pode não ter criado uma protagonista interessante, mas soube inserir personagens ótimos ao seu redor. Willem, por exemplo, nem deu o ar da graça por muitas páginas, mas bastou para que eu enchesse o livro de tags com suas palavras bem colocadas. E quando está cercada por bons personagens, desperta algo de muito bom na protagonista. O amadurecimento de Allyson é muito gradual e coerente, e por mais que tenha muita auto-piedade no desenvolver da história, é tudo necessário para o final funcionar. Meios justificam os fins ou algo assim, não?

Tipo Se eu ficar fazer sucesso para Apenas um dia ser publicado.

7 de abr de 2015

Meus 05 reality shows favoritos!


Joana adora um reality show. Descobri isso recentemente, mas me considero fã de toda vida. Não consigo aguentar muito tempo das pessoas agradecendo a Deus, Jesus e ao Brasil no Big Brother (aliás, de nada), também nunca vou muito além das audições as cegas no The Voice, porém encontrei alguns programas não roteirizados (...) para aumentar a grade. Eu não tomo jeito, não?

America's Next Top Model

Eu assisti ANTM durante alguns anos e depois cansei... Até ter dez minutos livres por dia e encontrar a 20ª temporada na Sony. Eram ótimos 10 minutos diários! Com isso o vicio retornou  e, de 10 minutos em 10 minutos por dia, já assisti as últimas 4 temporadas e quero a 22ª de uma vez. Criar favoritos, acompanhar missões, desafios, ataques de panico por missões nas alturas, cantar a musiquinha de abertura... Como eu disse: quero a 22ª de uma vez!

Keeping up with the Kardashians

Dizem seriado não roteirizado, eu finjo que acredito. Até hoje não vi melhor definição para Keeping up do que a feita em 2 Broke Girls: a gente não consegue parar de ver elas fazerem nada! KUWTK é engraçado, dramático, forçado, não conta nada e é simplesmente viciante. Como não adorar aquelas situações que nunca seriam espontâneas mas elas vendem como coincidência? Parafraseando a Max: THE SHOW IS FREAKING GENIOUS!

The Hills

Outro que força tanto a ficção que chega a ser engraçada a label de reality é The Hills. Sim, aquela The Hills que acabou há anos. Por alguma razão eu resolvi desenterrar esse torrent do mundo e estou viciadíssima. Aquela que assistiu toda a primeira temporada em um dia? Sim, eu mesma. Tem muita barra torta de tanto ser forçada, mas assim como KUWTK, é muito ótimo acompanhar a vida dessas pessoas que vão para barzinhos todo santo dia. Se eu já pesquisei a vida de todo mundo para pegar spoiller de quem ficou/pegou/separou de quem? ÓBVIO!

Masterchef BR

Acredite se quiser, mas nem só de torrents vivo eu. Eu ligo a televisão de vez em quando, e gosto do que vejo (também de vez em quando). Masterchef é uma delícia: comida, receita, calorias, competição e treta de gente grosseira! Foi bem difícil assistir quando eu estava fazendo dieta de low carb, porém o episódio em que a mina troca açúcar por sal foi impagável. A segunda temporada é quando mesmo?

Almost Royals

Estou roubando nas minhas próprias regras porque o blog é meu e eu posso, obrigada de nada. Almost Royals é, oficialmente, uma obra de ficção. Porém se você colocar ao lado de The Hills, por exemplo, não vai notar diferença. Na verdade, em Almost royals os atores são tão bons que parecem ainda mais despreparados e espontâneos. Eu gosto de reality shows porque são tão ruins que se tornam bons, exato significado dessa péssima série incrível. 

6 de abr de 2015

Melhor que chocolate — Laura Florand


Autora: Laura Florand
Editora: Unica
ISBN: 9788567028552
Páginas: 288
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Paris é o cenário mais clichê da literatura, não? É basicamente o lugar para qual autores mandam seus personagens quando querem uma atmosfera romântica que despensa apresentações. Em Melhor que chocolate, a base do livro é a Cidade Luz. Mas vamos esclarecer que não basta colocar a torre Eiffel de fundo para as coisas funcionarem sozinhas. Essa torre não foi construída para sustentar qualquer coisa, você sabe.

O romance é sobre Cade, a rica herdeira de um império de chocolates, que vai para Paris atrás de Sylvian, um famoso chocolatier, que seria capaz de fazer acontecer seu projeto de linha gourmet. Eles se conhecem, se odeiam, sentem uma química incontrolável. Então começa a tocar uma música da Lily Allen e tem uma cena no aeroporto? Não, mas quase.

Não por ser óbvio, mas eu não gostei do livro (opa, joguei na roda!) por não ter encanto. Estamos falando de chocolate e Paris, cara, não devia ser tão difícil! Porém não há esforço para fazer-se fluir: os personagens são apresentados um ao outro, trocam grosserias, dão as costas resmungando e vão passar o resto do seu dia imaginando como seria arrancar a roupa do outro em cima da mesa do atelier de chocolate. Eu conto para vocês como seria: anti higiênico.

Não consegui acompanhar quando o romance apareceu e evoluiu. Eu simplesmente não comprei a coisa toda. Os personagens não tinham carismas próprios, e isso está na cara de que não funcionaria. Seja legal para que as pessoas sejam legais com você, não é isso? Pois então, sejam cativantes para que eu fique cativada com a história que estão me contando. 

As melhores partes, únicas que me chamaram atenção, foi as partes comerciais da empresa de Cade. Eu sou encantada por marketing, então as poucas discussões sobre o mercados de chocolate, quando Cade ligava para informar ao pai sobre a linha gourmet, eram o meu ponto alto. Era o que a autora esperava ser seu ápice? Creio que não.

Então Sylvian diz que quando imagina seu futuro, vê Cade cozinhando para os dois numa noite fria e ok, é exatamente isso que você precisa saber sobre o livro. Tire suas próprias conclusões. O que é uma pena, pois eu esperava gostar de verdade de mais uma história ambientada em Paris. E ainda mais sobre chocolates. Fiquei decepcionada e com vontade de comer brigadeiro. 

4 de abr de 2015

Playlist da quinzena!


Como eu amo esse clima de feriado! Não importa se tem sol ou chuva, o que importa é que há chocolate para o lado que você olhar, e isso é a glória. Melhor, então, só ao som dessa playlist ótima que selecionei nas últimas semanas. Tem música ~velha~, música hype, novas favoritas e uma boa diversidade para animar esses maravilhosos dias jogados de páscoa.

2 de abr de 2015

Primeiras impressões: Younger


Com estreia programada para o final do março, Younger teve seu piloto liberado para primeiras impressões. É uma prática comum para fazer a gente gostar e adicionar o nome logo na watchlist, antes que novidades estreias e você fique sem tempo. Você achava que as emissoras faziam isso só em nome da simpatia? Não, não, querido. Younger, assim como outras várias comédias americanas a fora, não é inovadora e diferente, mas ao se apresentar antes do *boom* de estreias, impede que o espaço reservado seja preenchido por alguma outra genérica. Eike espertos!

Jane by design, lembra? Porém invertido. Ao invés de passar por mais velha, a protagonista é Liza, que finge ter 25 anos para voltar ao mercado de trabalho.  Ela está sendo rejeitada do mercado editorial porque os seus 40 anos são os novos quase aposentados, e depois de ser confundida com alguém com 15 anos a menos em um bar, ela chama a melhor amiga, Maggie, para um makeover.

Exatamente: makeover! Obrigada, Jesus!

(Tenho uma brilhante teoria de que se mais seriados e filmes apostassem nessas cenas, teríamos uma Hollywood mais divertida. Talvez seja por isso que eu perca tanto tempo no Discovery Home and Health...)

Embora tenha bem menos música animadas e cenários pop art do que eu esperava, Younger cumpre o seu propósito de ser algo fresh na watchlist. Por mais que o pilot tente inserir algo mais profundo, como uma mãe solteira tentando seguir seu sonho deixado de lado por anos, a ideia ainda é uma comédia despretensiosa de mid season, e só. Acredito que a produção nem daria certo se tentasse ser mais séria do que isso.

A jogada de divulgação é a volta de Hilary Duff à televisão, depois de um bom tempo afastada. Ela é colega de trabalho de Liza, recém formada e 25 de fato, e tem bem mais espaço do que uma mera colega de trabalho conseguiria se fosse uma atriz mais desconhecida. Acho até surpreendente que o roteiro não tenha se moldado para fazê-la protagonista, pois o twitter prova que os fãs da garota cresceram com ela e querem novos trabalhos. O receio é que isso tome mais importância do que deve e Younger perca seu plot focal. Porém esse não é o X do problema.

Esse é, amigos, as minhas expectativas em ebulição por terem encontrado algo para suprir a falta de Jane by design. Assim como terça-feira passada eu falei sobre The Royals ser minha nova Gossip Girl, eu quero que Younger seja a nova Jane e eu pare de sentir falta das minhas séries favoritas que já foram pro beleléu.

Oh, vida cruel.

Embora eu goste do que Younger pode vir a ser, no momento eu não estou a fim de deixar muitas fichas nela. O piloto foi legalzinho, um passatempo bem ok, mas não fez grande comédia. Induziu a situações cômicas? Sim, mas nem tentou fazer gargalhar. Mais 10 episódios e decido se é realmente boa ou se devo continuar a busca de uma nova Jane by design. 

1 de abr de 2015

Garota online — Zoe Sugg (e a ghost writer não creditada)


Autora: Zoe Sugg (e a ghost writer não creditada)
Editora: Verus
ISBN: 9788576864158
Páginas: 308
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Como vloggers são a nova potência da década, nada mais óbvio que capitalizar em cima disso e levar essas novas celebridades para outras plataformas. Esses sucessos do youtube já tem um publico definido, cativado e, mais importante, pronto para consumir. Então vamos todos dar um abraço coletivo no capitalismo e aproveitar essa nova leva enquanto durar. Pelo menos os livros dessas garotas fofinhas que fazem vídeos de comprinhas e postam fotos de doces coloridos no instagram.

Vou jogar na roda, com licença: esses não são primores da literatura. Mais do que isso: nem devem ser. Garota online é um livro escrito justamente para ser best seller e vender para um público alvo já muito bem consolidado: os fãs da Zoella. Então já vamos dispensar todas essas histórias de que esse é um livro imaturo e adocicado demais: ele é o que é por precisar ser dessa forma. Ele fez sucesso assim, do mesmo jeito que Bruna Vieira virou best seller verde amarela ao escrever sobre uma mulher de 30 anos com mentalidade de 15. Isso é marketing, meus caros, vamos nos divertir com ele.

Garota online não foge muito do chão que Zoe Sugg conhece. É sobre uma garota inglesa de 15 anos,  Penny, com problema de confiança e frequentes ataques de pânico, que tem um blog anônimo para abrir o coração. Como ela conseguiu a disponibilidade do domínio de Girl Online é algo que quero entender, mas enfim. Depois de uma semana muito difícil no colégio, seus pais, organizadores de casamento, recebem uma proposta de trabalho em Nova York, e vão para a cidade que nunca dorme por alguns dias. A vida de Penny muda completamente ao pisar em solo do Tio Sam, então amadurecimento, blablabla, garoto novo, blablabla, enfrentar seus medos e sim, aqueles clichês todos.

Já aviso que o livro não empolga num primeiro momento. Talvez, nem no segundo. Penny é insegura demais para carregar a história nas costas enquanto está apresentando seu mundo, como nos primeiros capítulos em que o plot principal não foi realmente colocado em cena. Ela é a típica protagonista bonitinha, inteligente, talentosa, gente fina, que não sabe tudo isso e se deixa levar por amigos da onça que fingem ser dedicados quando obviamente estão segurando uma faca nas suas costas e prontos para colocar pressão. Eu posso entrar na história para ficar estalando os dedos na cara dessa menina até ela se tocar da realidade e adquirir um pouco de auto estima?

Porém, por mais que a protagonista seja sem sal e sem açúcar, ela esta cercada por bons personagens, o que faz a diferença quando a narrativa toma seu rumo. Sua família é ótima, Noah, o garoto que conhece em Nova York, é um amor e, seu melhor amigo, Elliot, é um ser humano maravilhoso que diz coisas como:
- Você deve ser uma das pessoa mais ineptas (procura no dicionário), insípidas (procura no dicionário) e burras (essa você deve saber) que eu já conheci. [...], eu não desperdiçado um único pascal (procura no dicionário) de ar com você.
Como o público desse livro não vai exigir nada além de uma meiga história fofa (Redundante? Quem? Eu?), muitas das situações são absurdamente convenientes. São tão programadas para darem certo que perdem a credibilidade e parece trabalho preguiçoso. Garota online é um molho de chaves em que a que você procura está pintada numa cor diferente e chamativa. Não é desafiador para o leitor, ou principalmente, para a autora. 

Achei bastante forçado (e fácil) a forma como a protagonista supera uma situação difícil, que fez um grande burburinho quando surgiu como plot. Em um capítulo é o caos, no seguinte, esqueceu, superou, virou a página (literalmente). Isso não apenas perde a credibilidade como também não combina com o que conhecemos da protagonista até então.

Eu estava com expectativas baixíssimas, esperando um livro fraco com uma protagonista graciosamente ingênua. Me surpreendi. Penny não tem graça, as reviravoltas são forçadas, mas o resultado final é bem encantador. Depois de cem páginas remando para ser introduzida, conheci os personagens a ponto de gostar deles e querer devorar o livro. Garota online não entrou para o hall de young adults que vou levar para vida, mas ele tem seu mérito.