31 de dez de 2015

Favoritos de 2015!


A blogueira disciplinada que já fui um dia teria feito vários posts por categoria, durante a semana inteira, comentando todas as coisas de entretenimento que fizeram meu 2015 mais animado. Porém esse ano fez de mim negligente, então estou nos 45 do segundo tempo, quase nas prorrogações, chegando com um apanhado de favoritos do ano. Pelo menos posso dizer que não vou descobrir nada para mudar minha opinião nas próximas horas. Creio eu.
  1. Livro: Sociedade Secreta - Diana Peterfreund ♥ SIM, A SÉRIE TODA! Eu li muitos em 2015, mais do que consigo lembrar sem a ajuda do skoob, então o critério de amor é pela ordem que chega a minha mente os nomes das histórias delicinhas. Nesse ponto, declaro meu favoritismo para a série Sociedade Secreta, que representou uma maravilhosa maratona de cinco livros ainda no primeiro semestre. Eu nunca falei deles aqui porque, né, negligente, mas fique sabendo que é amor. Como não seria, afinal, sendo uma obra original, inteligente, feminista e divertidíssima? Só beleza.
  2. Cantor/Cantora: Ed Sheeran ♥ Não tenho uma música do ano (hoje seria Somebody loves you. ou Selfie colado... Não sei fazer escolhas, veja bem) mas eu tenho um cantor que teve uma parcela maior de "músicas do ano". Ed Weasley é conhecido a anos, mas se tornou meu mozão em 2015, por motivos de Photograph, Don't, The city, You need me I don't need you... NOSSA, TANTA COISA MARAVILHOSA! Obrigada, Ed, por ser minha trilha sonora de 2015!
  3. Álbum: Delirium - Ellie Goulding ♥ Certo, sem música do ano, mas várias delicias do álbum novo de Ellie Goulding se qualificam como especialíssimas. Pfvr, o álbum novo da moliér é cheio das maravilhas: Army, Love me like you do, Codes, Devotion... Cara! E, mais do que isso, se tornar favorita num ano cheio de lançamentos musicais sensacionais não é para qualquer um. Para mim, essa linda desbancou Adele, Selena Gomez, Melanie Martinez e tantos outros. Chamo de dextruidora.
  4. Série: The Royals ♥ Quem esperava outra coisa de mim, não é mesmo? The Royals é, de longe, a melhor coisa que tocou o mundo em 2015. Nossa, melhor série, melhores personagens, melhores plot twists, melhor soundtrack, melhor figurino, melhor roteiro, melhor tiro de bazuca, melhor tentativa de assassinato... Só tiro, porrada e bomba.
  5. App: Spotify ♥ Sou do tipo que falava mal até experimentar e me apaixonar. Jogue pedras, eu aceito. Mas também jogue dinheiro para eu renovar minha assinatura premium, ok? Super badass que sou, não via objetivo em pagar por algo que podemos ter na ilegalidade. Achei que estava sendo esperta, mas era a rainha das otárias. Quem sabe ano que vem eu fale o mesmo da Netflix.
  6. Filme: Maze Runner - Prova de fogo ♥ Talvez eu ame por causa da Dylan MOZÃO O'Brien. Talvez eu ame porque vi milhares de entrevistas maravilhosas com o cast que me fez amar todos. Talvez eu ame porque não acho o livro grande coisa e não crio expectativa. Talvez eu ame porque a experiencia de assistir o filme no cinema foi incrível e significativa. Talvez eu ame por tudo isso junto. O importante é que não amei nenhum filme em 2015 mais do que Prova de fogo. QUE FILME EM 3D, PARÇAS. 
  7. Youtube: Klossy ♥ Duas coisas que amo: youtube e celebridades com canal no youtube. Karlie Kloss era alguém que eu conhecia por ser amiga da Taylor Swift, porém ela é um ser humano incrível, e tem um dos canais mais legais: ela mostra bastidores de sua vida glamurosa, de suas viagens, assa cookies e responde perguntas do twitter. 
Alguma categoria que esqueci de responder? Me conte seus favoritos nos comentários ♥ E feliz 2016, viu?

28 de dez de 2015

Amy Harmon e a síndrome do amor perfeito para pessoas imperfeitas que são perfeitas. Sacou?


Há bastante tempo atrás, eu li em alguma rede social uma recomendação do tamanho do mundo para Beleza perdida, de Amy Harmon, uma adaptação moderna de A Bela e a Fera. Eu estava numa vibe super ótima de ler em inglês e embarquei no livro sem nem pensar duas vezes. Achei bem okay. Mais de ano depois, o mesmo foi lançado no Brasil e eu recebi uma cópia. Reli. Não achei mais tãão okay assim. Ainda assim, Harmon continuava sendo uma autora para prestar atenção, e gostei da capa e da sinopse de seu lançamento mais recente, Infinito + Um. Li. É um livro bem okay. 

Uma coisa que tenho notado desde que me tornei um leitora avida de new adults é a disseminação da ideia de que fulaninhos e fulaninhas precisam ser dignos de amor para que algo aconteça em suas vidas. Nenhum personagem é daquela forma apenas porque quis, mas por ter passado por algo de sofrência transformadora que o modificou completamente e o fez indigno de amor. Por essa razão, ele é digno de amor. New adult não é algo para você tentar entender, eu sei. Essa fórmula é a mesma em praticamente todo o livro do gênero, mas poucos carregam essa mensagem com tanta força quantos os livros de Harmon. Faz você se sentir indigna de grandiosidade por ter todos os órgãos, toda a família viva e nenhuma tatuagem feita na prisão.

Para criar empatia, os autores tem perdido a conexão.

Beleza perdida é sobre o cara lindo da cidade, que volta transfigurado da guerra, e não é mais lindo. Então a doce menina da cidade, que jamais seria alvo de sua atenção se ele ainda fosse bonito, é bondosa apesar de sua aparência, e temos aí uma história de amor. O romance de Fern e Ambrose não é muito distante daquelas histórias da Disney sobre a garota nerd e o garoto popular (ou vice versa), com a diferença que só houve qualquer coisa porque suas ~situações sociais~ foram aproximadas por uma tragédia.

Parece que sou chata por pouco (nunca disse que não era), e, ao ler, temos uma infinidade de mensagens bonitas que devem parecer poesia, mas a mensagem que eu tirei do livro foi um apelo sem tamanho. Como leitor mero observador, você quer juntar o casal e os deixar serem felizes. Como leitor que quer viver as emoções junto aos personagens, é impossível - a não ser que você seja um ser muito, muito generoso (ou se iluda com isso). Você não consegue se conectar com os personagens, pois, subliminarmente na narrativa, sugere que há a necessidade de você ser especial e digno de tudo. Consegue me entender? A autora dá a entender que o romance de Fern e Ambrose só ocorreu porque ele foi para a guerra, perdeu os amigos, perdeu a beleza, e abriu os olhos para Fern, que nunca teve muitos amigos ou muita beleza, mas tinha um coração bom. Achei essa coisa toda de perfeição, imperfeição e dignidade muito cansativa. Achei balela.

Já em Infinito + Um, achei que não teria esse problema, afinal na sinopse não havia alerta de experiencia transformadora. Havia uma cowntry pop star de 21 anos suicida, e um garoto tatuado que parece o Thor que a resgata de pular numa ponte. Basicamente, mais um dia comum para leitores de new adult. O que acontece, então, é que os personagens se encontram, apesar dos pesares, e partem numa road trip fugida, já que a empresária da garota é extremamente controladora. Assim como Harmon é extremamente piegas. BTW, o casal se chama Bonnie e Clyde. Na literatura, não há coincidências, você sabe.

Na maior parte do livro, Infinito + Um não foge do estigma do gênero, sendo clichê e forçado, mas não apelativo. Só que então a gente descobre que Bonnie e Clyde tem uma similaridade muito grande em sua vida, uma coisa triste pelas quais passaram e molda seu passado, presente e futuro, também os tornam complementares. É preguiçoso por ser conveniente de um modo absurdo, mas além disso, vem lá Harmon e apela sua trama. De uma hora para outra, o casal não deu certo apenas porque se davam bem, a química natural e o feeling sempre maneiro de road trip. Simplicidade? Não aqui, queridinha. Tinha que ser aquela coisa exata que os colocava como perfeitos um para o outro. Aquele lance da dignidade para o amor volta todo. Aquela ligação entre eles acaba com a ligação com nós leitores. Achei balela também.

Ambos livros tem partes boas, tem casais shipáveis, mas forçam tanto a barra em serem poéticos e com belas mensagens que se tornam cansativos. Claro que é a minha opinião de pessoa sem paciência para histórias convenientemente reflexivas, detalhadamente moldadas e afastadas da realidade mesmo não tendo vampiros. Você pode ler e achar bonito. Eu achei okay.

23 de dez de 2015

Sorteio especial de natal • Uma chama entre as cinzas, Mosquitolandia e Doce perdão!


Ok, esse semestre não foi o mais movimentado por aqui (expliquei minhas razões aqui, você leu?), mas ainda assim podemos finalizá-lo em grande estilo, você não acha? E por grande estilo entendemos sorteio! Três livros delicinhas para três sortudos diferentes, quer? Então vem!

Regras:
  • O sorteio ocorrerá por ordem da imagem, sendo o primeiro sorteado para o livro Doce perdão, o segundo para Mosquitolandia e o terceiro para Uma chama entre as cinzas;
  • É necessário endereço de entrega no Brasil;
  • Todas as informações requisitadas serão conferidas, e quem não estiver seguindo todas as regras será desclassificado;
  • O sorteio será feito pelo Rafflecopter e o resultado será divulgado no blog, em até 3 dias após o término da promoção, no dia 24/01;
  • O ganhador tem um prazo de 72 horas após a divulgação do resultado para entrar em contato com o blog e enviar o endereço;
  • O prêmio será enviado para o ganhador no prazo de 30 dias;
  • Não nos responsabilizamos por extravios cometidos pelos Correios.  
Boa sorte, feliz natal e beijinhos!

18 de dez de 2015

Playlist de férias!



Entrei em férias, oficialmente, na quarta feira. Sabe quando foi que tive o sentimento libertador de não precisar voltar para a universidade por dois meses? Quando estava no ônibus, voltando para a casa dos meus pais, e começou a tocar Pitbull nos aleatórios do Spotify. Maneiro, né? Também acho. E nesse espirito, decidi tirar a poeira da aba de playlists com uma seleção especial de músicas para comemorar as férias! É sexta feira, uma das últimas do ano, e obviamente merecemos melodias dançantes e letras grudentas. 

Decidi adotar esse novo modelo de playlist porque, bem, estou rendida e apaixonada pelo Spotify. Além de ser mais simples, acredito que fica mais fácil para você também, que não vai ter que esperar carregar música por música. Na seleção, temos a especialíssima música do farofa de festa com nome de raça de cachorro, a canção que Selena Gomez apresentou no Victorias Secret Fashion Show, delicinhas do meu novo amorzinho Shawn Mendes, e a brasileiríssima Dona da noite que é minha nova letra grudenta favorita. Isso e mais, claro.Vamos, dê play! E não esqueça de me seguir no Spotify, viu?

17 de dez de 2015

O coração do leão • Mia Sheridan


Signos do amor #2Autor: Mia Sheridan
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414691
Páginas: 208
Quando eu resenhei A voz do arqueiro (aqui), falei que queria ler o livro dos leoninos que são obviamente as melhores pessoas e dariam o melhor livro. Então O coração do leão foi lançado e, na minha cabeça, meu sonho de encontrar um new adult em que os dois personagens fossem egocêntricos estava realizado. Ledo engano.

O coração do leão é a história de Evie e Leo, que se conheceram em um lar adotivo quando crianças e juraram amor eterno. Porém Leo foi adotado e eles perderam contato. Anos depois, Evie conhece Jake, que diz ter conhecido Leo e que está ali a pedido dele. Poxa, nem preciso falar mais porque é esse clichê todo que você já sabe. 

A questão é a seguinte: nós, pessoas que nascemos em leão, temos o rei da selva na barrida. É bem verdade. Daí pegamos O coração do leão, que supostamente é inspirado nas principais características do signo (todas tem a ver com ego), e encontramos personagens sem um pingo de amor próprio. Uma protagonista fraca, que se deixa levar por qualquer pessoa que é simpática com ela porque, lá no fundo, ela não acredita ser digna de amor - por nenhuma razão específica. Ah, tenha santa paciência.

No começo, o romance até é interessante, até se cria uma atmosfera cativante ao redor de Evie e Jake, porém aos poucos ele vai mostrando suas garrinhas e não tenho paciência para caras que dizem o que a garota deve fazer, como gosta que ela se comporte e meio que torna sua propriedade só porque tá namorado. Não quero soar repetitiva, mas ah, tenha santa paciência.

O coração do leão é o primeiro livro da série Signos do amor, mas não foi o primeiro a ser lançado no Brasil. Estratégia de marketing incrível, porque eu seria uma que não leria mais a série depois desse livro mal escrito. Porém, comparando com A voz do arqueiro, há uma evolução tremenda na habilidade de Sheridan de desenvolver a história, e por isso eu digo que vale a pena dar chance para as obras futuras da autora. Além de que o livro do leão é bem minúsculo, não vai mudar nada sua experiência com a série.

4 de dez de 2015

Perdidos por aí • Adi Alsaid


Autor: Adi Alsaid
Editora: Verus
ISBN: 9788576863977
Páginas: 294
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Quando comecei a assistir Cidades de Papel, não entendi o sucesso todo que o filme estava tendo. As pessoas estavam declarando a melhor ida ao cinema do ano, e eu não conseguia ver por qual motivo. Até Quentin e sua turma entrarem no SUV e saírem pelo país em busca de Margô. Haha, road trip, aí eu vi sucesso.

Poucas tramas são tão incríveis quando essa de encher uma mochila, pegar as economias e por o pé na estrada. É um mar de possibilidades, uma trama misturada com ar fresco, uma sensação de liberdade que flutua para o leitor apenas com o virar da página. Queria ter essa sensação fazendo minha própria road trip, porém quem somos universitários falidos que não tem carro? Verdade.

Perdidos por aí é a história de Leila, que decidiu sair pelo país para ver a aurora boreal. A primeira coisa que você precisa saber é que Leila é uma garota maravilhosa: receptiva, amigável, simpática, uma boa ouvinte e extremamente inteligente. Essas características a tornam a motorista de road trip ideal, pois ela está sempre pronta para fazer amigos e sair em aventuras. E é sobre isso que o livro fala.

São cinco personagens narradores. Leila é a última deles. Hudson, Bree, Elliot e Sonia vivem seus dramas particulares, situações da fase, mas cruzam com Leila (ou Leila cruza com eles, para ser mais específica) e ganham um ombro amigo. Leila é aquela pessoa que observa de fora e enxerga de verdade, sabe? Leila é uma boa metáfora para nós, leitores, se você for pensar. Ela encara, percebe, joga na cara. Deixa reflexos de suas ações nas vidas dos outros, diferente de nós que somos leitores impotentes que precisamos esperar pelo autor aliviar nossa aflição.

Uma coisa muito ótima de Alsaid e sua escrita é que nem tudo são flores. Quando eu digo que Leila deixa reflexos, não quero dizer que ela passa pelas pessoas e resolve magicamente seus problemas. Nada disso. Ela diz a verdade, larga a bomba, e segue sua viagem até encontrar casualmente o nosso próximo narrador. É papel dos próprios personagens entenderem a mensagem, trabalharem com ela e se desenvolverem. Além disso, essas escolhas nem sempre são as mais fáceis (óbvio, mas digo para o autor) ou as mais esperadas. A história de Elliot, por exemplo, é uma completa fuga do clichê young adult, e é bem especial justamente por isso.

Bem lindo e bem especial. Perdidos por aí é uma agradável surpresa - e não porque alcançou minhas baixas expectativas, ao contrário: Alsaid sempre encontrava o modo mais inusitado de me fazer gostar ainda mais da história. É um livro ótimo, na boa. Faça dele uma de suas escolhas de férias - e se for fazer uma road trip e passar pelo Rio Grande do Sul, me dá um call e a gente toma um café para você me dizer umas verdades. 

3 de dez de 2015

Doce perdão • Lori Nelson Spielman


Autora: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus
ISBN: 9788576864141
Páginas: 322
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Eu sou do tipo que costuma ignorar livros cuja sinopse pareça algo mais sentimental e "adulto". Não sei, normalmente fico achando que não vou me identificar com os dramas dos personagens e tenho uma preguiça enorme de mimimi de gente grande. Bem bobo, eu sei, mas é a verdade. Porém, ano passado, a editora Verus lançou A lista de Brett, que tinha uma trama fora da minha casinha do conforto, e fez uma ação especial enviando para os parceiros. Eu recebi, li como quem não quer nada, e me apaixonei (como você pode lembrar na resenha). 

Sabe o que eu quero? Pegar a resenha de A lista de Brett e colar aqui em baixo. É errado plagiar minhas próprias palavras? Enfim. Doce perdão é tão lindo quando aquele primeiro livro. Depois disso, sempre vou me referir a Lori Nelson Spielman como CARA, AQUELA MOLIÉR.

Doce perdão é sobre Hannah, uma jornalista que tem o próprio programa na TV local. Ela namora o prefeito e a vida é impecável - aparentemente. Ela esconde em sua gaveta do camarim as pedras do perdão, que recebeu de uma colega de escolha que fazia bullying, e que criou uma moda nacional enviando pedras para perdoar e ser perdoada. Hannah foi uma das 35 pessoas escolhidas por Fiona para ser as pioneiras da moda das pedras, porém ela nunca passou para frente. Perdoar e ser perdoada envolve remexer no passado, sabe? E quando o presente parece estar tão bom...
Vou ser bem sincera: da primeira à ultima página, minha garganta foi consumida por um bolo. Não sei se estava particularmente sentimental nos dois dias que passei ao lado do livro, mas fiquei direto com a sensação de garganta embargada e olhos mais aguados que um rio. Eita livro lindo, de verdade. O jeito com que a autora descreve os sentimentos de Brett e o modo como sua vida está confusa beira o poetismo, e se torna muito fácil se apegar pela protagonista e sua vida destruída.
Resenha de A lista de Brett
Sabe aquela habilidade de emocionar você sem precisar apelar para nada? Spielman a detêm. É impressionante o modo como ela faz tramas do cotidiano tão, tão tocantes, e sem parecer fazer esforço. Como é um livro que fala sobre perdão, os personagens (primários, secundários...) compartilham suas histórias, e então você se apega a cada um deles. E quer chorar por cada um deles - não por dó, mas por empatia. Migos, se isso não é ser uma escritora sensacional, não sei mais o que o termo significa.
Porém, em toda glória da minha delicadeza, por vezes eu tive vontade de entrar na história e dar na cara de Brett. Quem está de fora, só observando, é mais fácil ver os erros, não? E Brett está afogada em vários.
Resenha de A lista de Brett
Same here. Hannah não é a personagem com mais amor próprio, que faz as escolhas mais inteligentes e sim, você vai ficar irritado com ela por não tomar as decisões que são tão claras para nós, meros observadores externos. Mas faz tudo parte do amadurecimento do livro, e é encantador. Você acompanha ela se descobrir, se perdoar, revirar suas caixas de lembranças e se aceitar. É uma jornada que vira poesia nas mãos de Spielman, então por favor, dê um tempo para Hannah superar suas barreiras. Nem todo mundo nasce leonino.
Lori me surpreendeu, claro.
Resenha de A lista de Brett
Outra coisa maravilhosa na escrita dessa senhora é sua capacidade de sair do óbvio. Ela surpreende você - com tapas na cara, inclusive. Você pode até pensar que está pegando uma história que dança entre clichês, mas a verdade é que essas míseras 320 páginas, que passam voando, estão repletas de informações novas e inesperadas. Pequenas reviravoltas, coisas que fazem a autora ter que trabalhar de verdade e procurar pela terceira ou quarta solução para algo que podia ser facilmente resolvido na primeira vez. Se você ainda não sacou, estou digitando essa resenha com os pés porque as mãos estão aplaudindo Spielman.

É parecido com A lista de Brett, porém, ao mesmo tempo, Doce perdão tem sua própria e linda identidade. E acho muito sensato você querer ler essa identidade, porque não é todo dia que preciso usar tantas palavras elogiosas assim numa resenha. Se forem de Spielman, eu certamente vou continuar lendo mimimis de gente grande - e empolgadíssima com isso.

25 de nov de 2015

Zac & Mia • A. J. Betts


Autora: A. J. Betts
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637716
Páginas: 288
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Acho que era isso que a gente precisava: tempo. Tempo para descansar a cabeça, deixar a poeira baixar e parar de falar sobre A culpa é das estrelas toda vez que livros envolvendo câncer viravam assunto. Viramos uma nova página e encontramos Zac e Mia nela. Um livro sobre adolescentes com câncer, e apenas isso. Mas ainda quero fazer uma referência, com a sua licença:

Assim como Red Band Society (saudades ♥), o primeiro cenário que encontramos em Zac e Mia é um hospital. Zac está lá se recuperando da cirurgia que lhe deu uma nova medula, tendo crise de tédio por conviver apenas com sua mãe. Do outro lado da fina parede de 6 cm, chega Mia: Revoltada, furiosa, que escuta Lady Gaga a todo volume para mandar sua mãe para longe. Umas batidas na parede para fazer a música parar e pronto: uma conexão está formada.

Se engana você se pensa que Zac e Mia é sobre um casal que se conhece no hospital, tem uma amizade instantânea e logo começam a se amar. Se engana bonito que você que pensa isso, aliás. Zac e Mia é um livro sobre Zac. Zac é a melhor pessoa, conto para você. Você consegue definir personalidade suave? É difícil, porém também é a melhor opção que encontrei para descrever Zac. O personagem é doce, inteligente, e com uma visão de vida incrível. Suas passagens nos livros são sempre recheadas de comentários maravilhosos e tiradas lindas.

Zac e Mia também é um livro sobre Mia. Personagem essa que você conhece aos poucos, se afeiçoa mais aos poucos ainda. Enquanto Zac é o personagem que abre a narrativa e gera um carisma instantâneo, Mia é mais difícil de lidar. Ela é enigmática, cheia de raiva interior, que não aceita sua condição de saúde. Podemos até nos aproximarmos dela quando chega sua vez de narrar a história, mas só vamos gostar dela de verdade quando ela começa a gostar de si. Sabe do que eu chamo isso? Genialidade.

Genialidade de A. J. Betts, digo.

O desenvolvimento do livro é lindo e sutil, mas nada lento. A narrativa realmente anda, abordando vários pontos da vida dos personagens, interligando-os e dando importância aos detalhes. Mas não pense você que o livro é triste por tratar do câncer, ou tenta ser engraçado para fugir do estigma. É o encontro, sabe? É o que Red Band Society fazia antes de ser brutalmente cancelada. Você ri e chora e se afoga nas próprias lágrimas enquanto gargalha. 
Se você tinha desculpas não ler Zac e Mia, pare com elas. Pare já. Agora mesmo. Não precisa delas. Leia. 

18 de nov de 2015

A voz do arqueiro • Mia Sheridan


Signos do amor #1
Autora: Mia Sheridan
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414448
Páginas: 336
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Em tempo que muito se fala de signos, é bastante esperado que o tema seja introduzido como plot do gênero literário que mais vende após os livros de colorir. Signos de amor é uma série de new adults, que coloca características astrológicas como setas ditadoras do livro, dando um feeling para a história derivado do que se diz ser comum do signo escolhido. A voz do arqueiro, escolhido para ser o primeiro volume da série no Brasil, é sobre sagitário. Como boa leonina, não presto atenção suficiente nos outros signos dos outros para saber o que é usual do sagitariano, desculpa.

Se Nicholas Sparks escrevesse new adults, esse seria A voz do arqueiro. Juro para você, o sentimento é muito semelhante. Estamos numa cidade interiorana com praia, bastante monótona. Bree Prescott é uma mulher que esconde um segredo e, por esse motivo, saiu sem rumo, atrás de um lugar para recomeçar. Esse lugar é Pelion, onde também mora Archer Hale, um cara misterioso e muito silencioso, que vive alheio da cidade. Poxa, migos, tenho certeza que Sparks já escreveu no mínimo seis livros com esse exato plot.

Não que eu não goste desse plot. Eu sei que eles existem, repare essa informação.

São muitos clichês acumulados no mesmo enredo - embora não de uma forma ruim. Em A voz do arqueiro, assim como em new adults no geral, todos os personagens mantem segredos, guardados a sete chaves junto de seu passado sofrido. Bree, como o sangue novo de uma cidade onde todos se conhecem, se sente intrigada com o cara bonito que ninguém fala, e que também não fala. Ela vai atrás, bastante stalker, e cria uma conexão que antes ninguém conseguiu estabelecer com Archer.

É a primeira vez que li um livro cujo protagonista fosse surdo-mudo. É uma dinâmica interessante, diferente, o ponto novo que Mia Sheridan trouxe para seu mar de pontos velhos. Acho que isso apresentou uma dificuldade para a construção do romance, algo que o leitor consegue acompanhar claramente. A autora faz escolhas convenientes para diminuir as chances de erro de seu trabalho, o que também é aparente, mas faz funcionar. E dá muito certo.

Eu comecei a leitura achando que tinha encontrado uma versão mais madura de Mar de tranquilidade, e acabou que A voz do arqueiro foi uma versão mais ~ozada~ da trama padrão Nicholas Sparks. É um livro muito bom, a leitura flui maravilhosamente bem, porém não tem nada que eu diga que é extremamente especial - apenas uma opção maneira de leitura. Na verdade, estou esperando mais do livro sobre leoninos.

17 de nov de 2015

O círculo rubi • Richelle Mead


Bloodlines #6
Autora: Richelle Mead
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765756
Páginas: 334
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O ebook do último volume de Bloodlines está no meu celular desde a semana do lançamento, no inicio do ano. Eu não tive coragem de abrir e me despedir dos personagens. Decidi, então, reler o quarto e quinto volume, preparar o terreno. A ideia era continuar direto com o sexto e último livro e então fechar essa página. Também não aconteceu. Eu enrolei de novo. E talvez - só talvez - tenha passado tempo demais lendo opiniões sobre os personagens principais em sua atuação nos volumes finais. Sabe aquela desconstrução que eu falei ter lido sobre no quinto livro?  Pois então: eu a vi. Que droga, eu a vi.

Para evitar spoillers, digamos apenas que o terreno estava preparado para o último capítulo de Sydrian e cia. Richelle Mead tinha dado um último plot, na última linha de Sombras prateadas, que serviria para prender o leitor e daria espaço para concluir todas as pontas soltas deixadas no decorrer dos cinco antecessores. Então começamos a leitura, encontramos Adrian e Sydney no meio do caos que os cerca, por vezes os colocam como principais de problemas que nem são seus. Mas enfim, foco da frase foi para o lado errado. Eu não estou reclamando dos protagonistas se envolverem em todo problema que os Morois criam, não é isso. O que eu quero que você note naquela frase é: encontramos Adrian e Sydney. 

Chegamos ao dia que estou de saco cheio do meu ship, algo houve.

É aquela bendita desconstrução que o pessoal falou antes. Se nos livros anteriores a gente tinha a tensão de criar o relacionamento, de passar por cima dos preconceitos alquimistas e Morois, todos os impedimentos que deixavam Sydrian irresistível, dessa vez estamos num nível de estabilidade enjoativo. É muita paixão e, junto dela, dependência. Os primeiros capítulos narrados por Adrian são um porre, porque é uma mistura de seus pensamentos naturalmente melancólicos com "nossa, como eu amo a Sydney". Aff, né? Adrian é uma das minhas maiores crushs literárias por conta de seus comentários inteligentes e egocêntricos, que ficam completamente desaparecidos por quase todo o livro. Um que outro que surgem cá e acolá dão uma total melhorada na história, porém o incrível era quando esse tipo de tirada era constante.

Junto disso, o desenvolvimento geral apareceu enrolado. O que eu acredito ser fruto de que a artimanha de plot de Mead para seu volume final não foi grandiosa o suficiente. Por mais que tenha sido algo que mexesse com a estrutura da série, considerando o primeiro livro lá atrás, eu acho que houve uma evolução muito grande, de tudo, para que o último grande enredo fosse com base naquele primeiro plot introdutório. Claro que envolveu vários aspectos que tinham sido apresentados no decorrer da série, mas a base em si parecia tão primária, sabe? Tão "é sério que isso é importante desse modo"? Sem falar que o quinto livro deixou todos os secundários, terciários, e agora todos voltavam novamente para o centro do campo. Não parece WOW, entende?

Porém não acredite que eu não gostei de O círculo rubi - ele só não alcançou as minhas altas expectativas, e acabou ficando num nível de tão bom quanto o primeiro (que era o meu quatro estrelas, até então). Alguns picos de empolgação serviram para levar a narrativa até o momento em que Mead decide correr uma maratona para transformar tudo em final de novela, e então o livro acaba. É chato porque eu queria que a impressão final de Bloodlines fosse tão maravilhosa como foram meus sentimentos com o meio da série, mas ainda a tenho em alta cota. Além do mais, é definitivamente melhor que Vampire Academy.

16 de nov de 2015

O conde enfeitiçado • Julia Quinn


Os Bridgertons #6
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414400
Páginas: 304
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Eu dei minhas primeiras quatro estrelas para Julia Quinn. Precisei de tantos minutos para assimilar essa informação que, bem, estou escrevendo essa resenha há mais de mês depois de concluir a leitura. Nossa. Um dia difícil.

Seis livros. Os Bridgertons foram minha família preferida da terra da literatura de época por quase 85% desse tempo. É uma boa estatística, se você for pensar. Desde o primeiro livro de Julia Quinn que abri, me apaixonei por sua escrita, seus personagens, sua forma única de ser clichê falando de romances históricos. Seus livros eram especiais, seja apresentando mais uma história de amor impedido, ou então uma releitura de Cinderela. Foi tudo cinco estrelas. Até aqui.

O que eu esperava de O conde enfeitiçado era romance aliado a comédia. Coisa que já tinha sido feito até aqui, porém dessa vez eu queria ver a graça surgindo a partir de personagens supersticiosos. Era isso que o título sugeria, não? Já que magia não existe no nosso mundo trouxa, pessoas que acreditam nela existem - e estas rendem ótimos plots de superstição. Essa era minha mente confabulando sobre o que seria apresentado na história de Francesca, e apenas isso.

Francesca Bridgerton tinha casado no quinto volume, caso você não lembre. Ela casou e era feliz com seu marido, John. Porém, nesse livro, John faleceu, e Francesca tem a chance de reencontrar o amor mais perto do que imagina, pois o primo de seu falecido marido, Michael, sempre fora apaixonado por ela. Gente, sabe uma coisa chata? Triângulo amoroso. Sabe uma coisa ainda mais chata? Triângulo amoroso em que um personagem nem respira mais.

A mão romântica de Julia Quinn está no livro o tempo inteiro, então você consegue sentir a tensão sexual fluir dos personagens, o relacionamento ser construído com credibilidade e encantando ao leitor simultaneamente. Isso acontece, assim como aconteceu em todos os livros de Quinn que li até então. Porém, dessa vez, o que impede Francesca e Michael de ficarem juntos é a sombra de John, o que acaba, por sua vez, desencadeando vários plots melancólicas e passagens cansativas. 

Por mais que a narrativa seja em terceira pessoa, Quinn sabe escrever da forma que os anseios de seus personagens se tornem claros, como se fossem os próprios narradores. Aí que está o problema. Acompanhar Francesca e John não é aquela coisa SENTIMENTOS, apenas sentimentos. Sentimentos tristes, inclusive, porque apesar do tempo que passe, há muita tristeza e luto no meio deles, independente do tempo que tenha passado desde o falecimento de John. O fato de Francesca ser um pouco afastada de sua maravilhosa família também não ajuda muito.

Em certo momento, a história de O conde enfeitiçado cruza com a do quarto livro, e sabe o que eu fiz? Reli Os segredos de Colin Bridgerton, o que me confirmou meu argumento que Julia Quinn tem capacidade de escrever tão, tão mais que o que estava sendo apresentado. Ainda é um romance histórico bom, comparado com outros do gênero, porém ao lado das obras da autora, é o mais fraco. QUE DÓ.

14 de nov de 2015

Os 05 CDs que estou viciada, socorr

Essa coisa de escutar CDs é nova para mim. Bem irônico, se você for pensar, já que quando finalmente entramos na fase do Spotify, eu me liguei que existem outros meios de escutar várias músicas sem precisar montar playlist. Claro que esse novo apresso se deve ao fato da facilidade que é ver o torrent do álbum ao invés de buscar 14 músicas diferentes, mas vamos fingir que é pelo amor ao conjunto da obra, de um jeito bem cult. Haha, cult, que piada. Se liga só nos cinco álbuns ~zuper cults~ que eu não parei de ouvir nas últimas semanas.


O principal erro de Selena Gomez for divulgar Good for you como primeiro single de Revival. A música é muito blé, e acabei colocando o álbum inteiro no mesmo saco. Até escutar as primeiras músicas e me apaixonar por Revival. O CD é um óbvio avanço na carreira da menina em comparação com seus últimos trabalhos. Diferente de Stars dance, Revival é menos sobre dançar com os braços para cima e mais sobre amar a batida. Há mais mensagens nas letras, no maior estilo miga Swift de mandar recadinho sobre os antigos relacionamentos (ou Bieber, no geral). É muito ótimo! É o pop chiclete, mas claramente diferente do pop chiclete que ela vinha fazendo até então.


Não consigo lembrar quem foi o ser humano maravilhoso que me falou sobre Melanie Martínez e seu álbum Cry Baby, mas seja quem for, MUITO OBRIGADA! Numa vibe weird pop, Melanie é tipo Lana del Rey, só que num mundo onde Laninha queriaestarmorta não fizesse a onda misteriosa do sexy sem ser vulgar que dá preguicinha. Todas as batidas deste álbum tem um ar melancólico, mas ao mesmo tempo é baladinha pop e envolvente. Porém, ao analisar as letras, você nota o quão forte é Cry baby, que aparentemente sugere algo meio infantil, com mares de babados cor de rosa, e acaba mostrando que de leve só tem as notas. É muito coerente o conjunto da obra, embora dê bastante dó do pobre alterego de Melanie, a Cry baby. No final, esse álbum é uma arte - que dá vontade de cantar melancolicamente junto.






Posso não gostar tanto de Bang quanto Fátima Bernardes, mas precisamos combinar que o novo álbum da menina Anitta é muito dançante. A gente pode até falar que Anitta isso e Anitta aquilo, mas teremos que concordar que se as batidas da cantora fossem acompanhadas de letras gringas, seria #1 do Shazam Brasil. Verdade, gente. Bang é pop, embora pop brasileiro se chame funk. Não há nada de extremamente especial no conjunto da obra, nenhuma mensagem profunda intrínseca, mas se você quer dançar, escute Bang.








Assim como aconteceu com Revival, os primeiros singles revelados de Breath in, breath out não criaram uma grande empolgação ao redor do retorno de Hilary Duff às paradas musicais. Talvez isso justifique o flop do álbum da garota, que poucos meses depois do lançamento, ninguém comenta mais. Isso é bem triste, pois diferente de Chasing the sun e All about you (que nem fazer parte da tracklist), as músicas de Breath in, breath out são bem legais. A batida é pop chiclete, que lembra o que a cantora costumava fazer sucesso há anos, porém com uma óbvia (e necessária) evolução para o que faz mais ouvido hoje. É perfeito para os fãs de pop, pois todos os elementos que a gente adora foram jogados na fórmula. Além disso, tem composições de Tove Lo e Ed Sheeran. Ainda dá tempo de chamar todo mundo e fazer esse CD bombar?






Eu posso usar aqui o mesmo argumento que dei para a gente ignorar Anitta: santo de casa não faz milagre. Mesmo sabendo que Bang e Troco likes tem um oceano de diferenças entre eles, a bandeira que quero levantar é que existe sim cantores brazucas apresentando trabalhos de qualidade e que dão gosto de ouvir. Bang é legal porque é dançante, Troco likes é incrível porque é bonito - no sentido de mensagem, de metáfora, de suavidade. Tiago Iorc vai para a onda mais conceitual, com músicas onde o foco é a poesia das letras e não o ritmo, mesmo que unir essas duas partes da música feche perfeitamente, num nível de simplicidade impressionante.

13 de nov de 2015

Em queda livre • Ally Carter


Segredos diplomáticos #1Autora: Ally Carter
Editora: Guarda chuva
ISBN: 9788599537404
Páginas: 352
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Ally Carter é a autora que você procura quando quer ler young adults clichês que fogem do estigma clichê do gênero. Parece estranho e talvez você esteja pensando que minha lógica deu uma leve falecida agora, porém não: você vai me entender quando conhecer Ally Carter. A autora já veio várias vezes ao Brasil e flopou, tadinha, mas agora a editora Guarda Chuva trouxe mais uma série dessa senhora criatividade e, PFVR QUE DÊ CERTO nunca te pedi nada!

A verdade sobre Ally Carter é que ela atrás aquele feeling high school, que a gente ama e devora sem enjoar, em outras realidades que por vezes estão longe da escola de verdade. Seus personagens nunca são reles mortais, com habilidades normais e que curtem assistir seriados quando chegam da aula, com um dever de biologia que o google responde. Nã, os protagonistas de Carter são as crianças do masterchef junior, talvez não na cozinha. São as pessoas inteligentes que queremos ser quando crescermos. São incríveis, sem mais.

Em queda livre é o primeiro livro da série Segredos diplomáticos, em que a protagonista, Grace Blakely, muda para Adria, um país (fictício) em que seu avô materno é o embaixador americano. Ela vê esse novo cenário como a oportunidade para descobrir a verdade por trás do assassinato de sua mãe, há cerca de três anos. Para essa missão, ela conta com a ajuda de seus amigos, todos com nacionalidades, culturas e personalidades diferentes. 

Eu quero dar um abraço em Carter por ela ter colocado o mundo todo no liquidificador e nos presenteado com a Ala das Embaixadas, juro pra você. A primeira frase do livro é "Quando eu tinha doze anos, quebrei a perna pulando do muro entre o Canadá e a Alemanha", pelamordejesus. Você sabe que é um livro é excelente quando a primeira frase dele propõe que é possível pular do Canadá para a Alemanha. Amor forte, caros.

Então seguimos Grace na busca por respostas. Clichê? Absolutamente, mas lembre que estamos seguindo ela por respostas enquanto vamos dos Estados Unidos à Russia, quem sabe uma passadinha do Brasil e OLHA ELES ESTÃO DANÇANDO SAMBA. É muito legal o modo como a autora sabe mesclar as várias culturas, fazer referencias sensatas aos locais que narra e inserir muito contexto político em um livro que, a principio, parece ser apenas um jovem adulto comum na lista dos jovens adultos. Esse contexto multinacional, inclusive, fica aparente nos personagens, pois você consegue notar várias características em suas personalidades que sugerem o país que descendem. Tem esteriótipo, verdade, mas quem se importa? 
No final, Em queda livre ainda consegue surpreender e mostrar que Carter não está de brincadeira com essa série. O que me deixa realmente animada, porque não gosto quando suas continuações acabam ficando no mais do mesmo apresentado no primeiro livro. Eu adorei a leitura, principalmente quando temas internacionais entravam em voga. Coloque mais países no liquidificador e teremos um caso de amor forte e eterno, tipo milkshake.

12 de nov de 2015

Sombras prateadas • Richelle Mead


Bloodlines #5
Autora: Richelle Mead
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765596
Páginas: 368
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Eu enrolei para postar essa resenha porque é muito difícil falar sobre Bloodlines. Sinto que estou sempre repetindo a mesma coisa: uma dança de palavras sobre "essa é a mesma Richelle de Vampire Academy?" e "ADRIAN MOZÃO". Essa é uma série que me surpreendeu muito a cada volume, e estar beirando o final deixa ainda mais complicado encontrar as palavras certas para descrever o lugarzinho especial que ocupam na minha estante (e na vida, e no coração). 

Sombras prateadas parte do cliffhanger medonho que terminou Coração ardente. O final do quarto livro, que quebrou as pernas do pobre leitor desavisado, é o ponto de partida ideal para o quinto capítulo da história, pois já começamos sendo afogados em agonia, frustração e dores no peito. Num momento temos Sydney, meio grogue, meio drogada, vivendo os piores momentos nas mãos dos alquimistas. No outro momento, Adrian está lá, provando sua maravilhosidade em forma Moroi, sendo um personagem naturalmente problemático, ainda mais complexo quando apaixonado e em desespero. 

Eu nunca gostei tanto do ponto de vista intercalado de Adrian e Sydney quanto dessa vez. É muita curiosidade no ser humano para saber o que está acontecendo dos dois lados, e não saberia como lidar se a narrativa fosse de outro modo. Isso serviu para, ao mesmo tempo, aliviar e aumentar a tensão. Contradizente? Explico: Ainda que ter noção do que está acontecendo ao redor dos protagonistas ajude muito a acalmar os nervos, os capítulos sempre terminam nos momentos mais decisivos e que não deveriam terminar POR QUE TERMINARAM CUSTAVA ESCREVER MAIS UMA PARAGRAFO NESSA FOLHA RICHELLE

Aff, Richelle, por quê?

Ainda assim, a maioria das críticas feitas ao livro ficaram presas ao final da história, numa possível desconstrução de personagens que houve para que ficasse conveniente. Eu concordo? Que ficou conveniente, sim. Que talvez não fosse tão necessário e a autora poderia ter trabalhado de outra forma, sim. Porém eu gostei, fiquei bem fangirl enquanto lia. Não vou entrar no fato em si, já que é spoiller de uma vida inteira,  mas veja bem: Bloodlines não é uma série escrita para ser genial. É um young adult sobre vampiros, for God's sake. Eu acho que deveríamos ficar contentes simplesmente por ter uma protagonista com a sagacidade de Sydney e um personagem tão complexo quanto Adrian, e como o relacionamento deles trabalha esses dois aspectos de suas personalidades de uma forma coesa e sem melodrama. Isso tá de parabéns de aplausos fortes. Eventuais escorregadas são, bem, eventuais. 
Sombras prateadas é uma leitura viciante e cheia de feelings, como todos os livros de Bloodlines foram até agora. Acredito que o quinto volume apresentou realmente uma evolução na série como um todo e preparou o terreno para um sexto e ultimo livro no mesmo nível. Para não perder o costume: estou surpresíssima com Richelle Mead, não deve ser a mesma autora de Vampire Academy.

PS: Você curte Vampire Academy e quer me xingar muito nos comentários? Deixe eu me explicar antes: eu odeio a Lissa. Odeio forte, odeio rude. Coloquei a série inteira no mesmo saco porque a bendita da Lissa tá em todos os livros da série. Desculpa, não é pessoal.

11 de nov de 2015

8 razões pelas quais eu acredito que você deveria ser trouxa e voltar a ver Pretty Little Liars


Abandonei Pretty Little Liars há mais de dois anos, no inicio da quarta temporada. Estava de saco cheio, cansada de ser feita de trouxa em todo santo episódio. Abandonei e, como sou dessas, fiquei me achando senhorita madura pela atitude. Porém bastou a notícia do flash foward para minha mão correr pro site de torrent e, dia mais dia menos, estamos aqui. Sim, eu achei que nunca mais seria otária, possivelmente fui otária, mas estou muito, muito feliz por ter sido otária. Marlene King, a senhora tem minha permissão para me fazer de otária.

Eu assisti cerca de 59 episódios em menos de uma semana. Pretty Little Liars se tornou minha ocupação favorita em todos os minutos livres, inclusive os que estavam marcados na agenda para representarem oito horas de sono. Eu não precisava de sono, precisava devorar essa série. E agora, migos:

8 razões pelas quais eu acredito que você deveria ser trouxa e voltar a ver Pretty Little Liars


1. As coisas andaram... pra frente, juro!

Eu entendo que quem permaneceu fiel ao seriado tenha ficado cansado com a enrolação e não tenha sentido a empolgação com as revelações sendo dadas semanalmente, quando, junto disso, outros arcos surgiram. Porém, a partir da quarta temporada, as coisas realmente foram pra frente, dando pouquissimas caminhadas em círculos. As grandes reviravoltas se concentravam em episódios estratégicos? Sim, porém o caminho até elas foi bem gradual. 

2. Os furos foram, em maioria, tapados

A série não é perfeita, óbvio, e as pontas soltas do enredo estão ali para quem quiser ver. Só que, aos poucos, as coisas foram se amarrando. Talvez eu tenha esquecido muitos buracos que surgiram ao longo do tempo que abandonei, porém os maiores, que me intrigavam mais, foram respondidos. As pistas que incriminavam Ezra desde o primeiro episódio de Halloween, por exemplo, foi tudo colocado no mesmo pacote de respostas, e ele basta porque conclui várias tentativas de suspense numa tacada só. Claro que há escorregões do roteiro quando as coisas estão sendo formadas, como um teste para o telespectador, mas uma vez que as coisas fecham, elas fecham. E selam.

3. Todos já encontraram suas caras metades e vamos partir daí

Nas primeiras temporadas, tinha muito plot envolvendo possíveis casais, todo mundo pegando todo mundo e fazendo aquela confusão amorosa típica de seriado teen. Porém chega um momento que já está todo mundo de casalzinho e pronto para seguir a vida daí. Isso coloca Toby, Caleb, Ezra e Paige na front row, pois eles deixam de ser secundários na vida das protagonistas para participarem da ação em si. Isso é um avanço claro de série teen para algo mais.

4. Spencer TURN DOWN FOR WHAT

Ela é rica, ela é poderosíssima. Por mais que a abertura sugira um protagonismo para Aria, é óbvio que Spencer é a rainha do pedaço. Ela carregou o seriado nas costas quando estava em Radley, e meio que continuou fazendo isso toda vez que a trama dava uma balançada. A cena em que ela lidera a busca por Alison no último baile, com seu vestido longo e cabelo em ondas que dançavam no ar: claramente dona do mundo.

5. Muitos momentos sagazes

Não das personagens, mas do roteiro. Fazer as mães sofrerem como suas filhas nas mãos de uma pessoa misteriosa que bate a porta do sótão? Incrível! Além disso, essa mesma cena mostrou por quem Spencer puxou genética de ser maravilhosa. Outro momento simplesmente demaix é quando Ella diz para Aria que "ela ficaria surpresa com o que os alunos são capazes de dividir com seus professores favoritos... bem, talvez ela não". Impagável.

6.Doll house é uma mistura de genialidade com bizarrice que MEU JESUSINHO

Eu vou escrever sobre Doll house usando a mesma quantidade de palavras que as vezes que consegui respirar:

7. Cara, a história do Charles

Eu sei que muita gente achou tosquissima a explicação sobre Charles, mas eu achei soberba. Mesmo tendo spoiller sobre a pessoa por trás da mascara, fiquei falecida com a explicação. Sabe quando você está lendo Harry Potter, descobre o passado do Voldemort e se voluntaria para ajudá-lo a matar Harry? Quase isso. Além do mais, achei muito coerente o modo como adaptaram a história original (btw, outro ponto maneiro: Sara Shepard fez participação, quem reparou?). Não tenho o que falar mal, na boa.

8. Flash Foward

Flash foward Flash Foward FlAsH fOwArD FLASH FOWARD GALERE FLASH FOWARD

10 de nov de 2015

Torre partida • J. Barton Mitchell


Saga da terra conquistada #2
Autor: J. Barton Mitchell
Editora: Jangada
ISBN: 9788564850941
Páginas: 472
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Duas coisas que já repeti muito por aqui: 1) minha memória é péssima e, consequentemente, 2) sou dona de esquecer plots principais de livros. Eu sei exatamente a última passagem de Cidade da meia noite, porém lembrava de informações decisivas sobre o enredo e os personagens? ... Esse é um problema danado, pois você não cria toda aquela empolgação marota para pegar a continuação e devorá-la como se fosse brigadeiro. Mesmo que ela merecesse ser devorada dessa forma, como é o caso de Torre partida.

O segundo livro de Saga da terra conquistada continua, bem, a saga de Mira, Holt e Zoey (e Max!) pelas terras conquistadas pelos Confederados. Dessa vez, eles precisam chegar a Torre Partida, um marco das terras estranhas que parece ser decisivo para a busca de respostas quanto a Zoey e seus poderes. É aventura, distopia, tudo aquilo que Mitchell já tinha colocado no liquidificador no livro anterior, porém com um pouco mais de ingredientes dessa vez.

A impressão que tive é que desta vez o autor decidiu focar nos protagonistas separadamente, aprofundando a construção iniciada anteriormente. Por esse motivo, vários personagens significativos para o passado de Mira e Holt são introduzidos, provocando consequências e dando material para rechear livros tão grandes - pois, afinal, toda aquela tensão introdutória ficou para trás. É interessante conhecer mais da dupla principal e entender o caminho que eles trilharam até o inicio da saga, porém... Aff, odeio quando entra gente nova no meu ship.

Triangulo amoroso é tipo o cúmulo do desnecessário (salvo em The Infernal Devices), ainda mais quando entra não apenas uma, mas duas pessoas no meio do casal. Duas pessoas com histórico, bagagem, a lot of feelings. Aff para eles. Aff mesmo. Essa tentativa do autor de colocar frustração funcionou - mas pelas razões erradas. Se Mitchell queria que lêssemos e ficássemos no "hum, talvez não deveria ter shipado Mira e Holt logo de cara", o que aconteceu foi mais para o "hum, não sou obrigada".

Porém, acima disso, a leitura foi ótima. Os momentos de ação por vezes me lembraram estar assistindo Prova de fogo e eu AMEI PROVA DE FOGO. Além do mais, o autor sabe fazer uma miscelânea maneiríssima de elementos e gêneros, e Torre partida consegue pular coerentemente de ação para romance para comédia para ação novamente talvez um pouco de suspense acá e acolá. Vou tentar lembrar as novidades do enredo dessa vez, pois definitivamente quero ler a continuação.

7 de nov de 2015

Playlist da semana


Enquanto meus vizinhos escutam o que eu desconfio ser Wesley Safadão, estamos aqui montando uma playlist que eu peguei quase toda de Pretty Little Liars. Já combinamos em admitir que não existe alimento melhor para o Shazam que uma maratona de seriado? Deus do céu, quero bateria eterna e celular sempre do meu lado para não perder uma música incrível que for.
Sail - AWOLNATION: Sail é o tipo de música que funciona perfeitamente em momentos decisivos de seriados, mas parece uma melodia esquisita quando você escuta sendo pessoas sofrendo como imagem de fundo. Bem, já declarei meu amor por melodias esquisitas, né? Fazem eu me sentir cult. Além do mais, você escuta e imagina que está no próprio filme, bem maneiro.
Begin again - Rachel Platten: Rachel Platten é aquela menina que está bombando com THIS IS MY FIGHT SONG TAKE BACK MY LIFE SONG PROVE I'M ALRIGHT SONG, mas antes disso ela já era maravilhosa com Begin again. Vem, miga, vamos fazer karaoke dessa música e fingir que somos Adele (desculpa, Rachel, mas Adele dá mais emoção).
Hope - HAERTS: É o Faustão que diz "quem sabe faz ao vivo"? Pois é verdade. Você por favor note essa moliér e as notas dessa música sofridíssima e lindíssima. Estou em dúvida se vou pro canto chorar de eveja dessa voz maravilhosa ou da melancolia que Hope me deu. 
Bird in a cage - Spelles: Então deixamos de ser góticas suaves para abraçar essa música folk mais incrível. Bird in a cage é simplesmente dimaixxxx. É super vibes Reign (sdds soundtrack de Reign), e já estou catando álbum desse tal de Spelles pra colocar num replay eterno. INCRÍVEL.
Runnin' (lose it all) - Naughty boy ft. Beyonce & Arrow Bejamin: Eu amo amar músicas da Beyonce, faz me sentir parte do mundo. Runnin' é uma música recente, parceria de várias pessoas que não floparam por conta do feat com BonC. Deu até vontade de ir para academia pra ter uma playlist com essa música.
Photograph - Ed Sheeran: Na última playlist, falei de Don't. Era minha música favorita. Hoje estou falando de Photograph. É minha música favorita. Seguinte: me deixe ter uma obsessão tardia por Ruivo Sheeran, só fui enjoar de Sing agora para finalmente dar bola para outras músicas sucessos do menino. Sobre Photograph: só digo uma coisa: não digo nada. E digo mais: só digo isso!

2 de nov de 2015

O caso dos dez negrinhos • Agatha Christie


Autora: Agatha Christie
Editora: Globo
ISBN: 9788525005083
Páginas: 219
Em 2015, eu: li Agatha Christie. Não era uma meta, mas é um acontecimento. Descobri "recentemente" que curto suspense bem feito, e nada mais óbvio do que correr para o abraço da autora que é considerada rainha do gênero. E ainda na linha da obviedade, é meio lógico ir primeiro para o livro considerado a melhor obra dentre as muitas de Agatha Christie: O caso dos dez negrinhos

No livro, temos um cenário misterioso e cativante: A Ilha do Negro, propriedade do Sr. e Sra. U. N. Owen, tem sido alvo de especulação da mídia desde a aquisição. Todos querem saber o que há de tão especial naquele amontoado de terras rochosas. Dez convidados, aparentemente sem conexão alguma, são convidados para passar uma temporada na ilha. A partir daí, uma série de assassinatos começa acontecer, e só há aquelas mesmas dez pessoas como suspeitas. Ou nove pessoas. E contando.

Seguinte: a atmosfera é assustadora. Imagine estar numa ilha com desconhecidos e, de repente, as pessoas começarem a morrer misteriosamente em pequenos intervalos de hora. É uma sensação constante de ser alvo, de ter alguém a espreita, de estar em perigo o tempo todo e não ter por onde fugir. É esse clima sombrio e sufocante que me cativou em O caso dos dez negrinhos. Eu sentia o medo dos personagens, e foi mais perto de terror psicológico que já cheguei com um livro, mesmo não sendo caracterizado como uma obra de horror. 

Eu imagino que a falatória que cerca Christie se refere a essa capacidade de levar o leitor para o centro do suspense como se fosse mais um alvo. Digo isso porque descobrir o assassino não foi tão interessante assim. Eu já ouvi muitos elogios sobre a genialidade da autora e sabe o que acontece quando você espera genialidade? Você não encontra Leonardo Da Vinci, desculpa. Por mais que eu não tenha adivinhado o mistério antes da hora, acabei ficando com o decepcionado "isso é tudo?" no famigerado momento da verdade. 

Cortei Agatha Christie da lista de autores que precisava conhecer e não sei dizer quando será minha próxima experiência com a autora. O caso dos dez negrinhos foi uma leitura muito boa e cheia de agonia, verdade, mas me deixou indiferente justamente no que deveria ser mais chocante e dexxxtruidor. 

Vamos fazer o seguinte: você me conta seus livros favoritos sobre terror psicológico e, se incluir Christie, temos um novo alvo prioritário para a pilha de leituras.

28 de out de 2015

A tentação de Lila e Ethan • Jessica Sorensen


A tentação de Lila & Ethan - Segredo #3
Sem spoiller
Autora: Jessica Sorensen
Editora: Geração
ISBN: 9788581302751
Páginas: 376
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Autores são senhores criadores de expectativas. É o trabalho deles, afinal. Mas hoje vamos conversar sobre autores de new adults que tem prazer em desenvolver personagens secundários e delinear seu futuro, só para depois avisar que tem um novo livro que a gente vai precisar ler se quiser saber o que acontece com fulaninhos. Aff, a gente sempre quer saber o que acontece com fulaninhos. Eu poderia estar falando de Katie McGarry, Jamie McGuire ou qualquer outra, mas hoje meu papo é com você, Jessica Sorensen.

Desde o primeiro livro de Micha e Ella, tivemos doses da tensão sexual que rolava solta entre Lila e Ethan. Era óbvio que o casal iria precisar de um livro para chamar de seu, considerando a fixação da autora em encher estantes com personagens já conhecidos. Então que ao dar uma folga para seus primeiros protagonistas, Sorensen chamou seus amigos para o centro do palco e, cá entre nós, todo mundo precisa do centro do palco? Centro do palco tem consequências, meus caros.

A autora sempre teve o trabalho de fazer os dois personagens parecerem ousados, característica típica de melhor amigo de principal, porém quando eles são os principais toda aquela ousadia parece necessitar de um passado, afinal, ninguém se diverte só por diversão, não é mesmo? Foi aí que o letreiro do “Desnecessário” começou a piscar na minha cabeça.

Com Ella e Micha longe, Lila e Ethan se tornam melhores amigos. Dividindo a narrativa, a gente vai aprendendo mais sobre os personagens tanto na visão de si, como do coleguinha. Aí que a autora criou aquele drama, aquele passado, aquele trauma e todos aqueles algo. Não é inesperado, considerando o gênero, porém eu estava achando divertido um casal feito de ousadia e alegria, principalmente considerando que Ella e Micha já tinha sido aqueles aqueles DUAS VEZES.

Pela decepção, eu não curti o livro. Foi algo muito diferente do que eu esperava, o que se tornou mais do mesmo. A tentação de Lila e Ethan toca em tramas consideradas tabus que o new adult tornou clichê, e sabe clichê em cima de clichê? Pois é. É uma pena de verdade que Jessica Sorensen ainda não tenha batido as expectativas colocadas com o primeiro livro que escreveu. 

27 de out de 2015

A febre • Megan Abbott


Autora: Megan Abbott
Editora: Intrinseca
ISBN: 9788580577990
Páginas: 272
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Eu estudo marketing, trabalho com marketing, faço pesquisa sobre marketing. Me considero, então, bastante capaz de identificar técnicas de vendas bem feitas. Blurbs de capa, por exemplo, envolvem muitas outras variáveis além de um elogio aleatório. No caso de A febre, um livro misterioso com uma capa que remete a surtos psicóticos, a primeira chamada não só confirma a bizarrice do enredo, como também tem o toque arrasador de ser chamado de perturbador pela autora mais perturbada do século. Isso que chamo de estratégia de marketing bem feita.

Vi muita gente querendo ler A febre pela sinopse. Verdade, chama a atenção: Um belo dia na escola de Deenie, sua melhor amiga, Lise, começa a convulsionar no meio da aula. No dia seguinte, sua outra amiga, Gabby, tem um ataque semelhante. Isso continua acontecendo com várias meninas da escola numa proximidade de tempo que faz a comunidade entrar em pânico. Mas, como eu disse, não foi o plot que chamou a minha atenção. Foi Gyllian Flynn chamar a escrita de Megan Abbott de perturbadora. Temos aí um livro de terror? Possivelmente.

Possivelmente em partes. A Febre tem sim algo de muito sombrio em sua sinopse, um suspense muito forte que abre possibilidade para as mais inúmeras explicações: de mutação genética numa vacina de HIV a influência do coisa ruim na face da terra. Você fica sem saber em que acreditar, formulando as mais diversas teorias, o que deixa o suspense muito palpável. Em alguns momentos, Deenie faz comentários e metáforas a respeito de suas amigas que sofreram ataques que faz arrepiar a espinha do coitado do leitor.

Mas essa atmosfera não é em tempo integral, pois Abbott mescla muito do mistério com rotina comum de garotas adolescentes, problemas cotidianos que a adolescência faz parecer o caos. Há uma quebra, então, de quando estamos falando sobre problemas sinistros que atingem a comunidade e sobre problemas drama queen que atingem só as meninas do ensino médio. Abbott narra muito bem esse segundo plot, mas ele mata todo um clima maneiro que tinha sido criado antes, sabe? Por melhor que fosse, eu não gostava dele. Vamos falar mais sobre as convulsões!!!

Em compensação, eu gostei bastante de quando a autora amarrou tudo e criou uma coerência entre as partes. Abbott soube muito bem ligar os assuntos, os personagens, explicar situações e dizer porquês. Não é a melhor parte do livro porque aqueles comentários metafóricos de Deenie que comentei antes são realmente ótimas e únicos. Mas meu segundo lugar na lista de melhores coisas do livro, definitivamente, os nós de ligação. 

Tem várias coisas muito boas a respeito de A febre: a forma como a trama é desenvolvida, amarrada e vendida. Porém, ao mesmo tempo, tudo isso é entregue por meio de uma narrativa muito detalhista, descritiva e lenta. No final, achei o livro cansativo. Com elementos interessantes, mas cansativos. Acreditei de verdade que Gyllian Flynn se perturbasse com coisas piores.

26 de out de 2015

Desejo proibido • Sophie Jackson


Autora: Sophie Jackson
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414509
Páginas: 416
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Desejo Proibido é a sinopse que você já conhece: Kat, moça certinha com passado traumático, vai trabalhar como professora para presidiários e conhece um detento badboy, Carter, que mexe com ela. Eles sentem uma atração danada e, obviamente, proibida. Porém, acima disso, existem ~segredos~ que podem abalar o possível relacionamento, que os liga de incríveis maneiras. Blablabla, gente, aquele de sempre.

Nada contra o velho blablabla de sempre, fato claramente perceptível pela quantidade de new adults genéricos na minha estante. Eu nunca me importei de cair em terras conhecidas quando a autora consegue fazer algo para me prender. Não precisa ser inesperado, apenas cativante - e por 250 páginas, é impossível largar Desejo proibido.

O livro tem dois momentos bem definidos. No inicio, por mais absolutamente clichê, é muito divertido. Tinha Carter secretamente apaixonadinho, o que era adorável, além de uma Kat muito vou-não-vou, o que também era adorável. Seus encontros tinham provocações, diálogos inteligentes e fazia do livro uma leitura realmente viciante. Daí as coisas do enredo meio que dão certo. Daí as coisas do enredo meio que desandam. Essa perca de ritmo é algo maneiro quando é madrugada e você precisa achar um capítulo que dê para largar e ir dormir, porém não tão maneiro quando você está acordada e quer aquele mesmo nível de empolgação e, bem, não encontra.

O que acontece, nesse segundo momento do livro é algo meio noveleiresco, com vilões prometendo vingança e mocinhos xonadinhos preocupados com os vilões e demais dilemas da vida. Nada contra drama (NADA contra, definitivamente), mas este simplesmente não convence, porque não é dramalhão, apenas uma sugestão do que pode acontecer. O casal já está muito estabilizado, sem aquela empolgação e provocação da conquista, da expectativa. Se é para seguir essa linha de novela, vamos ser mexicanos e fazer bem feito! Vamos jogar um prato no chão, derramar vinho na cabeça da amiguinha, gritar "OH VOCÊ COMO PODE ARRIBA" e carregar na pronúncia do R.

Uma coisa que me incomodou é que todos os personagens importantes, num sentido social, eram homens. Grandes executivos, advogados, pessoas que realmente influenciavam no cenário: homens. Empoderamento de mulher é algo muito importante, e precisa ser abordado em livros cujo publico alvo é esse. Fica chato quando todas as partes de ação sejam protagonizadas pelos caras, e as manas sejam retratadas apenas como figuras maternas (o que inclui Kat como professora). Tá que a mãe da protagonista, Eva, é senadora. Verdade, é mesmo. Porém ela não aparece como tal na história, apenas como lembrete de onde vem a fortuna da família. Eva é o tempo todo retratada como a mãe superficial e insensível. A imagem que faz para o leitor é bonita? Não.

Por mais da metade da leitura, Desejo proibido foi um cinco estrelas favoritado: viciante, carismático, envolvente. As páginas restante tiraram uma estrela e invocavam uma preguicinha que eu não queria sentir com o livro, mesmo que, no geral, ainda pense nele como uma leitura muito boa.