23 de abr de 2013

Cinquenta vergonhas de cinza por Fanny Merkin

Empurro a porta aberta e tropeço na barra das minhas calças de ginástica largas num movimento rápido e desajeitado. Enquanto tombo na direção do chão, meu corpo, por reflexo, aciona o modo ginasta. Largo a mochila e o notebook, estendo meus braços e viro uma estrela. Com o impulso conseguido com o tropeção, completo três estrelas antes de aterrissar em pé… em cima da mesa do Sr. Grey! Fico tão envergonhada com minha falta de jeito que fecho os olhos. Espera aí. Alguém está… aplaudindo? Abro meus olhos e encaro o Sr. Grey e MINHA NOSSASSINHORA DOS VAMPIROS BRILHANTES, COMO ELE É GOSTOSO! 

Autora: Fanny Merkin
Editora: Novo Século
ISBN: 9788576798729
Páginas: 256
Nota: 
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Estou feliz em dizer que consegui escapar de falar sobre a onda dos livros eróticos por quase um ano. Para quem ainda não sabe: eu não gosto. Cinquenta tons de cinza está na minha pequena lista de abandonados, em que meio livro já foi tão desgastante que ler o restante parecia missão impossível. Foi nesse momento que minha sede por resenhas negativas e sátiras da TekPix literária (pfvr, não aguentei #premiopiadaruimdoano #sesuperoujoana #fogeprasmontanhasjoana #fingequenãoleu) foi ao ápice e desde então vivo na busca de pessoas que compreendam meus sentimentos sobre a trilogia que o mundo todo parece amar. Enfim.

Cinquenta vergonhas de cinza é a paródia linda que eu precisava na minha estante. O esquema é basicamente o mesmo: Anna é uma estudante de 21 anos, super ingênua, desastrada e cheia de princípios, que vai substituir a colega de apartamento bêbada, Kathleen, numa entrevista com o empresário Earl Grey: multibilionário, extremamente lindo e maravilhoso, que vive atormentado com suas cinquenta vergonhas, seus guilty pleasures (na forma mais literal possível da expressão). Logo nasce uma conexão profunda entre os dois, e Anna é convidada para participar das aventuras BDSM super secretas - e vergonhosas - de Grey.
- Não, Anna, não é nada parecido com Zumba. BDSM é um rpg ao vivo: Bardos, Dragões, Sortilégios e Magia. Eu jogo com mulheres na minha masmorra e as coisas podem ficar... um pouco quentes.
- Não tem ar-condicionado na sua masmorra?
A versão original (não apenas 50 Tons, mas Crepúsculo também) é repleta de falhas, de coisas sem noção, de personagens com defeitos absurdos mascarados de fragilidade e amor. Em Cinquenta vergonhas de cinza, esse lado é amplamente explorado. Começando por Anna, no topo de toda sua inocência, sua completa alienação ao mundo (já que praticamente terminou a faculdade sem ter um computador), a facilidade que é impressionada pela fortuna de Grey, como adora receber os presentinhos baratchenhos de seu "Senhor" e não ter a moral abalada. Acima de tudo, como fluem os pensamentos de Anna, sua quase perfeição ironizada nas próprias palavras. Earl Grey, por sua vez, é uma peça rara: empresário, piloto, stalker que roba wifi dos vizinhos, fã de Gossip Girl, team Jacob, que não desiste até conseguir o que quer... Realmente encantador, não?
- Espere um momento - ele fala, puxando um BlackBerry do bolso da calça e digitando algo nele. O aparelho vibra e ele digita novamente antes de guardá-lo. - Acho que você pode tirar o resto da tarde livre.
- Tem muita coisa para fazer aos sábados. Não posso mesmo... Meu chefe me mataria - eu falo.
- Sou seu chefe agora, Srta. Steal.
- Como assim?
E vem um sorriso de novo, aquele com todos os dentes.
- Acabei de comprar o Wal-Mart - ele diz.
A comédia é ótima. A autora forçou a barra em todos os sentidos possíveis, e praticamente todo parágrafo tem uma boa piada. Situações que pareciam bizarras no original, aqui extrapolam o senso do ridículo (e não é uma crítica, pois esse é o objetivo do livro). Quando Anastasia escova os dentes com a escova de Christian, por exemplo. Dessa vez, ela faz isso, se engasga e quase morre (duas vezes). A deusa interior agora é uma piriguete interior. Aquela mania insuportável de narrar em todo parágrafo como os olhos do sr. Grey são cinzas, é repetida (só que, graças a Deus, moderadamente) com os dedos longos do personagem.

Como o livro é menor e volume único, muita coisa é cortada (como as cenas de sexo capítulo sim, capítulo também), e personagens secundários quase não existem (poucas aparições apenas para Kathleen e Jin, melhor amigo de Anna). Para uma sátira, essa foi a fórmula perfeita e muito bem medida. Cinquenta vergonhas de cinza é hilário, exagerado, ótimos péssimos personagens e tudo que eu imaginava. A leitura é rápida, divertida, despretensiosa, e você deve evitar ler em público - por causa das gargalhadas, ok?! Recomendo.
Bjs,
Para vc que me ama, Girlie Poderosa

9 comentários:

  1. Também não gosto deste livros eróticos, e o fato de que a trilogia Cinquenta tons está no top 10 mais vendidos de muitas livrarias assusta! Pelo menos fizeram esta paródia para ridicularizar tudo de vez haha
    Ri demaaaais com os quotes! "Não tem ar-condicionado na sua masmorra?" kkkkkkkkkkkkkkkkk #morri

    Beijos,
    salaodelivros.blogspot.com.br

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  2. Gente, MORRI com essa sua resenha! Hahahahahaha
    Cada quote, que meu Deus, caí da cadeira só de ler!
    Não vejo o real motivo por trás da veneração quase cega aos livros eróticos. Ainda não vi graça em cenas "quentes" o livro inteiro.. o.O
    Claro, vergonha alheia à parte, não tem coisa melhor que uma bela paródia para morrer de rir, não é verdade?

    ;**
    Nathi
    http://nathieseuslivros.blogspot.com.br/

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  3. Gosto muito dos livros hot, embora 50 tons não seja meu favorito.... Amo paródias de livros q eu gosto, e me divirto muito com elas... Já conheço e desejo esse livro.

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  4. ainda não li 50 tons de cinza, mas pretendo ler este depois que ler o outro...
    já ouvi falar bem deste livro, que é muito divertido e tudo o mais :P

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  5. Joana, sua linda! Subiu no meu conceito por não gostar dessa trilogia horrenda. Acho um tanto ridículo um livro como 50 tons de cinza fazer tanto sucesso, se bem que todos sabemos que o motivo para tanto sucesso não se deve pela qualidade do produto, mas por outras coisinhas que acho não necessário citar.
    Ah, e voltando a sua ótima resenha, acho hilário a ideia de ridicularizar o livro original! muhahaha
    Beijos!

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  6. Joana, sua linda! Subiu no meu conceito por não gostar dessa trilogia horrenda. Acho um tanto ridículo um livro como 50 tons de cinza fazer tanto sucesso, se bem que todos sabemos que o motivo para tanto sucesso não se deve pela qualidade do produto, mas por outras coisinhas que acho não necessário citar.
    Ah, e voltando a sua ótima resenha, acho hilário a ideia de ridicularizar o livro original! muhahaha
    Beijos!

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  7. Já li Cinquenta Tons (o verdadeiro). Gostei, mas tenho minhas ressalvas. Ainda não consegui ler outro livro erótico, ainda mais uma sátira. Não sei se eu leria, mas quem sabe eu dou uma chance no futuro.

    Beijos
    Lucas

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  8. Nunca li 50 Tons, e pelo jeito nunca vou ler. Muita gente que tem cérebro fala que o livro é mal escrito, que a protagonista é tapada, e que não tem nada de atrativo, a não ser o sexo.
    Crianças estão lendo para se sentirem adultas, só que elas não sabem que ser adulto cedo não é legal.
    Não tenho uma opinião concreta sobre esses livros, já que nunca li, mas se algum dia eu ler vai ser só pra falar mal.
    Me perdoem fãs de pornografia (sim, pornografia, porque erotismo é arte, e isso não é arte, é apenas sexo), mas essa é minha opinião.
    #prontaparaserjulgada #correndoparaascolinas
    Beijos!

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  9. Esse é o tipo de livro que eu leria, 50 tons de cinza é um livro que digamos para quem não gosta de ler por isso atrai tanto "leitor"

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